Que músicas já foram comentadas. . .

"Long Live", Taylor Swift ; "Mean", Taylor Swift ; "Better than Revenge", Taylor Swift ; "Closer to the Edge", 30 Seconds To Mars ; "Nashville", David Mead ; "Count On Me", Bruno Mars ; "Won't Go Home Without You", Maroon 5 ; "I don't wanna miss a thing", Aerosmith ; "Both of Us", B.o.B ft Taylor Swift ; "Somebody", Lemonade Mouth ; "Stay, Stay, Stay", Taylor Swift ; "Two is Better than One", Boys Like Girls ft Taylor Swift (desculpem, não consegui resistir!) ; "Sorte Grande", João Só e Abandonados ft Lúcia Moniz ; "Unbelievable", EMF ; "Hey Stephen", Taylor Swift ; "Fairy Tail", Yasuharu Takanashi (instrumental) ; "Predestination", Fairy Tail (instrumental) ; "Kanashiki Kako", Fairy Tail (Instrumental) ; "Puedes ver pero no tocar", RBD ; "I Knew You Were Trouble", Taylor Swift ; "Coming Home", Diddy ; "Never Grow Up", Taylor Swift ; "Wherever You Will Go", The Calling ; "Chasing Cars", Snow Patrol ; "Demons", Imagine Dragons ; "Beneath Your Beautiful", Labrinth ft Emile Sandé ; "Fantastic Dream", Kaleido Star (Instrumental) ; "A Pele que há em Mim", Márcia com J.P. Simões ; "The Diary of Me", Taylor Swift ; "Impossible", James Arthur ; "I'm Only Me When I'm With You", Taylor Swift ; "A Different Beat", Little Mix ; "All of Me", John Legend ; "Staring at It", SafetySuit ; "A Thousand Years", Chritina Perri ft Steve Kazee ; "Ordinary Love", U2 ; "Stop This Train", John Mayer ; "Radioactive", Imagine Dragons ; "Thinking of You", Katy Perry ; "One Last Time", Ariana Grande ; "Edge of Desire", John Mayer ; "Almost Home", Alex and Sierra ; "What I Did For Love", David Guetta ft. Emeli Sandé ; "My Songs Know What You Did in the Dark", Fall Out Boy ; "Dança", Pólo Norte ; "O Tempo Não Pára", Mariza ; "Long Live", Taylor Swift (2ª versão) ; "Roman Holiday", Halsey ; "Breathe Me", Sia ; "Até ao Verão", Ana Moura ; "Hands to Myself", Selena Gomez ; "Jet Black Heart", 5 Seconds of Summer ; "Let Me Go", Avril Lavigne ft Chad Kroeger ; "Kings and Queens", 30 Seconds to Mars" ; "Todos os Dias", Paulo Sousa ; "Paris", The Chainsmokers ; "In The Blood", John Mayer ; "Stangeness and Charm", Florence and The Machine ; "Another Day In Paradise", Phil Collins ; "Bedshaped", Keane ; "In The Air Tonight", Phil Collins ; "Ordinary World", Duran Duran ; "Trevo (Tu)", Anavitória ft. Diogo Piçarra ; "If I Ain't Got You", Alicia Keys ; "Blinding", Florence and The Machine ; "Someone That Cannot Love", David Fonseca ; "Yellow", Coldplay ; "Promise", Ben Howard ; "The Whole of the Moon", The Waterboys ; "Let it Go", James Bay ; "Believe", Mumford & Sons ; "Say Something", A Great Big World ft. Christina Aguilera ; "Gold Rush", Taylor Swift ; "Blinding Lights", The Weeknd ; "É Isso Aí", Ana Carolina ft. Seu Jorge ; "Renegade", Big Red Machine ft. Taylor Swift ; "lovely", Billie Eilish ft. Khalid ; "The Only Exception", Paramore ; "You're Losing Me", Taylor Swift ; "The Story", Brandi Carlile ; "Guilty as Sin?", Taylor Swift ;

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Aviso...

    Tinha várias mensagens a escrever, mas... O ano lectivo já começou e este blog vai encerrar provisoriamente, para férias, ou melhor, para estudo. Vemo-nos em Dezembro. Até logo...

terça-feira, 26 de agosto de 2014

"Ordinary Love", U2

    Era suposto escrever uma mensagem sobre a minha experiência no meu primeiro concerto, mas faltou inspiração para descrever tal estado de espírito. Porém, aqui vai outra experiência...

