Que músicas já foram comentadas. . .

"Long Live", Taylor Swift ; "Mean", Taylor Swift ; "Better than Revenge", Taylor Swift ; "Closer to the Edge", 30 Seconds To Mars ; "Nashville", David Mead ; "Count On Me", Bruno Mars ; "Won't Go Home Without You", Maroon 5 ; "I don't wanna miss a thing", Aerosmith ; "Both of Us", B.o.B ft Taylor Swift ; "Somebody", Lemonade Mouth ; "Stay, Stay, Stay", Taylor Swift ; "Two is Better than One", Boys Like Girls ft Taylor Swift (desculpem, não consegui resistir!) ; "Sorte Grande", João Só e Abandonados ft Lúcia Moniz ; "Unbelievable", EMF ; "Hey Stephen", Taylor Swift ; "Fairy Tail", Yasuharu Takanashi (instrumental) ; "Predestination", Fairy Tail (instrumental) ; "Kanashiki Kako", Fairy Tail (Instrumental) ; "Puedes ver pero no tocar", RBD ; "I Knew You Were Trouble", Taylor Swift ; "Coming Home", Diddy ; "Never Grow Up", Taylor Swift ; "Wherever You Will Go", The Calling ; "Chasing Cars", Snow Patrol ; "Demons", Imagine Dragons ; "Beneath Your Beautiful", Labrinth ft Emile Sandé ; "Fantastic Dream", Kaleido Star (Instrumental) ; "A Pele que há em Mim", Márcia com J.P. Simões ; "The Diary of Me", Taylor Swift ; "Impossible", James Arthur ; "I'm Only Me When I'm With You", Taylor Swift ; "A Different Beat", Little Mix ; "All of Me", John Legend ; "Staring at It", SafetySuit ; "A Thousand Years", Chritina Perri ft Steve Kazee ; "Ordinary Love", U2 ; "Stop This Train", John Mayer ; "Radioactive", Imagine Dragons ; "Thinking of You", Katy Perry ; "One Last Time", Ariana Grande ; "Edge of Desire", John Mayer ; "Almost Home", Alex and Sierra ; "What I Did For Love", David Guetta ft. Emeli Sandé ; "My Songs Know What You Did in the Dark", Fall Out Boy ; "Dança", Pólo Norte ; "O Tempo Não Pára", Mariza ; "Long Live", Taylor Swift (2ª versão) ; "Roman Holiday", Halsey ; "Breathe Me", Sia ; "Até ao Verão", Ana Moura ; "Hands to Myself", Selena Gomez ; "Jet Black Heart", 5 Seconds of Summer ; "Let Me Go", Avril Lavigne ft Chad Kroeger ; "Kings and Queens", 30 Seconds to Mars" ; "Todos os Dias", Paulo Sousa ; "Paris", The Chainsmokers ; "In The Blood", John Mayer ; "Stangeness and Charm", Florence and The Machine ; "Another Day In Paradise", Phil Collins ; "Bedshaped", Keane ; "In The Air Tonight", Phil Collins ; "Ordinary World", Duran Duran ; "Trevo (Tu)", Anavitória ft. Diogo Piçarra ; "If I Ain't Got You", Alicia Keys ; "Blinding", Florence and The Machine ; "Someone That Cannot Love", David Fonseca ; "Yellow", Coldplay ; "Promise", Ben Howard ; "The Whole of the Moon", The Waterboys ; "Let it Go", James Bay ; "Believe", Mumford & Sons ; "Say Something", A Great Big World ft. Christina Aguilera ; "Gold Rush", Taylor Swift ; "Blinding Lights", The Weeknd ; "É Isso Aí", Ana Carolina ft. Seu Jorge ; "Renegade", Big Red Machine ft. Taylor Swift ; "lovely", Billie Eilish ft. Khalid ; "The Only Exception", Paramore ; "You're Losing Me", Taylor Swift ; "The Story", Brandi Carlile ; "Guilty as Sin?", Taylor Swift ;

