Esta é a segunda mensagem do ciclo que iniciei com "Até ao Verão", um ciclo sobre o tempo das coisas, o tempo de tudo... Este é o outro lado da noite...
A NOITE: o outro lado
Ellie puxou o lençol preto devagar,
sentindo o leve tecido acariciar-lhe as pernas lisas, enquanto subia até ao seu
tronco. As suas nádegas despidas arrepiaram-se quando pressentiram a fina
textura passar por elas; as costas fizeram o mesmo quando foram tomadas pelo
lençol. Os ombros aconchegaram-se debaixo do tecido que os cobriu. Ellie
enroscou-se em si mesma e deixou escapar um sorriso delicioso, sentindo uma
brisa atravessar-lhe o corpo de uma ponta à outra. Coberta pelo lençol,
virou-se totalmente para o lado esquerdo, ficando de frente para o companheiro,
Damien. Ellie lançou-lhe outro sorriso, como se ele a olhasse. Os seus olhos
admiraram a fisionomia do parceiro; o perfume natural ainda emanava do seu
corpo, despertando os sentidos de Ellie, que voltou a formar outro sorriso
delicioso quando inspirou fundo. O seu paladar ainda revivia os beijos que
trocara com Damien e a sua língua passava inúmeras vezes pelos lábios e pelos
dentes, num gesto compensatório do imenso prazer que, apenas recordar a noite,
trazia.
O braço direito de Ellie percorreu,
suavemente, o espaço entre o seu corpo e o do companheiro; os seus dedos
acarinhavam o colchão como se lessem braille, procurando uma palavra específica.
Quando chegaram perto do tronco de Damien, um sorriso maroto e um levantar de
sobrancelha surgiram no rosto de Ellie. Os seus dedos começaram a subir, um a
um, o torso do namorado, sentindo um calor apetitoso; pararam em cima do
esterno e fizeram a mão pousar completamente nele. Com delicadeza, a rapariga massajou
o peito de Damien, que, de olhos fechados, se agitou um pouco, surgindo um
sorriso no canto da sua boca. Enquanto acordava o companheiro, Ellie deitou-se
de barriga para baixo, muito devagar, mesmo junto a Damien, que abriu os olhos
e virou a sua cabeça para ela, que lhe sorriu com o olhar. O namorado não disse
nada; apenas, sorriu. Um sorriso que se traduzia num aumento de temperatura
exponencial.
Ellie expressou-se numa gargalhada sedutora,
deitando o seu corpo um pouco sobre o corpo de Damien. A sua perna esquerda
subiu para os joelhos do companheiro, apertando-os ligeiramente; o seu braço
esquerdo abraçou o tronco do parceiro; os seus seios a fazerem pressão contra o
peito do namorado, que suspirou docemente, quando os sentiu. Ellie aqueceu com
aquela reacção, mordendo o lábio. Esperando provocar outra atitude como aquela,
a rapariga cobriu o corpo do namorado com todo o seu torso. O seu peito, ventre
e linha do biquíni deslizaram para cima do tronco de Damien, que, com uma
lentidão sedutora, se acomodou debaixo da namorada. A boca de Ellie deixou
escapar uma gargalhada curta e sensual, finalizada por uma mordidela do lábio
inferior que se manteve por vários instantes; ao mesmo tempo, os seus olhos
seguiam os do namorado, cujo olhar saltava entre os lábios sedutores da
companheira e os seus olhos castanhos, que reluziam, traduzindo o que ia na
alma da jovem: paixão avulsa. O colo de Damien aqueceu com aquele momento, de
forma súbita e surpreendente. Ellie sentiu-o e logo respondeu: o morder de
lábio transformou-se num “amo-te” mudo, formado apenas pela boca da rapariga,
que se limitou a separar os lábios com sensualidade. Damien retribuiu da mesma
maneira e com a mesma palavra; os seus olhos podiam ser confundidos com diamantes,
apesar de estarem semicerrados. O desejo começava a tornar-se insuportável.