    Era uma quarta-feira como outra qualquer. A única diferença era o facto de ser a primeira quarta-feira desde o fim das férias da Páscoa. Saí, contente, da última aula do dia, História das Religiões na Antiguidade, uma das minhas preferidas. Eram quase quatro horas de tarde. Caminhei até ao metro a ouvir a música do costume. Depois do metro, o autocarro até à casa da minha avó foi rápido e entusiasta. Estava entusiasmada nesse dia, não sei porquê. Cheguei a casa da minha avó às cinco. Lanchei, "peguei" na minha irmã, despedi-me da minha avó e segui no carro dela até minha casa. A minha irmã queria ir à casa-de-banho, mas, como a viagem era curta, disse-lhe que esperasse até chegar a casa. Até lá, eram 20 minutos; comigo ao volante, eram 15. Como era cedo, fomos por um caminho diferente, para me habituar; caso houvesse demasiado trânsito nos outros caminhos, eu já tinha uma alternativa. E lá fomos. Ainda não eram 6 horas. A minha irmã ia sentada no lugar do pendura, a ouvir música do seu MP3. Ainda pensei ligar o rádio, mas senti que não o devia fazer. Dez minutos depois e já estamos na estrada nacional que segue até à entrada do meu bairro. Tenho uma carrinha de caixa fechada, branca, à minha frente. Depois da última curva, já vejo o cruzamento  que dá para a rotunda do meu bairro. Estou a aproximar-me, por isso, abrandei, vendo a carrinha ir-se afastando cada vez mais. Abrandei ainda mais, até não sei quando (não olho para o velocímetro quando abrando; só quando acelero). Atrás de mim, vinha um carro que não me lembro. Voltei a abrandar. Olhei em frente e fiz o pisca da esquerda. Falta pouco. Abrandei outra vez. A mão direita pousou na caixa de velocidades com naturalidade. O pé esquerdo foi pressionando a embraiagem carinhosamente. Com eficiência, meti a segunda. Olhei, novamente, em frente e dei uma espreitadela no retrovisor. À espera para entrada naquela estrada, um Opel Corsa branco parou no STOP, na saída da rotunda. Com fé nos meus olhos, comecei a virar à esquerda. O tempo pareceu abrandar drasticamente. Enquanto virava o Lancia, o condutor do Opel começou a fazer uns sinais estranhos. O meu instinto? Olhar para a direita. Uma mancha negra vinha na minha direcção; um carro, apercebi-me depois. O tempo voltou a abrandar. Com força, puxei o volante para a esquerda e depois para a direita, fazendo o carro guinar, para bater de frente, em vez de receber a pancada na lateral, onde estava a minha irmã. Ela, coitada, viu-me a olhar para a direita e, curiosa e assustada, seguiu o meu olhar. Assim que viu o outro carro, fechou os olhos.
    Sem nada mais que pudesse fazer, preparei-me para o impacto. A cabeça e as costas colaram-se ao banco. A mão direita agarrou-se à caixa de velocidades e a esquerda pousou na perna correspondente. Deu-se o impacto. O tempo parou, por milésimas. Depois, retomou a marcha, milésima a milésima. Lembro-me de sentir o meu carro a parar e a ser arrastado. Lembro-me do airbag ir abrindo; a imagem mais clara era a de um video em slow motion: o airbag ia abrindo e eu ia deixando de ver a paisagem. Por duas vezes, deixei de ver, ou melhor, tudo ficou escuro. O carro foi sendo arrastado por uns metros; dois triângulos da rotunda, para ser mais precisa. Assim que voltámos a parar, o tempo voltou à velocidade normal. Um barulho ensurdecedor de buzinas fazia-se imperador, assim como uma dor horrível no meu peito. Reparei que o airbag não fechou. Com a mão direita e a dizer palavrões mentalmente, esmurrei-o até descer. Depois, havia a buzina que não se calava. Procurei a chave do carro, para desligar o motor - uma atitude idiota porque o carro não ia a lado nenhum. Apenas encontrei o porta-chaves; a chave tinha sumido para dentro do volante. "Boa...", ri-me, mentalmente e com ironia. Depois, olhei para a minha irmã: estava sem óculos e com um ar atordoado. Olhei em frente, procurando os outros condutores. O do Opel já tinha saído do carro - homem dos seus 30 ou 40 - assim como o da grande mancha que me atingira (uma carrinha preta tipo Ford Focus) - um senhor com os seus 60. Estavam os dois de pé a falarem um com o outro. Num sussurro, pedi desculpa, várias vezes. A minha irmã gritava os meus murmúrios, numa espécie de tradução. Alguém apareceu à minha porta; um homem, jovem, que me perguntou se estava bem. Disse-lhe que sim, só por dizer. Voltei a olhar para a minha irmã. "Não te mexas!", gritei-lhe quando pude. Ela obedeceu. Eu sentia-me mal, mesmo mal. Mexi os dedos dos pés e depois os pés. "Ok, não parti a coluna", pensei, aliviada. Depois, mexi os joelhos e, por sua vez, as pernas. "Ainda bem", suspirei, mais aliviada, mexendo as mãos ao mesmo tempo. "Como é que te sentes?", perguntei à minha irmã. "Estou bem e tu?", retorquiu ela, mexendo-se bem. "Consegues sair?", questionei-a. "A minha porta não abre", disse-me, depois de a experimentar. "Então, sais por aqui". Tentei mexer-me para abrir a porta. Não consegui. "Ok, tens que esperar cinco minutos, que eu não me consigo mexer". "Está bem", assentiu ela, nas calmas. Ouvi mais pessoas a falar comigo, mas ignorei-as. A dor era imensa. Parecia ter um piano no peito e no braço esquerdo. "Foi o airbag...", pensei, acalmando-me. Alguém desligou a buzina do meu carro, directamente do motor. Ao fim de um tempo, ainda hoje sem saber como, abri a minha porta e saí do carro. Mais pessoas e mais perguntas. "Não estou muito bem...", fui respondendo. "Podes sair.", disse à minha irmã. Com uma agilidade que não denunciava, em nada, a realidade que acabara de acontecer, ela saiu do carro pela minha porta. Vi que a mão dela tinha sangue. "Estás a sangrar.", avisei-a. A resposta dela foi: "Tu também", e apontou-me para o lábio e para a bochecha. Rimo-nos dois segundos. Depois, a dor parou-me. "Telefona ao pai.", pedi-lhe, enquanto eu fui falar com os outros condutores. "Está bem?", perguntou-me o do Opel. "Mais ou menos", respondi, cheia de dores no peito. Aquele piano não desaparecia e o meu braço esquerdo não se mexia. "F*da-se! Isto dói p'ra caramba!", gritei mentalmente. Os outros condutores disseram-me que já tinham chamado a polícia e um reboque. Voltei para junto da minha irmã. O pai ainda não telefonara de volta. Reparei que havia imensa gente na rua, agora. E carros parados também. Enquanto esperava pela chamada, apercebi-me dos estragos: a frente direita do Lancia que eu conduzia desaparecera para dentro do carro; o meu farol esquerdo andava perdido, no meio da estrada; a porta da minha irmã estava arqueada para fora e sem um único vidro. Olhei para a minha irmã e perguntei-me como podia ela estar tão bem: a pancada fora do lado dela e ela não tinha airbag, só a mala da escola. Como podia estar assim tão bem? O meu pai telefonou. A minha irmã passou-me logo o telemóvel. Atendi, com serenidade. "Estou?", saudou o meu pai, que entrara ao serviço há apenas duas horas. "Olha não te assustes, está