Um desgosto de amor também é uma coisa boa...
Parece tolo vindo de mim, certo? Eu, que escrevo sobre o amor, as coisas boas e más, a dizer que um desgosto é uma coisa boa?! Mas, no fim de contas, é verdade, não é? Um desgosto de amor liberta-nos da nossa quase-obsessão em amar alguém que não nos ama. Deixamos de ver o resto do mundo, porque só olhamos para ele. Mesmo os amigos mais próximos são obrigados a ouvir as nossas felicidades. O nosso mundo fica resumido a uma pessoa. Uma pessoa que nem sequer nos olha com os mesmos olhos com que nós olhamos para ela. Essa pessoa, por vezes, nem faz ideia de como nos sentimos. Mas, por vezes, essa pessoa sabe o que sentimos, só não sabe é lidar com a situação. Mas, porquê? Porque é que nos apaixonamos pela pessoa errada? Porque tem que ser. Temos de sentir as supostas coisas boas e as supostas coisas más. Temos de perceber que a vida nem sempre corre como nós queremos.
Quando temos um desgosto de amor, a vida torna-se num profundo poço, escuro e sem fundo. Até que descobrimos que, afinal, temos um amigo que nos faz rir desde que nos conheceu, umas amigas que nos aconselham e nos distraem e um MP3 cheio de emoções. Demora, mas, passado algum tempo, ele deixa de estar 100% na nossa vida. A nossa visão começa a adaptar-se à sua falta e a percorrer o resto do mundo. Os nossos olhares perdem um pouco do seu brilho, mas começam a notar outros que não os olhares dele. As nossas mãos deixam de tremer quando ele passa por nós, embora tenham uns flashs de vez em quando. O nosso coração vai perdendo o calor que habitou por tanto tempo, mas, um dia, há-de sentir o dobro.
Só com um desgosto, podemos seguir em frente e apreciar outras coisas belas da vida. Coisas que antes não víamos. Coisas que antes não ouvíamos, que nunca pensámos dizer, nem sentir, nem viver. Depois de um desgosto de amor, tudo parece ainda melhor, porque acabámos por nos livrar de um peso. Quando tudo acaba e sabemos que, afinal, nada houve, é como tirarem-nos as correntes que nos prendiam nele. É a sensação que, por vezes, esperamos. É horrivelmente doloroso sentir algo por alguém, seja amor, amizade, qualquer coisa, e esse alguém não nos responder, não nos retribuir. Por isso, se essa "relação" acabar, a nossa dor acaba, o nosso desespero acaba, o nosso aperto no coração acaba. Somos nós outra vez. Sim, somos um pouco diferentes. Talvez um pouco mais inseguros ou desconfiados, mas somos nós próprios. Não somos o desejo que antes tínhamos em tê-lo. Não somos o desespero por não tê-lo. Não somos a tristeza por não ser parte dele. Agora, voltamos a ser nós. Nós! E, até à próxima vez, seremos nós.
"So lately, been wondering
Who will be there to take my place
When I'm gone you'll need love
To light the shadows on your face
If a greater wave shall fall
And fall upon us all
Then between the sand and stone
Could you make it on your own?
If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way up high or down low
I'll go wherever you will go
And maybe, I'll find out
A way to make it back someday
To watch you, to guide you
Through the darkest of your days
If a great wave shall fall
And fall upon us all
Well then I hope there's someone out there
Who can bring me back to you
If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way up high or down low
I'll go wherever you will go
Run away with my heart
Run away with my hope
Run away with my love
I know now, just quite how
My life and love might still go on
In your heart, in your mind
I'll stay with you for all of time
If I could, then I would
I'll go wherever you will go
Way, way up high or down low
I'll go wherever you will go
If I could turn back time
I'll go wherever you will go
If I could make you mine
I'll go wherever you will go
I'll go wherever you will go"