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

"In The Air Tonight", Phil Collins

    És um triste. Tenho pena de ti e da tua ignorância. Tenho pena do teu egoísmo e da tua vaidade. Acho decadente a tua falsa preocupação. A tua personalidade manipuladora enoja-me. O teu egocentrismo nem sei como defini-lo... Mas aquilo que mais me incomoda no teu ser é a sedução que permanentemente transpiras. Seja com o olhar, o sorriso, a forma de andar ou até a distância, a tua arte da sedução é a única coisa verdadeiramente presente. Se fosse uma sedução comum, não tínhamos ficado a meio caminho da nossa relação. Mas não. Refiro-me àquela aparente felicidade que de ti transborda. O teu ar feliz seduz qualquer um e eu caí nessa teia como chuva na terra. O teu ar feliz prende qualquer alma fraca num limbo emocional que pode levar ao desespero e a minha só de lá saiu há pouco tempo. Com tanta felicidade, acabei por descobrir que, afinal, eras só tristeza. Tristeza e solidão. E eu não queria isso para mim. Não outra vez. Gosto muito de ti, mas aprendi que também tenho de gostar de mim e que, em primeiro lugar, está a minha felicidade. Gosto de mim o suficiente para evitar perder-me de novo.

    Às vezes, penso que talvez esteja a tomar a atitude errada, que estarei a ser muito dura contigo. Estarei a fazer bem em não te dar a atenção que tanto queres? Serei fria por não te presentear com o amor que tanto precisas? Cortar todas as minhas ligações contigo terá sido uma boa decisão? Recrimino-me por estas minhas reacções tão cruas. São a prova da minha lacuna dos ‘meios-termos’; ou gosto ou não gosto. Gosto de ti. Sempre gostei. As tuas qualidades prendiam-me a alma e os teus defeitos deleitavam-me o espírito. Gostava de ti pela tua parte boa e pela parte tantas vezes renegada. A verdade é que, alguns dos teus defeitos, eram, para mim, realidades apreciáveis numa outra metade. Sim, eu gostava de ti pelos teus defeitos, mais do que pelas qualidades.

    Até que um dia, percebi que, afinal, esses defeitos traduziam-se no total menosprezo do meu ser. Eu tomava a tua não correspondência como algo normal, que acontecia com todos aqueles à tua volta. Percebi que não. Senti-me magoada, claramente. E não pouco magoada. Foi difícil cair novamente na realidade de ser desprezada. Já não o sentia na pele há vários anos. Pensei que, talvez, o mundo agora fosse diferente. Pensei que talvez eu já fosse imune a esses canhões impetuosos. Afinal, não. Mas percebi a razão do meu coração desfeito. Eu tinha-me entregue a ti e tu tinhas-me descartado como papel de embrulho. Estavas nos teus dias de Sol, já não precisavas de mim para iluminar os teus momentos negros, dizer-te que ainda tudo valia a pena, fazer-te ver que havia quem te quisesse bem sem pedir nada em troca. Mas a chuva foi-se, a luz veio e eu fiquei para trás. Deixaste-me pelo caminho, como pó.

    Idiota fui eu por acreditar que eras meu amigo. Não te pedia nada em troca além da tua amizade sincera e tu nem isso me quiseste dar. Lançavas-me migalhas, mantendo-me presa nessa narrativa que era a tua vida, fazendo-me acreditar que, de facto, estavas lá para mim e que não precisavas que estivesse lá para ti. Descobri as tuas mentiras. Afinal, só me procuravas quando o teu ego precisava de mim. Não te censuro mais do que deva por isso. Censuro mais o meu peito por sentir que eras sincero. Atormento o meu coração por ter caído nessa ilusão que eras tu. Entristeço-me por me saber triste de te ter perdido, quando, aparentemente, apenas tive a tua máscara.

    És um traste. Finges estar bem, finges ser feliz e, por baixo de tudo isso, está um homem solitário que apenas quer manter o seu ego saciado por um período de tempo considerável. Pior que isso é nem saber admiti-lo. Não suportas estar só porque não sabes estar só. Procuras as pessoas só para te manter ligado ao mundo, dizer que existes e que consegues sobreviver à tona de água sem te entregares. No final do dia, voltas a conhecer a profundidade em que te deixaste cair. Infelizmente, ainda sinto afecto por ti. E talvez seja por isso que ainda te escreva. Eu sei o que poderia ter feito por ti, o que te poderia ter ajudado sem nunca me envolver. Sei bem como te poderia resgatar da solidão apenas com um ombro amigo. Também sei que tentei; acredita que sei e que tenho certezas disso. Mas quando percebi que não era por mim que querias ser ajudado, desisti. Percebi que estava a gastar as minhas forças, a minha bondade, a minha essência em alguém que, para além de não me valorizar, nunca quis ser meu, nunca quis pertencer ao meu mundo.