bem?", comecei, com calma. "O que é que foi, Catarina?", perguntou, preocupado. "Nós tivemos um acidente, mas estamos conscientes; está tudo bem. Foi aqui à entrada do bairro, na rotunda." "E o carro da avó pode andar?", quis saber ele. "O carro vai para a sucata." Tudo o que ouvi depois foi um suspiro e, de seguida, um "eu vou aí ter". Até o meu pai chegar, vesti o colete, alguém pôs o triângulo na estrada, apareceram mais pessoas, conversei com os outros condutores, respirei fundo para me acalmar, injuriei tudo e todos, mentalmente, por causa das dores e chegou a Guarda. Incrivelmente, respondi a todas as perguntas, fiz o teste do álcool, expliquei o acontecido aos guardas e preenchi os papéis, tudo sozinha. Entretanto, quase 40 minutos depois, o meu pai chegou. Falámos os dois, mais a minha irmã, e ele depois falou com a Guarda. A minha irmã tinha uma queimadura feia no pescoço e decidiu-se chamar os bombeiros. Enquanto eu acabava de ajustar as contas com a Guarda, a minha irmã foi posta na maca da ambulância chamada. Assim que me despachei, fui ter com ela à ambulância. Disseram-me que iam levá-la para o hospital, para confirmar se estava tudo bem. Pedi para ir com eles. Um pouco apreensivos, ofereceram-me o segundo lugar sentado, na parte detrás da ambulância.
    Iniciámos caminho até ao Hospital Santa Maria. O bombeiro que vinha connosco fez-me os teste de tensão e outros, para saber os básicos, assim como perguntas como "com que frequência bebe bebidas alcoólicas" e assim. No hospital, puseram-nos as pulseiras às 20h e 06m, com a descrição: 'acidente de viação; colisão frontal'. Deitada na maca, a minha irmã reclamava para ir à casa-de-banho. As minhas dores estendiam-se, agora, à zona do queixo. O meu braço esquerdo já se mexia; com dificuldade, mas mexia. Eu fui a primeira a ser chamada à Triagem. Uma enfermeira jovem, de óculos, bonita e simpática, perguntou-me por que estava ali. Contei-lhe a situação, muito resumidamente. Ela disse-me que tinham que me pôr numa maca. Não apreciei a ideia, mas, quero dizer, eu não mandava nada ali. Lá veio a maca e um ajudante. Subi, com dificuldade, para a maca. Logo me meteram um colar cervical. As dores aumentaram com uma rapidez incrível. Fui levada para um médico de uma secção qualquer, Traumatologia ou Cirurgia, não me lembro. Estive lá uns longos vinte minutos. Fez-me perguntas, espantou-se quando lhe disse que tinha vindo pelo meu próprio pé, sorriu quando perguntei pela minha irmã... Lembro-me de ele dizer: "Tem aqui a marca do cinto...". Respondi-lhe logo: "Ah sim? Ainda não tive tempo de ver..." Ele não se riu, pelo menos, fisicamente. Desejou-me as melhoras quando pediu a uma enfermeira para me levar a fazer análises e não sei quantos exames. A enfermeira levou pelo corredor fora. Foi a segunda vez na vida que não chorei a tirar sangue. Contei esse feito à senhora, com orgulho, perguntando, novamente, pela minha irmã. Ninguém me sabia dizer nada sobre ela. Supus que lhe estavam a fazer a mesma coisa. Mais uns raios-x e deixaram-me num corredor qualquer. Com a adrenalina a desaparecer, as dores ficaram ainda mais fortes. Cada vez que queria falar, apenas um sussurro saía dos meus lábios. Vários médicos, enfermeiros e voluntários que por mim passavam perguntavam-me o que acontecera ou se precisava de alguma coisa. A certa altura, alguém apareceu com a minha irmã, numa maca do hospital, deixando-a ao meu lado.Ou vi alguém comentar: "e pronto, as manas já estão juntas". Eu estava mesmo preocupada com ela. Da maneira que foi, não sei como é que ela ficou viva. E não estou a exagerar! Quando já não estava ninguém ao pé de nós, perguntei-lhe, num murmúrio: "Então?". A resposta dela, a plenos pulmões, fez-me rir, apesar da dor: "Eu vou matar toda a gente! Ninguém me deixa ir à casa-de-banho!". Tinha imensa vontade de rir, mas só consegui fazê-lo por muito pouco tempo. Mais uns minutos e apareceram os nossos pais. A minha mãe estava com um ar de preocupada que assustava, mas logo a minha irmã a descansou, dizendo-lhe o mesmo que me dissera a mim. Fui levada a fazer uma ecografia. O meu pai acompanhou-me. Enquanto esperava, num corredor vazio, não me contive mais e chorei. Não chorei pelas dores; era muito stress acumulado, muitos nervos, muitos 'ses', muita raiva de mim mesma... "Como é que não vi o carro? Olhei e olhei e olhei outra vez... Donde raio é que ele veio?!", repetia para mim mesma, irritada. Uns dias depois, concluí que ele tinha que vir em excesso de velocidade para eu não o ver...
    Depois da ecografia, voltei à zona onde estava, com a minha irmã. De seguida, fui levada a um ortopedista ou que era, que me fez levantar as pernas e os braços e mexer a cabeça. Fiz tudo, cheia de dores, mas só gritei, a plenos pulmões, quando ele espetou a mão dele na minha clavícula esquerda. "Isto vai ficar inchado durante uns dias..", anunciou ele. "Ah, seu filho da mãe! Já disse que dói, caramba! Tira daí a mão!", gritei, mentalmente; tão alto, que ele pareceu ouvir e tirou a mão. Voltei a ser levada para a zona onde estivera com a minha irmã. Ela já estava fora da maca e sorridente. "Então, já foste à casa-de-banho?", perguntei, tentando parecer bem-disposta. "Já! Não podia mais!", exclamou ela, fazendo-me sorrir. 'Ainda bem que não lhe aconteceu nada', pensei, feliz por ela estar bem. Mais uns minutos e levaram-me para a última consulta. Desta vez, a minha irmã também me acompanhou. A médica era uma senhora mais velha, mas não idosa. "Então, é assim, D. Catarina. A menina partiu duas costelas, por isso vai ter que ficar em repouso absoluto durante duas semanas". Não queria acreditar; não queria mesmo. "O quê?", perguntei, feita parva. "Sim, partiu a terceira e quarta costelas e acho que a segunda está rachada. O maior problema disto é que basta um movimento mais brusco e uma delas fura-lhe o pulmão ou o coração e pronto.". Fiquei em choque. Aquilo era a sério? O meu pai fez umas quantas perguntas e a médica foi respondendo sem qualquer sentimento. Quando saímos de lá e fomos ter com a minha mãe, contámos-lhe tudo.
    Saí do hospital quase à uma da manhã. Não me conseguia mexer das ancas para cima, excepto o braço direito, que parecia nem pertencer ao corpo, de tão ágil que estava. Antes de irmos para casa, passámos pela minha avó, que soubera do sucedido pelo meu pai. Ela estava preocupadíssima. Seguimos, depois, para casa, chegando quase às duas da manhã. Decidi ligar a uma amiga da faculdade a contar-lhe tudo, pedindo-lhe para avisar os professores que eu teria que faltar duas semanas, mas que enviaria um e-mail a explicar melhor. Depois, bebi um copo de leite e fui para o quarto. A minha irmã e a minha mãe ajudaram-me a despir a roupa da rua e a vestir o pijama, assim como a deitar-me. As dores eram horríveis e eu demorei a adormecer. Não me podia mexer. Tinha que ficar a olhar para o tecto até 'apagar'. Por fim, adormeci.

