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terça-feira, 16 de julho de 2019

"Promise", Ben Howard

    A conversa tinha chegado ao clímax: estávamos em silêncio, mas nada ficava por dizer. Foi nessa altura que tive a certeza sobre o que sentias sobre nós: querias um «nós», tanto como eu queria um «tu». Depois de desabafares, aquele silêncio parecia estar a fazer-te bem. Sorrias-me um sorriso eterno, olhavas-me com olhos doces, recostavas-te na cadeira com cuidado e devagar, exibindo o coração que não se vê. A leve brisa despenteava-te tenuemente, apenas para confirmar a realidade daquele momento.
    Eu sorria-te de volta, tentando dissipar apressadamente o rubor que surgia na minha face. Era a única coisa que conseguia fazer: sentia tudo por ti, mas não podia verbalizá-lo. Perder-me-ia num mundo sonoro que só arruinaria aquela mudez que se impunha. Mas eu queria dizê-lo, queria gritar o quanto te queria, o quanto te desejava. Era impossível. Não era capaz de formular uma única palavra. E tu não serias capaz de ouvir o que fosse.
    O silêncio continuava. Quando é que decidíamos que teríamos que dizer alguma coisa? Qual de nós daria o primeiro passo? Ninguém se chegava à frente; ninguém queria terminar aquele momento. A sensação de cumplicidade e alegria que sentíamos naquele clímax chegava-nos para querer congelar o relógio. Por que não ficar assim para sempre, simplesmente olhando-nos em silêncio? A eternidade daquele momento apelava às minhas lágrimas, os fios de felicidade que ansiavam por me pintar o rosto. Tudo o que estava a acontecer, fazia-me ansiar por algo mais. Todo o teu corpo parecia falar-me, pedir-me para te abraçar. Os teus braços adornavam os da cadeira, misturando-se sem grande camuflagem, delineando os teus finos limites. O teu peito erguia-se como uma bela muralha, intransponível e protectora. O teu olhar dizia-me «quero-te» como nunca dissera. E nada deveria impedir esta união, excepto a realidade.
    Por que, na realidade, tu só precisavas do meu conforto. A tua alma apenas precisava de um apoio para seguir em frente. E eu não queria ser o teu apoio, não queria ser a tua ponte para um novo capítulo: eu queria ser o teu futuro. E sê-lo por prazer, por amor, por inteiro. Mas este «nós» é, na realidade, o passado. Um passado distante, em parte real, em parte imaginário. O mito que criámos à nossa volta, de tudo o que eramos e de tudo o que queríamos ser, foi-se esfumando com o tempo, acordando-me desse sonho que eras tu, que eramos nós.
    Quando te vejo, recordo-nos. Recordo o que eramos, o que fomos e o que sempre quisemos ser. Recordo também o desejo que tínhamos em comum: ser um do outro. Mas tu não podias. Eu muito menos. Nós não podíamos ser um do outro porque pertencíamos a nós mesmos; ainda não nos podíamos dar a ninguém, nem mesmo um ao outro. Era demasiado cedo. Mas o silêncio era teimoso, persistente, majestático. Era água, fogo e ar. Eramos silêncio, mas fomos tumultos e batuques. Até deixarmos os sons para os outros casais, para as outras pessoas. Esquecemos o silêncio como quem se esquece de um qualquer objecto insignificante. Mas eu lembro-me bem do que era estar nesse silêncio.
    O ambiente ficava esquisito sempre que o coroávamos, sempre que o silêncio se tornava soberano. Um silêncio que era ensurdecedor, estranho até. Dizíamos tudo um ao outro, naqueles momentos. Ambos sabíamos o que queríamos: queríamos aquele que olhávamos. O nosso reflexo, o outro «eu» que se espelhava à nossa frente, era o que desejávamos mais do que tudo. Sentia-se no ar, esse desejo infinito de estar um com o outro. Mas essas palavras nunca existiam; apenas os olhares. Ah, como falavam os teus olhos! Ah, aquelas milésimas de segundo em que fixavas as tuas órbitas nas minhas e o teu corpo me chamava para ti; que saudades tenho eu dessa subtil dança com que tantas vezes me presenteavas.
    O meu silêncio invejava os teus movimentos. As minhas respostas eram parcas e cada vez mais raras. Não por que não sabia o que sentia, não que gostasse menos de tudo isto, não que gostasse menos de ti. Era exactamente pelo contrário disso tudo: eu sabia exactamente o que sentia, por tudo isto, por ti. E isso era o pior. Daí, o silêncio. Era ele que demonstrava a nossa sinfonia. Era apenas o silêncio que fazia transparecer a harmonia que os nossos corações sentiam. Apenas o silêncio conhecia a vontade dos nossos corpos. Apenas o silêncio.
    Penso muito nestes momentos únicos. Talvez pense demasiado sobre eles, sobre esta relação estranha que tivemos. Compreendíamo-nos um ao outro, sabíamos o que queríamos, decidíamos da mesma forma: tudo em silêncio. Silêncio, sorrisos, olhares, gestos discretos: era esta a nossa relação. E eu adorava-nos como a um qualquer casal perfeito. Eramos um para o outro, como são outros tantos. Estávamos juntos, passeávamos juntos, saíamos juntos; eramos um. Mas, na realidade, eramos nada. Não nos sentíamos como indivíduos, não provávamos os nossos lábios, não nos priorizávamos com a devida importância, não chegámos a essa meta que se quer sempre chegar. Eramos tudo e, no final, fomos nada.
    Hoje, quando nos vemos, percebemos que não deixámos tudo para trás. Ainda temos um porto de abrigo no olhar um do outro; ainda temos o silêncio do nosso lado. E, se ouvirmos com atenção, ainda tudo está lá: a vontade, o desejo, o amor. Tudo mudou, mas tudo permanece igual. Até parece mentira. Cruzamos olhares e sentimos o que sentimos; mas, agora, ignoramos. Não é nada connosco; é só o silêncio a enganar-nos, a tentar fazer-nos crer que ainda estamos um para o outro como estávamos antes. É triste, não é? Como estivemos tão próximos e, agora, parecemos estranhos aos olhos dos outros.
    Mas, no fundo, enterrados nos nossos corações, o «eu» e o «tu» de outrora continuam lá, à espera da sua oportunidade para finalmente triunfarem e se consumarem. Imagino um cenário bem provável: daqui a uns tempos, encontrar-nos-emos em algum lado, totalmente alheios a este passado que morámos juntos, e, então, aí, as memórias apoderar-se-ão de nós e tudo será perdido, tudo se esfumará, tudo será em vão. Aí, não haverá silêncio que nos salve...

"And meet me there, bundles of flowers
We'll wade through the hours of cold
Winter she'll howl at the walls
Tearing down doors of time

Shelter as we go...

And promise me this
You'll wait for me only
Scared of the lonely arms
Surface, far below these birds

And maybe, just maybe I'll come home

Who am I, darling to you?
Who am I?
To tell you stories of mine
Who am I?

Who am I, darling for you?
Who am I?
To be your burden in time, lonely
Who am I, to you?

Who am I, darling for you?
Who am I?
To be your burden

Who am I, darling to you?
Who am I?

I come alone here
I come alone here"

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