    Sinto-me virada do avesso. Sinto-me demasiado ferida, quase vazia. Talvez a realidade não seja assim tão dura. Talvez a minha cegueira fosse propositada. Eu sabia como é que tu eras. Apenas escolhi deixar isso de lado para te poder observar melhor, perceber exactamente o que te caracterizava. Talvez a minha cegueira disfarçasse a minha vontade de conhecer o quê e o porquê de me prenderes tanto a ti. E agora que sou capaz de te ver de novo, de olhar o mundo com outros olhos, perceba a minha atitude e a dor no meu coração. Amei-te como amiga e tu nada me deste de volta. Tu apenas tiraste. Deixaste-me incompleta.


    És um triste. E eu não estou assim tão despedaçada...

"I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
And I've been waiting for this moment for all my life, Oh Lord
Can you feel it coming in the air tonight, oh Lord, oh Lord

Well, if you told me you were drowning
I would not lend a hand
I've seen your face before my friend
But I don't know if you know who I am
Well, I was there and I saw what you did
I saw it with my own two eyes
So you can wipe off that grin,
I know where you've been
It's all been a pack of lies

And I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
Well, I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord
I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
And I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord, oh Lord

Well I remember, I remember don't worry
How could I ever forget,
It's the first time, the last time we ever met
But I know the reason why you keep your silence up,
No you don't fool me
The hurt doesn't show
But the pain still grows
It's no stranger to you and me

And I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
Well, I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord
I can feel it in the air tonight, oh Lord, oh Lord
But I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord
I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
But I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord
I can feel it in the air tonight, oh Lord, oh Lord, oh Lord
But I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord, oh Lord"

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

"Bedshaped", Keane

    Hoje, pela primeira vez em tanto tempo, senti-me só. Completamente só. Abandonada. Insignificante. Pela primeira vez em tanto tempo, senti o vazio que me absorve como um fogo incontrolável. Senti o absolutamente nada. E a prova disso está naquele forte desejo que me invade logo a seguir: o desejo de não querer sentir coisa nenhuma, nunca mais. O processo é repentino. O meu corpo, outrora cheio de vida, despeja-se de toda e qualquer emoção; os meus olhos perdem a luz, a única coisa que os distingue do espelho baço em que se tornam, assim do nada; os meus lábios, as minhas mãos, as minhas pernas, o meu cérebro, nada obedece, nada reage aos estímulos que se lhes apresentam à frente. Tudo é insignificância, nada interessa.

    As horas passam, mas o tempo não corre. O silêncio impera, governando todos os estados de espírito. Os olhos abrem, fecham, vêem e ‘desvêem’ a realidade. A paisagem, porém, é sempre a mesma. Os olhos contemplam um nada pouco curioso; os mesmos olhos apagam-se para verem exactamente a mesma coisa. Não há diferenças entre adormecer e acordar, entre ser feliz e sofrer. Não há diferenças. Tudo é igual. Nada tem valor. Nada se distingue. Nada é igual. As mãos tocam mas não sentem. Não há texturas. O sedoso não existe; o áspero tão pouco. O veludo é fumaça e a lã, transparência. Não há calor nem frio. Há toda uma sensação inócua de que, de facto, temos frio. Não é algo que se sinta; apenas se sabe que assim é. Sabemos que devíamos aconchegar o nosso corpo numa manta quente, escondendo a t-shirt que temos a protegê-lo; mas optamos por não fazê-lo. O frio não é real; o frio não parece real.

    O cansaço é a única constância, a única certeza. A pequenez das coisas mais belas é despedida por uma fadiga que já não precisa de apreciar tais feitos, que já não quer saber de tais coisas. Enquanto tudo é nada, o mesmo cansaço faz-me perceber que, afinal, ainda preciso de tudo. Claro que é apenas uma noção, um ‘apercebimento’. Passar à acção, voltar a sentir-me gente, é difícil. Sair de um processo de solidão é moroso, desgastante, quase fatal. Da mesma maneira que escolher ficar também o é. Mas esta solidão, tão rara, tem um poder imenso sobre mim que me faz questionar toda uma vida de pugilista. Esta solidão é uma solidão muito específica.