    A recuperação desta experiência foi difícil. Muitos me perguntam se fiquei com medo de conduzir ou de andar de carro. Não, não fiquei. Hoje, conduzo com mais cuidado, mas não tenho medo. Conforme o tempo vai passando e eu vejo as fotografias que todos tirámos do resultado do acidente, apercebo-me da sorte que eu e a minha irmã tivemos naquele dia. Já muita gente morreu naquele sítio, daquela maneira. Dou graças à sorte e ao meu instinto - com o risco de parecer convencida - porque foi isso que nos salvou naquele 23 de Abril. Este será um momento na minha vida que nunca esquecerei...

"The sea wants to kiss the golden shore
The sunlight warms your skin
All the beauty that's been lost before
Wants to find us again

I can't fight you anymore
It's you I'm fighting for
The sea throws rock together
But time leaves us polished stones

We can't fall any further
If we can't feel ordinary love
We cannot reach any higher
If we can't deal with ordinary love

Birds fly high in the summer sky
And rest on the breeze
The same wind will take care of you and
I will build our house in the trees

Your heart is on my sleeve
Did you put there with a magic marker
For years I would believe
That the world couldn't wash it away

'Cause we can't fall any further
If we can't feel ordinary love
We cannot reach any higher
If we can't deal with ordinary love

Are we tough enough
For ordinary love

We can't fall any further
If we can't feel ordinary love
We cannot reach any higher
If we can't deal with ordinary love

We can't fall any further
If we can't feel ordinary love
We cannot reach any higher
If we can't deal with ordinary love"

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

"A Thousand Years", Christina Perri ft Steve Kazee

    Olá. Tinha muitas mensagens para postar antes desta, mas a inspiração pediu-me para escolher esta. Nunca se esqueçam: não podemos escolher quem amamos. No fim de contas, são as nossas almas que amam e não os nossos corpos ou aspecto físico ou género. Heteros, gays, lésbicas... É tudo amor. Porquê marcar-los como uma diferença ou um preconceito?

    “Vou contar-vos uma história. A minha história. Há quatro anos, conheci um rapaz. Ele era lindo: o cabelo castanho, os olhos azuis, aquele sorriso rasgado… Tudo nele era lindo, incrível, irresistível. E então, ele olhou para mim. A minha alma tremeu. Senti uma faísca no ar. Ele sorriu-me e eu sorri-lhe de volta. Nunca mais o esqueci. Apaixonámo-nos quase imediatamente. Começámos a andar às escondidas. Em público, por vezes, dávamos as mãos ou olhávamo-nos com paixão, mas, de repente, tivemos que nos esconder. As pessoas não queriam ver-nos juntos. As pessoas não queriam que fossemos vistos juntos. Não podíamos estar ao lado um do outro numa foto, não podíamos olhar um para o outro, não podíamos sorrir um para o outro, não podíamos sentar-nos ao lado um do outro. Não podíamos estar um com o outro. Não podíamos estar como um casal normal. Não podíamos fazer nada que nos denunciasse, porque as câmaras estavam sempre lá. Não podíamos amar-nos como um casal normal. Tínhamos que negar tudo ou desviar a conversa. Tínhamos que fingir amar outra pessoa. Os nossos amigos foram obrigados a entrar no ‘jogo’. Eles apoiam-nos, mesmo quando não podem. Tínhamos que fingir ser outra pessoa. Nesses tempos, eu vivia aprisionado. Eu e ele eramos prisioneiros da imagem, da publicidade e do dinheiro. Por causa de tudo isso, não podíamos ser como somos. Era horrível, simplesmente horrível, vê-lo sofrer como sofria por estar sem mim. Para ele, era horrível ver-me sem ele. Para os nossos amigos, era horrível saber o quanto nos amávamos e não podermos estar juntos. Sentia-me miserável, para ser sincero. Imaginem o que seria terem a pessoa com quem querem passar o resto das vossas vidas ao vosso lado e não poderem estar com ela só porque isso não vai render mais dinheiro à companhia. Imaginem terem que recuar sempre que querem acariciar essa pessoa, dizerem-lhe que a amam ou simplesmente sorrir-lhe… Ao longo destes quatro anos, aprendi alguns truques. Descobri as únicas maneiras que tenho de me expressar sem que me possam controlar: sorrir-lhe, olhá-lo, abraçá-lo e cantar para ele em palco; agradecer aos fãs que apoiam a minha relação ‘secreta’; amá-lo nos poucos momentos em que estamos sozinhos. Só assim posso viver feliz.

    Mas agora, chegou o momento de me libertar. Vou ‘despedir-me’ desta companhia e não me importo de ir sozinho, de criar escândalos ou de perder a minha fortuna, mas tenho a certeza que não o quero perder a ele. Por isso, vou esquecer esta vida, deixá-la para trás, e vou dedicar-me a ele e só a ele. Vou ignorar os preconceitos e a imagem e vou amá-lo. Vou desprezar tudo o que me ofereçam que não seja ele. Só o quero a ele. Quem me apoiar é bem-vindo. Quem não gostar, paciência. Estou farto de me esconder, farto de pensar no que os outros querem ou no que dá mais vendas e páginas de revista, farto de contar os segundos até as câmaras desaparecerem. Estou farto! Vou amá-lo e pronto! Vou abdicar da falsa vida que vivi nestes últimos anos e vou viver aquela que sempre quis viver: ao lado do homem que amo. Obrigado a todos aqueles que sempre foram fiéis e não nos abandonaram. Adoro-vos. Adeus.” 