Ellie marcou os lábios do namorado com um
beijo leve e suave, elevando, de seguida, o seu tronco, sentando-se no colo de
Damien, acomodando-se muito devagar, apreciando cada movimento seu e cada
impulso involuntário do companheiro, que apenas reagia a tantos estímulos como
podia. Ellie gostava dessas respostas incontidas de Damien; ela gostava dos
momentos em que Damien queria e não queria resistir; ela gostava desses
momentos de indecisão; só tornavam o prazer mais apetecível. Damien também
apreciava estes momentos; só o deixavam mais loucamente apaixonado pela
namorada; mais ainda do que ele já estava. Ellie continuava sentada no colo do
namorado, apenas a admirá-lo. Damien mantinha o seu olhar em Ellie. Nada
parecia estar acontecer, quando, efectivamente, tudo estava a acontecer: os
olhos beijavam-se; as bocas sentiam-se, os cheiros fundiam-se, os corpos amavam-se;
o ambiente explodia. No entanto, no quarto, nada acontecia. As paredes não se
desmoronavam, a cadeira junto à janela não se arrastava, a cama não rangia, os
lençóis não se revoltavam. O tempo parava e os olhos viam para além do visível;
os espíritos tocavam-se e as almas completavam-se. Os vazios preenchiam-se, os
impossíveis descartavam-se. Aqueles momentos de indecisão, de apaixonar-se
ainda mais, de seduzir, sentiam-se mais do que quaisquer outros que
acontecessem antes do amor. Era
estranho...
Por fim, os dois corpos juntaram-se, desafiando
o ambiente sensual e calmo que, há pouco, se sentia. Os dois corpos uniram-se
num só; num só corpo, numa só alma, num só espírito. Os movimentos de prazer,
paixão e loucura explodiam como se não houvesse amanhã; as vozes exclamavam
como se existissem sozinhas no mundo; os espaços transformavam-se, uma e outra
vez, ora se cobrindo de essências, ora se libertando de todas as substâncias.
Os corpos uniam-se num só, tocando-se, separando-se, fugindo-se e agarrando-se;
as mãos percorriam caminhos pouco ortodoxos, desenhavam labirintos exuberantes
e rasgavam barreiras mentais; os olhos perdiam-se no prazer, no presente, nos
respirares ofegantes e nos lábios vermelhos, magoados pela avassaladora vontade
de beijar que alma exprimia, uma vontade de devorar dum só trago toda a matéria
física que personificava aquele prazer; uma vontade de amar... Amar com todas
as letras, números e raízes quadradas; amar com todas as partes do corpo e do
espírito; amar com todas as convenções, regras e rebeldias que imperam neste
mundo... Amar, amando...
Can't keep my hands to myself
No matter how hard I'm trying to
I want you all to myself
Your metaphorical gin and juice
So come on give me a taste
Of what it's like to be next to you
Won't let one drop go to waste
Your metaphorical gin and juice
Ohh, cause All of downs and the uppers
Keep making love to each other
And I'm trying trying I'm trying trying
Cus All of downs and the uppers
Keep making love to each other
And I'm trying trying I'm trying
But I
[Can't keep my hands to myself
Hands to myself] 2x
The doctors say you're no good
But people say what say they wanna say
And you should know if I could
I'd breathe you in every single day
Ohh, cause All of downs and the uppers
Keep making love to each other
And I'm trying trying I'm trying trying
Cus All of downs and the uppers
Keep making love to each other
And I'm trying trying I'm trying
But I
[Can't keep my hands to myself
Hands to myself] 2x
Can't keep my hands to myself
I want it all no nothing else
Can't keep my hands to myself
Give me your all and nothing else
Oh I I want it all
I want all
I want all
Uh
Can't keep my hands to myself
I mean I could but why would I want to
My hands to myself
Can't keep my hands to myself
My hands to myself
Can't keep, keep my hands to myself
I want it all, know nothing else
Can't keep my hands to myself
Give me your all and nothing else
Can't keep my hands to myself