    É aquela que me faz sentar numa cadeira, ficar a olhar para o ar e deixar-me a pensar. Não penso em nada de útil. Não penso em trabalho. Não penso nos amigos, nem na família. Penso em mim e na minha incompetência em combater tal avalanche sentimental. Penso no motivo que me leva a pensar em coisa nenhuma. Penso no porquê de me sentir assim, tão desesperada, tão fria, tão só. Penso na razão que me leva a perder tempo para pensar neste meu grande ego. Nunca chego a uma conclusão plausível. A única hipótese que me ocorre para explicar tanto sofrimento é a que, de facto, eu mereço isto. E talvez seja por causa do meu egoísmo desmesurado, do meu esgotamento sentimental, da minha impotência em controlar as minhas emoções. Talvez seja por isso que este vazio me faz tanta mossa. Talvez seja por ser tão sensível que me sinto tão débil, tão fraca, tão vazia.

***

    Hoje, já não me sinto tão só. Conversei comigo mesma e compreendi algumas coisas. Sim, sou sensível. Não aquele género de sensível que chore nos filmes românticos ou aquele que veja as suas susceptibilidades facilmente feridas ou até mesmo aquele que se sente atacado por palavras assoladoras. Sou sensível porque sinto as coisas com demasiada sensibilidade. Sinto muito, a muitos níveis. Sinto muito, com intensidade. Não há meios ‘sentires’. Não há meios ‘amares’, meios ‘não gostares’, meios ‘perceberes’ nem meios ‘discordares’. Eu amo por inteiro, não gosto por inteiro, percebo por inteiro e discordo por inteiro. Nada fica pela metade. Nada fica por um quarto ou por dezasseis avos. Tudo é feito a cem por cento. Se gosto, se não gosto; se devo, se posso, se nem quero... Não interessa o que seja. Seja o que for, fá-lo-ei por inteiro, nunca pela metade.

    Talvez seja por isso que, quando me sinto só, seja tão complicado de deixar de o sentir. Eu sinto muito. Eu tenho que sentir muito. E tenho que senti-lo até ao fim. É um processo completo, que envolve muitos momentos de introspecção e reflexão. Descubro muitas novidades sobre o meu ser, a minha força interior, a minha essência; mas também desencadeio demasiadas perguntas que raramente são respondidas. E existe uma que me assombra todas as vezes: “Porque é que me sinto assim?”. Sempre que tento responder, o tiro nunca acerta no alvo. Nunca soube o porquê até hoje: não existe um alvo. Não há uma resposta certa. Há todo um manancial de circunstâncias que ajudam a compreender tal solidão; e desse conjunto faz parte um termo bem lixado: a saudade.

    Sempre que me sinto só, sinto saudade. Saudade de alguém ou de alguma coisa. Às vezes, até sinto saudades de um determinado aroma ou de uma cor específica. É algo estranho, confesso, mas eu sou estranha. Quando tenho aqueles momentos em que estou sentada na cadeira, a sentir coisa nenhuma, dou por mim a imaginar certa pessoa, ou certo momento; penso numa memória que gostava de repetir e percebo que nunca poderei revivê-la. Penso nos meus arrependimentos, mesmo até naqueles que tenho a certeza que não me deveria arrepender. Grande parte das vezes, penso em alguém especial. Claro que há sempre um ‘alguém’ metido nestas questões. Mas, lá está, estes momentos acontecem muito poucas vezes e, normalmente, só quando existe um ‘alguém’ envolvido no assunto. Acho que é normal. Mesmo que não seja, tanto me faz. Se estou a sentir, porque raio haveria de o negar?


    Não faz sentido para mim reprimir emoções. Não está na minha essência fazê-lo. Por isso, vou deixar-me sentir só. Vou permitir que este vazio se apodere de mim como algo natural. Porque, para mim, isto é natural. Não é um processo que me agrada, como está claro. Se não, com que moral viria eu para aqui escrever sobre isto? Não teria qualquer cabimento. A única, ou melhor, uma das razões para me expor desta maneira é muito simples: mostrar ao mundo que, por detrás de um sorriso atraente, por baixo de um olhar meigo, pode estar todo um universo vazio, repleto de negativismo e solidão, mas que isso não significa que estejamos vazios, negativos ou sós. Quer dizer que todos, todos sem excepção, temos um dia mau. Apenas uns mostram-se mais que outros...

"Many's the time I ran with you down
The rainy roads of our old town
Many the lives we lived in each day
And buried altogether 
Don't laugh at me
Don't look away 

You'll follow me back
With the sun in your eyes
And on your own
Bedshaped
And legs of stone
You'll knock on my door
And up we'll go
In white light
I don't think so
But what do I know?
What do I know?
I know! 