H. S.


P. S.: Espero que, um dia, este último parágrafo aconteça mesmo e eles possam ficar juntos. Adoro-vos como são.

"The day we met
frozen, I held my breath
right from the start
knew that I found a home
for my heart,
Beats fast
Colors and promises
How to be brave
How can I love when I'm afraid
To fall
Watching you stand alone
All of my doubt
Suddenly goes away somehow

One step closer

I have died everyday
waiting for you
Darlin' don't be afraid
I have loved you for a
Thousand years,
Love you for a
Thousand more

Time stands still
beauty in all she is
I will be brave
I will not let anything
Take away
Standing in front of me
Every breath,
Every hour has come to this

One step closer

I have died everyday
Waiting for you
Darlin' don't be afraid
I have loved you for a
Thousand years,
Love you for a
Thousand more

All along I believed
I would find you
Time has brought
Your heart to me
I have loved you for a
Thousand years,
Love you for a
Thousand more,
Love you for a
Thousand more

One step closer

I have died everyday
Waiting for you
Darlin' don't be afraid,
I have loved you for a
Thousand years,
Love you for a
Thousand more

All along I believed
I would find you
Time has brought
Your heart to me
I have loved you for a
Thousand years,
Love you for a
Thousand more"

domingo, 25 de maio de 2014

"Staring at It", SafetySuit

    Um amigo meu deu-me a conhecer esta música há algum tempo. Logo percebi que mexia comigo. Decidi, então, escrever uma mensagem neste blog com esta música. O problema surgiu quando percebi que não conseguia escrever. A música hipnotizava-me, sem saber porquê. Aí, finalmente compreendi: como posso escrever sobre algo indescritível? Apareceu, assim, esta mensagem sobre o amor. Espero que gostem.
    Por que é que damos tanta importância ao amor? Porque é que falamos tanto sobre ele? Porque é que se escreve tanto sobre ele? Porquê o amor e não outro sentimento? Sempre gostei de escrever sobre o amor, assim como sempre gostei de ler literatura romântica ou de ver filmes românticos. O sentimento é algo que é difícil de descrever, de explicar e de entender. E o amor, então, é isso tudo ao quadrado! São imensos os filmes, são muitas as músicas, são infinitos os livros que falam sobre o amor. Mas, no fim de contas, o que é o amor? Se é um sentimento como os outros, porquê a obsessão? Primeiro que tudo, é "frustantemente" difícil definir o amor. Tudo o que conseguimos dizer são meras comparações, metáforas, personificações e hipérboles daquilo que sentimos. A expressão que mais gosto, usada para explicar o amor, é "ter borboletas no estômago". E o que é ter borboletas no estômago? É óbvio que não é uma expressão literal, mas e se fosse? E se as pessoas, quando se apaixonassem, ficassem mesmo com borboletas no estômago? Seria incomodativo? Bem, eu acho que não. Certamente quem inventou essa expressão sabia do que estava a falar. Traduzamos: borboletas são animais belos, leves, delicados, mas decididos; que se escapam entre os dedos, mas, quando menos esperamos, pousam na nossa mão; podem durar toda uma Primavera, mas também podem ficar por um ano inteiro. No entanto, antes de borboletas, são pequenas lagartas que se fecham num seu casulo e só saem quando estiverem definitivamente transformadas. Agora, vejamos: não é isto o amor? Um sentimento belo, leve, delicado, mas decidido, que se escapa entre os dedos, mas, quando menos esperamos, pousa na nossa mão? Um sentimento que se fecha no nosso pequeno casulo e só saindo quando definitivamente transformado?
    Porém, o amor também dói. Apesar de belo, leve e delicado, o amor magoa, desaponta, destrói. Pode levar as pessoas a cometer as piores loucuras. "O amor é fogo que arde sem se ver". Muitas pessoas adoram esta expressão de uma maneira positiva. Eu também, só que eu também vejo o outro lado. O fogo de lareira aquece, consola, faz-nos sentir abraçados. O amor também aquece, consola e faz-nos sentir abraçados. O fogo de incêndio queima, devasta e destrói a vida de alguém. O amor também pode queimar, devastar e destruir a vida de alguém. Então, como é que o amor pode ser belo e delicado, se pode destruir? É exactamente por isto que somos quase obcecados pelo amor. É por isto que teimamos em escrevê-lo, reescrevê-.lo e escrevê-lo mais uma vez. É por causa desta dualidade e desta indefinição que o cantamos uma vez e outra. É por isto que o amor é o sentimento que valorizamos acima de tudo, porque podemos senti-lo para com a nossa família, amigos, o nosso/a companheiro/a...
    Como sentimento mais importante, é óbvio que nunca o queremos perder. Basta uma oportunidade para o agarrarmos. Podemos até esperar uma vida inteira para sentir a plenitude do amor. Podemos até nem ter que esperar meia vida. Podemos até ser nós a fazê-lo. Não interessa como, mas queremos senti-lo, temos de senti-lo. "Mais vale amar e perder do que nunca ter amado" foi algo que descobri cedo. Haja o que houver na vida, aconteça o que acontecer, temos que amar. E, se, para isso, tivermos que encarar a vida de frente e aceitar o desafio, só para podermos amar alguém mesmo sem recebermos de volta, então, temos que o fazer. Temos que encarar a vida de frente e reclamar o que é nosso por direito: os sentimentos. Porque, afinal de contas, o que é a vida senão uma miscelânea de sentimentos e palavras?


