O traje académico não é só um conjunto, não
é só uma tradição, não é só uma máscara. O traje académico é, cada vez mais, um
símbolo de distinção social, segundo alguns, e até "protofascista", segundo
outros. Mas, para mim, o traje académico significa muito mais. Para além de
representar uma nova fase da minha vida, representa um sonho que nunca pensei
alcançar, um desejo que nunca sonhei realizar, um objectivo que nunca julguei
atingir, cumprir. Nunca imaginei a minha vida para lá de 2012. Sim, acreditei
no fim do mundo, mas não desse mundo; acreditei no fim do meu
mundo. Por isso, o traje quase representa uma vida nova para mim, uma segunda
oportunidade de viver, de fazer o que gosto e o quero, de sorrir com novos
motivos e chorar com outros. Pode parecer contraditório, mas o traje faz-me
sentir que existo e que não sou igual aos outros, mesmo que vestida da mesma
maneira.
Sempre tive dúvidas e problemas, como toda a
gente, mas desde há uns anos para cá, essas dúvidas e problemas aumentaram de
tal nível que quase me destruíram. É por isso que é tão importante para mim
trajar, porque isso significa que ultrapassei os obstáculos que a vida me
apresentou, que segui em frente e não olhei para trás, que existo e estou viva,
mais viva que nunca. É por isso que “tradição” e “máscara” não chegam para
caracterizar o traje académico. O traje é símbolo de responsabilidade e de
existência social e, lá no fundo, é o meu orgulho representado a preto a
branco. É o meu orgulho em mim própria e foi a segunda vez que tive tanto
orgulho no meu insignificante ser.
Por fim, agradeço a todos aqueles que
tornaram esse orgulho possível, nomeadamente família e amigos, mas também a pessoas que
nunca conheci na vida e outras que conheço, mas das quais pouco sei. Por
último, mas não menos importante, um grande OBRIGADA aos meus padrinhos de
praxe, por terem acreditado em mim e nunca me terem rejeitado. Muito obrigada!