I know you think I'm holding you down
And I've fallen by the wayside now
And I don't understand the same things as you
But I do 

Don't laugh at me
Don't look away 

You'll follow me back
With the sun in your eyes
And on your own
Bedshaped
And legs of stone
You'll knock on my door
And up we'll go
In white light
I don't think so
But what do I know?
What do I know?
I know! 

And up we'll go
In white light
I don't think so
But what do I know?
What do I know?
I know!"

sábado, 7 de outubro de 2017

"Another Day In Paradise", Phil Collins

    Quando percebemos que existem coisas com as quais não sabemos lidar, o melhor é aprendermos a fazê-lo. O problema é quando, passado tanto tempo, continuamos a não conseguir. Infelizmente, há coisas na minha vida com as quais ainda não consigo lidar. Nunca aprendi a lidar com elas e parece-me que nunca vou aprender. Há algo em mim extraordinariamente idiota para continuar a cometer os mesmos erros, a viver as mesmas ilusões, a desejar os mesmos cenários impossíveis. Essas coisas fazem parte de uma lista longa, que não quero aqui enunciar. Claro que umas são mais preocupantes do que outras e que existem outras que nem têm importância nenhuma; mas há uma que me tortura, que me consome por dentro e por fora. Não tem um nome específico, nem é fácil de explicar a ninguém. É difícil de se perceber, também. Não é possível resumi-la numa frase sem que se lhe corte metade da essência. É extremamente complexa e, ao mesmo tempo, incrivelmente simples. Ela é a razão de eu me perder em pensamentos, dia e noite, a toda a hora, a qualquer momento.

    Não consigo lidar com o maior sentimento de todos. Perco-me nele, perdendo-me em ti. E para voltar para mim, despeço-me de ti. Não sei lidar com aquilo que sinto; pelo menos, não sei lidar como toda a gente o faz. Então, desligo-me. É essa a solução que encontro para lidar com aquilo com que não sei lidar: apagar tudo o que me ligue a tal sensação de incapacidade. Por isso, vou apagar-te de mim. Vou cortar as correntes que nos prendem, que me prendem a ti. Não sei lidar contigo, sentindo aquilo que sinto. Por isso, vou-te deixar.

    Os meus olhos vão deixar de perseguir os teus; e se alguma vez pararem neles, desviar-se-ão com a mesma rapidez com se apaixonaram. O teu sorriso ser-me-á negado, como se o eclipse fosse a única luz que o meu coração me permite ver. O teu cheiro, esquecê-lo-ei como me esqueço de tudo o resto que não me importa. A tua voz tornar-se-á uma banda sonora banal, quotidiana, como o barulho dos carros ou a tagarelice das pessoas. O teu nome, uma palavra aliciante, sedutora, perfeita, será apenas mais um conjunto de letras no meu pesaroso vocabulário. Serás apenas mais uma pessoa que conheci, mais um amigo que fiz, mais um que provavelmente irei perder. Serás apenas mais um de muitos; mas não será fácil.


    Aliás, para mim até será. Lamentavelmente, é-me tão natural desligar-me das pessoas como qualquer outra coisa. O problema será explicar-te o porquê de tudo isto. Com certeza que irás perguntar-me por que estou distante, por que não te falo da mesma maneira, por que não sinto da mesma maneira. Não sei o que irei dizer; não sei que história irei inventar. A realidade será essa: mentir-te-ei, porque, se te contar a verdade, tu afastar-te-ás e isso é algo que não conseguirei aguentar. Por isso, prefiro afastar-me eu e deixar-te confuso, a detestar-me, do que perder-te de repente. É a única maneira que sei lidar com isto...

"She calls out to the man on the street
"Sir, can you help me?
It's cold and I've nowhere to sleep
Is there somewhere you can tell me?"