"Tonight I am fighting for love again

My heart in your hand is my heart on the floor
And I know that you think that we can still be just friends


But if I can be honest, for a moment

I know that we're breaking
But if you can just take it


We're so, so close

We're staring at it
We're staring at it
We're staring at it
Please don't go
We'll get it back
Just let it pass
We can make it happen
I don't know where you're at, but when you see an exit,
You'll be headed at it
I won't go
I'm staring at it
I'm staring at the only love I know


Search for a war and you won't find peace

But I think that you think that they're one in the same
Love can't be open if past cannot be erased


So if I cant be honest, for a moment

I know that we're breaking
But if you can just take it


We're so, so close

We're staring at it
We're staring at it
We're staring at it
Please don't go
We'll get it back
Just let it pass
We can make it happen
I don't know where you're at, but when you see an exit,
You'll be headed at it
I won't go
I'm staring at it
I'm staring at the only love I know


I can't believe this

Oh no, you're actually leavin
I think that somewhere I'm bleeding
It's so close, so close, we are

We are

Please don't go

We'll get it back
Just let it pass
We can make it happen
I don't know where you're at, but when you see an exit,
You'll be headed at it
I won't go
I'm staring at it
I'm staring at the only love


We're so, so close

We're staring at it
We're staring at it
We're staring at it
Please don't go
We'll get it back
Just let it pass
We can make it happen
I don't know where you're at, but when you see an exit,
You'll be headed at it
I won't go
I'm staring at it
I'm staring at the only love I know


The only love I know

The only love I know
Yeah
Yeah
I'm staring at it
I'm staring at
Staring at the only love I know"

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

"All of Me", John Legend

    A mensagem de hoje vem um pouco tarde, em relação ao tema. Esta é uma mensagem "Especial Dia de São Valentim". Há tanta coisa a dizer sobre o chamado "Dia dos Namorados", que nem sabia por onde havia de começar. Então, tive uma ideia. E, dessa ideia, resultou esta mensagem. Espero que gostem.

    «Saí da cama devagar, para não acordar o Salvador. Vesti o robe de seda transparente e caminhei, descalça, até às malas. Procurei o meu antigo diário: com uma capa preta, manchada de chá de hortelã que entornei logo no primeiro dia, era cosido à mão e as suas folhas eram finas, com o perfume da hortelã. Peguei nele e sentei-me na poltrona, em frente à cama de casal, onde dormia o meu amante oficial. Procurei a minha caneta azul, com penas, a única com a qual eu escrevia no diário. Abri-o quase na última página. Olhei para o Salvador, sorri e comecei a escrever:

    "15 de Fevereiro de 2020
    Querido diário,
    Hoje será o último dia em que te escrevo. Eu e o Salvador, o meu marido (ai, ainda não me habituei a esta palavra!), decidimos escrever um diário da nossa vida juntos, tal como eu fiz contigo todos estes anos. Só de pensar que o casamento foi ontem... E que estive a escrever aqui enquanto me arranjavam o cabelo... Ai, estou tão feliz! Sinto-me uma adolescente, outra vez! Mas também estou um pouco triste, porque não te vou escrever mais... Bem, nada de tristezas! Só quero que saibas que adorei que estivesses sempre aqui para mim. Obrigada por me teres ajudado com o meu primeiro desgosto de amor e com a perda do meu avô. Obrigada pelo apoio enquanto esperei que o Salvador aparecesse e obrigada por acompanhares todas as minha explosões de alegria com a minha querida caneta azul. Simplesmente, obrigada por tudo."

    Parei de escrever. Vi o Salvador mexer-se debaixo dos lençóis. Sorri, com alegria. Ele levantou a cabeça, com o seu cabelo escuro, e sorriu-me de volta.
    — Bom-dia, mulher. – A sua voz um pouco rouca fez-me derreter.
    — Bom-dia, marido. – Sorri, um pouco tímida.
    — Ficas ainda mais linda quando dizes essa palavra. – Seduziu-me com o olhar castanho, sentando-se na cama, o seu corpo nu tapado pelo lençol.
    — Obrigada. – Respondi, com um sorriso meigo. Ele olhou para o meu colo, onde repousava o meu diário.
    — Estás a escrever? – Levantou-se, sorridente, vestindo o outro robe de seda, caminhando até mim. Cumprimentou-me com um beijo longo nos lábios, sorrindo, de seguida. – O que é que te apetece?
    — O que te apetecer a ti. – Retribuí com um sorriso, referindo-me ao pequeno-almoço.
    — Então, toda a fruta que houver? – Sugeriu, sedutor.
    — Que seja! – Ri-me, com entusiasmo. Ele também se riu.
    — Então, até já. – Despediu-se com outro beijo longo. Afinal, ele ia para a outra divisão, telefonar ao serviço de quartos. Eu ia ter saudades…
    — Até já, marido. – Retorqui, sorridente e sedutora.
    — Ui, acho que já sei o que quero depois da fruta! – Anunciou ele, também com um ar sedutor. Deitei-lhe a língua de fora, como resposta.
    Voltei a olhar para o meu diário. Abri-o, de novo, e recomecei a escrever:

    "É incrível como tanta coisa mudou, ao longo destes anos. Primeiro, tive aquele desgosto de amor horrível. Depois, o avô morreu. Depois, aquela altura em que a mãe esteve no hospital, por causa do mano que acabou por não nascer.. E aquela cena em que a Jéssica chamou à minha mãe "plástica" e à Sara "pedófila"... Nunca tinha batido ninguém na vida... Foi uma sensação estranha... Não podia deixá-la insultar assim a minha mãe e a sua companheira Sara. A Jéssica teve o que mereceu. E tu concordaste, não foi?"

