Não vou desistir de ti. Pela primeira vez, não irei desistir de
alguém. Pela primeira vez, não vou desistir; seja do que for. Já houve alguns
‘alguém’, mas nenhum como tu. Sempre que nos cruzamos com alguém que nos pode
fazer a pessoa mais feliz do mundo, dizemos sempre que esse ‘alguém’ é
diferente de todos os outros que já tivemos antes; que esse novo e mais recente
‘alguém’ é tudo aquilo que os outros não foram. Corremos a lista na ânsia de os
suplantar, como se gostar menos não fosse aceitável. E não é. Queremos sempre
gostar mais, nunca menos. Como se não fosse justo para ninguém ser substituído
por um ‘alguém’ que fosse menos do que o melhor.
Por isso, desistir passa a ser aquele tipo de atitude que
perdemos para o vento. Surge um novo ‘alguém’ e, de repente, temos coragem para
fazer tudo; coragem para dizer que sim e coragem para dizer que não. De
repente, somos os melhores na arte de trocar olhares, sem nunca realmente olharmos
aquilo que queremos insistentemente ver. Como se vê-lo fosse perder o ar que
respiramos! Como se olhá-lo fosse uma chuva de rosas num peito desprotegido que
luta pela liberdade! A coragem de olhá-lo vai-se num ápice, como se nunca
tivesse existido. Mas nós sabemos que ela estará lá para nos assombrar
novamente daí a uns meros instantes.
Queremos olhá-lo e não queremos. Queremos tocá-lo e não queremos.
Queremos falar-lhe e não queremos. Queremos olhá-lo, mas não queremos que ele nos
veja a admirá-lo, a beijá-lo, a tê-lo nos nossos braços, com os olhos. Queremos
tocá-lo, mas temos medo que toda a sua sedução nos trespasse sem piedade, que
toda a sua beleza nos engula num só trago, que todo o seu magnetismo seja
demasiado forte para resistirmos. Queremos falar-lhe, mas corremos o risco de
perder a voz, ao escutar a dele; ficamos com medo de quebrar todo um silêncio belo
e avassalador que nos faz inspirar. Personificamos o paradoxo como se fosse a
coisa mais normal do mundo, sê-lo. Porque, de repente, querer e não querer
passa a fazer o maior sentido na nossa existência.
Demasiado misterioso. É este o problema ‘dele’. Todo aquele
mistério que o ilumina deixa-me completamente à nora. Sorrio como não sorria
desde a primeira vez que alguma vez me senti assim; expludo aqueles sorrisos
idiotas, de orelha a orelha, que traduzem absolutamente todos os meus
pensamentos; por isso, forço-me para os esconder. Os meus olhos brilham com uma
intensidade tal que me fazem transparecer tudo o que me vai na alma; a solução
é desviar o olhar para uma parede e isso nem sempre resulta. Denuncio-me a mim
mesma até na forma de andar. Quase corro pela minha vida, numa fuga que
significa exactamente o contrário daquilo que eu quero fazer. Corro pela minha
vida, como se o aparecimento da vergonha e da timidez dependessem da velocidade
a que me distancio daquele que mais quero.
Ai, mas aquele mistério! É ele que me faz quebrar todas estas
regras! É ele que me faz olhar para trás no último segundo da minha escapadela.
É ele que me faz sorrir assim que os seus olhos passam pelos meus. É ele que,
num piscar de olhos, me aquece o coração e me derrete a alma, levando-me a um
êxtase espiritual que nunca na minha vida experienciei. Nunca este sentimento
foi tão forte! Nunca a timidez foi tão guerreira! Nunca o meu coração discutiu
tanto com a minha cabeça! Nunca me deixaram assim! Nunca tive tanta coragem
para escrever o que sinto por ti! E, tudo isto, sem nunca ter trocado dois
dedos de conversa contigo! Quero-te tanto que até a mim mesma me surpreendo!
Por esta altura, já tudo o resto deixou de ter importância, mas
as pequenas coisas ganham um relevo assustador, capaz de mover-me o espírito.
Estou calma, sempre calma, mas assim que te avisto no horizonte, uma revolução
nervosa percorre-me o corpo como se tivesse sido electrocutada; uma revolução
que se repete e repete e repete e repete e não tem fim. A bonança só volta a
invadir-me assim que sei que não mais te verei, nesse dia. Sim, nesse dia. Porque,
no dia seguinte, se voltares a aparecer, sou tomada de novo pelos tremeres
incessantes, os corares impossíveis de reter, os desviares de olhar para não
desfalecer com a vista e os suspirar fundo (bem fundo) dolorosamente
repetitivos.
A parte mais engraçada disto tudo é que tu não és assim tão
bonito, tão escultural, tão arquétipo de homem belo e irresistível. Não és nada
daqueles homens feitos por encomenda ou acabados de sair de uma fábrica instagramiana.