    Ri-me sozinha, imaginando o diário a responder: "devias ter-lhe arrancado aquela peruca loura"! Ri-me outra vez. O Salvador foi ver o que se passava. Disse-lhe que estava tudo bem e ele voltou-se a deitar na cama, à espera do serviço de quartos. Voltei a escrever:

    "Lembro-me perfeitamente do dia em que conheci o Salvador. Ia com a mãe e com a Sara comprar uma prenda de aniversário para a nossa vizinha, que ia fazer 60 anos e nos tinha convidado para uma festa. Quando estávamos na loja de decoração de interiores, havia um rapaz vulgar a procurar qualquer coisa em específico. Estava tão concentrado que nem reparou em mim, chocando comigo, pedindo desculpa logo a seguir. Sorrimos um para o outro. Era o Salvador. Tínhamos quase vinte anos. Ele pediu-me o meu número de telefone e foi-se embora. Lembro-me da Sara dizer: "vais ver que ainda vai ser a tua alma gémea"! Rimo-nos as três. Uns dias depois, ele telefonou-me, marcando, assim, o nosso primeiro encontro. Foi tão estranho! Nenhum de nós sabia o que dizer! Estávamos tão tensos e nervosos que nem éramos capazes  olhar nos olhos um do outro. Estivemos praticamente a tarde inteira a beber café. Uns dias depois, ele voltou a convidar-me para sair. Ainda me lembro da sua reacção ao telefone quando lhe respondi que, se era para acontecer o mesmo que da primeira vez, então, que esquecesse. Ele só disse: "dá-me outra oportunidade". E eu dei-lhe. A partir daí, nunca mais nos largámos. Começámos a namorar ao fim de algum tempo. No dia em que fizemos dois meses, fomos almoçar e tivemos a conversa sobre o "conhecer a família". Eu ainda não lhe tinha contado que tinha duas mães. E tal foi a minha surpresa quando ele me disse que tinha... dois pais! Quase caí para o lado, de tanta surpresa! Decidimos, logo, que teríamos de organizar uma tarde de convívio com as duas famílias juntas. E assim aconteceu. E não se podiam ter dado melhor! Pareciam todos dez ou vinte anos mais novos, a rir à gargalhada, a ter conversas menos próprias..."

    Bateram à porta.
    — Sim? – Perguntei.
    — Serviço de quartos. – Anunciaram como resposta.
    — Ah, entrem! – Consentiu o Salvador, levantando-se da cama, à pressa.
    A porta abriu-se e entraram um homem e uma mulher, com um carrinho de duas prateleiras, cheio de todo o tipo de fruta que se possa imaginar.
    — Obrigado. – Agradeceu o Salvador, apoderando-se do carrinho.
    — Com licença. – Os dois empregados saíram com um sorriso.
    — Ah, que bom aspecto! – Deliciou-se, enquanto apreciava a comida. – O que é que queres primeiro? – Olhou para mim, com um grande sorriso.
    — Há os meus preferidos? – Indaguei, também com um grande sorriso.
    — Há, sim senhora! – Exclamou, entusiasmado. – Tens framboesas, amoras pretas, mirtilos, cerejas…
    — Quero isso tudo! – Respondi, com alegria.
    — Sai um de frutos silvestres! – Brincou o Salvador, preparando-me o pequeno-almoço.
    Sorri, com felicidade. Voltei, depois, ao diário:

    "Quando fizemos dois anos de namoro, o Salvador pediu-me em casamento. No nosso restaurante favorito, ajoelhou-se e mostrou-me o anel; o velho John Legend como música ambiente. E aqui estamos nós, um ano depois, neste hotel de três estrelas, no meio do campo. Eu, como esposa, ele, como marido. Não podia estar mais feliz."

    Olhei para o Salvador e sorri, com uma pequena lágrima no canto do olho, incrivelmente feliz por ele estar ali. A certa altura, ele parou a olhar para mim, curioso.
    — Está tudo bem? – Começou, preocupado. Limpei a pequena lágrima e sorri-lhe.
    — Sim, está. – Suspirei. – Simplesmente, estou feliz por te ter conhecido…
    — Eu também estou feliz por te ter conhecido, mas mais feliz estou por me amares como eu te amo. – Mostrou-me o seu característico sorriso romântico e sincero. De repente, tudo pareceu muito melhor.
    — Amo-te tanto! – Gritei, lançando o diário e a caneta para cima da cama e atirando-me para os braços do Salvador. Comecei a chorar de alegria, abraçando-o com força.
    — Também te amo muito. – Respondeu-me, apertando-me também. – Sabes, nunca imaginei a nossa primeira manhã de casados desta maneira. – Riu-se. Ri-me também.
    — Desculpa. – Pedi, ainda a rir, limpando as lágrimas.
    — Não peças desculpa. Sabes que adoro estes momentos. – Sorriu, beijando-me de seguida. – Está tudo bem, amor.
    — Eu sei… – Sorri, descendo do colo dele. – Vou só acabar de escrever e já como…
    — Sim, eu espero. – Sorriu-me, sedutor.

    "E é com estas memórias que me despeço de ti, querido diário. Obrigada, mais uma vez, pelo apoio durante estes anos todos. Espero que tenhas uma reforma descansada. Beijinhos e até uma próxima. :)"

    Fechei a caneta de penas, pela última vez. Nunca mais a iria usar. Nem a caneta, nem o diário. Senti-me um pouco nostálgica, mas, ao mesmo tempo, feliz. Começava, assim, um novo capítulo na minha vida que merecia um livro novo e não só uma página. No final de contas, começava uma vida nova. Guardei o velho diário e a caneta na mala e levantei-me com um sorriso.
    — Já acabaste? – Perguntou-me o Salvador, sentado na cama, com as nossas taças cheias de fruta, à sua frente.
    — Já. – Só consegui dizer aquilo.
    — Foi difícil? – Questionou, sereno.
    — Foi, mas isso significa que foi importante. – Respondi, sentando-me à sua frente, na cama. – Vamos comer? – Convidei, com um sorriso e inclinando a cabeça.
    — Para ser sincero, acho que já não quero a fruta. – Disse ele, com um olhar cativante.
    — Então, porquê? – Inquiri, já com a resposta em mente.
    — Porque agora… tenho a minha mulher. Já não preciso de mais nada. – Sorriu, ainda mais sedutor do que o costume. Comecei-me a rir.
    — Ah, sim? – Provoquei.
    — Sim. – Continuou, aproximando-se de mim, devagar. – Agora, tenho uma mulher linda e a única coisa que preciso na vida é ela. Sem ela, não sou nada. – Beijou-me, com paixão. – Amo-te para toda a eternidade.
    — Também te amo para toda a minha vida.

    Silenciámos a conversa com um longo beijo, perpetuando o nosso amor.»

"What would I do without your smart mouth
Drawing me in, and you kicking me out
Got my head spinning, no kidding, I can’t pin you down
What’s going on in that beautiful mind
I’m on your magical mystery ride
And I’m so dizzy, don’t know what hit me, but I’ll be alright

My head’s under water
But I’m breathing fine
You’re crazy and I’m out of my mind

‘Cause all of me
Loves all of you
Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I’ll give my all to you
You’re my end and my beginning
Even when I lose I’m winning
‘Cause I give you all, all of me
And you give me all, all of you

How many times do I have to tell you
Even when you’re crying you’re beautiful too
The world is beating you down, I’m around through every move
You’re my downfall, you’re my muse
My worst distraction, my rhythm and blues
I can’t stop singing, it’s ringing, I my head for you

My head’s under water
But I’m breathing fine
You’re crazy and I’m out of my mind

‘Cause all of me
Loves all of you
Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I’ll give my all to you
You’re my end and my beginning
Even when I lose I’m winning
‘Cause I give you all of me
And you give me all, all of you

Cards on the table, we’re both showing hearts
Risking it all, though it’s hard

‘Cause all of me
Loves all of you
Love your curves and all your edges
All your perfect imperfections
Give your all to me
I’ll give my all to you
You’re my end and my beginning
Even when I lose I’m winning
‘Cause I give you all of me
And you give me all of you

I give you all, all of me
And you give me all, all of you"

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

"A Different Beat", Little Mix

   Bem-vindos a 2014. Espero que tenham entrado com o pé direito. Eu, definitivamente, entrei. Com o novo ano, vêm os novos projectos, os novos objectivos, os novos sonhos e, claro está, as novas mensagens. Esta, para além de vos desejar um feliz 2014, serve também para fazer um balanço do ano que passou.
   2013 foi um ano difícil para mim. Desde desastres pessoais a problemas financeiros, dando umas voltas catastróficas a nível social, o ano do "azar" passou, umas vezes mais depressa, outras, mais devagar. Mas passou. É passado. O que interessa agora é 2014. Mas como posso pensar em 2014, sem compreender 2013? Muita coisa má aconteceu, mas tudo isso serviu para ver como é bom receber o novo ano. Tudo serviu para valorizar o ano que começa. Como sempre, há o 'costume' de se dizer que vai ser um ano de novas experiências, novas 'cenas', etc. No entanto, sinto que este ano vai ser mais de retomar velhos hábitos do que iniciar novos. Pelo menos, em termos de 'experiências' e projectos. Porque, em relação a tudo o resto, é um ano completamente novo, em todas as perspectivas da minha vida. A nível académico, irei avançar mais uns créditos. A nível financeiro, provavelmente vai existir um 'lado financeiro' na minha vida. A nível social, continuarei no meu pequeno núcleo. Mas a maior mudança será mesmo a nível pessoal. Diz-se que as pessoas mudam. Eu não acredito nisso. As pessoas não 'mudam': ou se revelam, ou 'morrem' e 'renascem' a nível psíquico (psique = alma). Foi isso que aconteceu comigo no final do ano passado e que se irá consolidar este ano. Vou falar mais, cantar (ainda) mais, dançar mais, gritar mais, rir mais, chorar mais. Mas a timidez para quem não conheço vai continuar, assim como a modéstia, a sinceridade, a honestidade e a tentativa de equilíbrio. Outro aspecto que continuará o mesmo será o dos defeitos. Tenho poucos defeitos, mas os poucos que tenho podem-me prejudicar imenso. Porém, vou sempre tentar ser melhor.
   Por isso, 2014 não será apenas um ano de mudanças. Será também um ano de permanências e de revalorizações, de reflecções e de persistências. Será um desafio para manter o equilíbrio razão/emoção e emoção/emoção. Desejo-vos, assim, um feliz 2014.
   E que este novo ano seja um ano para seguir um caminho em direcção a 'uma batida diferente'.

"Say yeah, yeah
(Yeah, yeah)
Say ooh, ooh, ooh, yeah
(Ooh, ooh, ooh, yeah)
Say yeah, yeah
(Yeah, yeah)
Say ooh, ooh, ooh, yeah
(Ooh, ooh, ooh, yeah)

I got a spoonful of sugar
That I think you'd like
No, I don't wanna preach
But I think you might
Wanna cup
(Sip it up, sip it up)
(Sip it up, sip it up, sip it up)

I might be young
But I know my mind
I'm sick of being told
What's wrong or right
So give it up
(Give it up, give it up)
(Give it up, give it up, give it up)

Uh-oh, now there you go
Out of your comfort zone
Cause I'm breaking out
Not breaking down, down, down, down
Ain't got nothing to prove
Walk a mile in my shoes
I know the one thing that counts

I got the right
To make up my mind
Say it loud and clear
For the whole wide world to hear
We're marching for love
So turn up the drum
Say it loud and clear
For the whole wide world to hear

Yeah, we must have different shoes on
We're marching to a different beat
Yeah!
So baby put your boots on
Keep marching to a different beat
Yeah

Never in the slow lane
Cause I like it fast
No time you waste
So I keep our feet on the gas
(I live it up, live it up)
(Live it up, live it up, live it up)

I might be young
I know who I am
So I don't follow like a marching band
So give it up
(Give it up, give it up)
(Give it up, give it up, give it up)

Uh-oh, now there you go
Out of your comfort zone
Cause I'm breaking out
I'm breaking down, down, down, down

Ain't got nothing to prove
Walk a mile in my shoes
I know the one thing that counts

I got the right
To make up my mind
Say it loud and clear
For the whole wide world to hear
We're marching for love
So turn up the drum
Say it loud and clear
For the whole wide world to hear

Yeah, we must have different shoes on
We're marching to a different beat
Yeah!
So baby put your boots on
Keep marching to a different beat
Yeah

I got my head up
Shoulders back
I'm doing me
So they can see
I'm marching to a different beat
I take a look in the mirror
And I like what I see
So baby, I keep marching
To a different beat

I got the right
To make up my mind
Say it loud and clear
For the whole wide world to hear
We're marching so loud
So turn up the drum
Say it loud and clear
For the whole wide world to hear

Yeah, we must have different shoes on
We're marching to a different beat
Yeah
So baby put your boots on
Keep marching to a different beat
Yeah"