És exactamente o contrário de um modelo de perfeição (exceptuando a tua altura,
talvez). Não és louro de olhos azuis, nem tens um corpo com músculos imprescindivelmente
definidos. Não tens olhos verdes e cabelos escuros como o breu, nem és um homem
fotogénico. Aliás, mal mostras ao mundo os teus profundos e delicados olhos
castanhos, que apenas vislumbrei uma vez. O teu cabelo encaracolado, tão ímpar,
é talvez a única prova física que se destaca numa sala repleta de cabeleiras
tão comuns e aborrecidas. Fisicamente, admito que podias ser tão melhor. Mas é
isso que me apaixona em ti. Até o teu físico é tão discreto e, ao mesmo tempo, tão
gritante, que me perco nele como em nenhum outro lugar!
A beleza que há em ti está por dentro desse corpo que pouco se
destaca. E é claramente ela que me atrai. É essa beleza que não se vê, mas que
se sente, que me puxa com tal brutalidade, que me sinto a perder-me do resto
mundo e a querer importar-me só contigo. Aquilo que tu tão insistentemente guardas
e escondes é aquilo que eu tão intensamente vejo e desejo. Como se eu visse por
dentro de ti tudo aquilo que tu és. E é por isso que eu não te olho sempre que
quero: porque tenho medo que tu tenhas o mesmo superpoder, de ver dentro do meu
peito tudo aquilo que eu quero para mim.
Tenho medo da rejeição, sempre tive. Mas mais medo tenho da tua
aceitação, porque não saberei lidar com ela. Sinto que devia dar um passo em
frente. Sinto que devia olhar-te, tocar-te, falar-te; mas o medo de ser
correspondida é tão grande, tão grande, que me fogem as palavras, me foge o
chão, me foge o coração, me foge tudo aquilo que eu preciso para me manter
calma. Se me responderes, se me falares, se te dirigires a mim sequer, derreto.
Nunca aconteceu isto com ninguém. Nunca fiquei sem palavras com ninguém. É por
isso que sei que desta vez é diferente. O pânico de estar na mesma sala que tu
deixa-me com os nervos em franja porque inicia-se o conflito interno que me
domina até ao final do dia. E o pior disto tudo é que eu sei que, quando me
vês, sorris, o que me deixa ainda mais nervosa. Como é que é suposto lidar com
a tua aceitação? Como é que é suposto lidar com o olhar? Como é que é suposto
lidar com este sentimento que eu tenho quase a certeza que seja amor?
Gostava de ser misteriosa como tu. Gostava de poder ficar no meu
canto e fingir que nada estava a acontecer. Gostava de conseguir parecer assim
forte, como tu, como se nada me abalasse. Já fui, um dia. Numa época em que eu
era uma mulher muito diferente daquilo que sou hoje, eu era misteriosa, com
todas as minhas paixões. Conseguia não corar, não sorrir, olhar e não desviar
logo a seguir; conseguia manter-me firme e amar sem sequer questionar o mundo.
Agora já não. Tu quebraste todo o meu mistério. Não me contenho, não sou capaz
de fazê-lo nem tenho a mínima vontade de o fazer. Parece que todas as minhas
barreiras protectoras se foram quando contemplaram a tua existência.
Acredito que isto possa dar nalguma coisa. Acredito piamente
nisso e acredito que nunca estive tão certa nesta vida de algo tão abstracto como
isto. Mas falta o primeiro passo de todos: conhecer-te. Sei o teu nome por
intermediários. Sei o que fazes da vida por intermediários. Sei por que meios
amigáveis te moves por intermediários. De ti, só sei uma voz única a dizer ‘olá’.
Nada mais, apenas isso. Como é que me podes ter conquistado assim, num tão só e
inocente ‘olá’? Não percebo, sinceramente, como me podes ter agarrado assim,
num ápice, como se fosses a maior força do universo. E nunca mais me largaste.
Nunca mais quebraste este ciclo. Nunca me lançaste um olhar reprovador ou um
sorriso mal-encarado, para eu desaparecer da tua vista. Nunca me deste um sinal
em como me desprezas ou que não queres ter nada a ver comigo. Nunca me mostraste
um 'não'. E esse silêncio é o sim tão avassalador que me leva à verdadeira
loucura...
"Some people live for the fortune
Some people live just for the fame
Some people live for the power, yeah
Some people live just to play the game
Some people think that the physical things
Define what's within
And I've been there before
But that life's a bore
So full of the superficial
Some people want it all
But I don't want nothing at all
If it ain't you, baby
If I ain't got you, baby
Some people want diamond rings
Some just want everything
But everything means nothing
If I ain't got you, yeah
Some people search for a fountain
That promises forever young
Some people need three dozen roses
And that's the only way to prove you love them
Hand me the world on a silver platter
And what good would it be
With no one to share
With no one who truly cares for me
Some people want it all
But I don't want nothing at all
If it ain't you, baby
If I ain't got you, baby
Some people want diamond rings
Some just want everything
But everything means nothing
If I ain't got you, you, you
Some people want it all
But I don't want nothing at all
If it ain't you, baby
If I ain't got you, baby
Some people want diamond rings
Some just want everything
But everything means nothing
If I ain't got you, yeah
If I ain't got you with me, baby
So nothing in this whole wide world don't mean a thing
If I ain't got you with me, baby"
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