He walks on, doesn't look back
He pretends he can't hear her
Starts to whistle as he crosses the street
Seems embarrassed to be there

Oh think twice, cause it's another day for
You and me in paradise
Oh think twice, cause it's another day for you
You and me in paradise

Just think about it

She calls out to the man on the street
He can see she's been crying
She's got blisters on the soles of her feet
She can't walk but she's trying

Oh think twice, cause it's another day for
You and me in paradise
Oh think twice, it's just another day for you
You and me in paradise

Just think about it

Oh lord, is there nothing more anybody can do
Oh lord, there must be something you can say

You can tell from the lines on her face
You can see that she's been there
Probably been moved on from every place
'Cos she didn't fit in there

Oh think twice, cause it's another day for
You and me in paradise
Oh think twice, it's just another day for you
You and me in paradise 

Just think about it
Just think about it

It's just another day for you and me in paradise 
It's just another day for you and me in paradise 
It's just another day for you and me in paradise 

Just think about it"

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

"Strangeness and Charm", Florence and The Machine

     “Naquela manhã, acordei com um sentimento poderoso a pulsar-me no peito. Um sentimento tão forte, que parecia rebentar-me as veias, que parecia arrancar-me a alma do corpo. Sentia um rasgar, um despedaçar voraz que atravessava o meu ser como um raio. Sentia-me explosiva. A minha pele ardia, como se a minha cama estivesse em chamas. Sentia-me bem. Naquela manhã, acordei com esperança. Uma esperança enganadora, manipuladora e indescritivelmente maliciosa (ou, devo dizer, deliciosa?). Ela fazia-me vibrar como há muito o amor não me fazia. Eu tinha-O esquecido. Finalmente, eu conseguira apagar aquele amor incorrespondido da minha memória. Tinha demorado, mas, ao fim de uma pequena eternidade, era livre para me amar outra vez, sem amar outro em primeiro lugar.

    Infelizmente, durante aquela noite, a amnésia foi-se. Todos os cadeados rebentaram, numa detonação premeditada pelo meu subconsciente. Naquela noite, voltei a lembrar-me Dele. Voltei a recordar o meu coração que continuava a gostar Dele; que ainda gostava Dele. Aliás, tudo voltou: o seu olhar, o seu sorriso, o seu cheiro. Conquistando os meus pensamentos, a imagem turva da sua tez morena, da sua misteriosa personalidade, abriu todas as gavetas mentais que eu selara para o desmemoriar. Raios!

    Foi assim que a esperança me invadiu pela manhã, impetuosa como a maré cheia que fustiga a rocha deserta, cobrindo-a de fulgor. Uma esperança que nada traz de bom. Uma esperança que traz escondida na espuma densa daquela maré, a ilusão de um amor correspondido que nunca o poderá ser. Como eu odiava aquela esperança traiçoeira, que tanto abalava o meu mundo, que tanto me fazia sorrir, que tanto me fazia sofrer. Como eu sentia que podia controlá-la, sem sequer chegar perto dela! Era escusado. Ela dominava-me como um deus que domina as suas criações, possuidoras da consciência de existirem, mas inconscientes da sua subsistência submissa, irrevogável e imperecível. Tão consciente, tão inconsciente, tão coisa nenhuma...

    Levantei-me da cama com uma rapidez descomunal. Era imperativo expulsar aquele sentimento de dentro de mim, deixá-lo acomodar-se na cama, sozinho, até que se extinguisse. Sacudi o cabelo comprido mais vezes que o costume. Estalei todas as articulações que pude e expirei fundo demasiadas vezes. Sentia-me coberta de areia fina, tão fina que se prendia até nas pestanas dos meus olhos brilhantes. Queria desprender-me daquilo, soltar-me, alforriar-me daquela esperança que me iria arruinar, outra vez. Olhei-me no espelho da casa-de-banho minúscula. Aquele brilho no olhar assustava-me e fascinava-me, ao mesmo tempo. Levei as mãos à cara, como duas conchas carregadas de água, para tirar aquele ar apaixonado do meu rosto luminoso. Fi-lo num número de vezes que achei absurdo para aquele tipo de tarefa, a fim de apagar aquele fogo das minhas bochechas. De nada serviu. A esperança continuava lá. Raios partam! Era inútil. Tudo era inútil contra aquela força que me envenenava o coração.

    O pequeno-almoço não existiu. Não poderia alimentar tal estado de espírito. Emborquei uma chávena de chá preto e bebi um café curto. Uma combinação explosiva que tentei combater com outra igual. Fogo apaga fogo. Funcionou. Pelo menos, funcionou enquanto aquela peçonha me enchia o estômago, numa velocidade alucinante. Funcionou, portanto, durante quatro minutos e meio. Foi o suficiente para me fazer voltar à minha vida presente. Hoje, não era dia para recordar o passado. Não podia ser.

    O caminho até ao trabalho foi excitante. Toda a cafeína se traduziu numa condução digna de filme, com buzinadelas variadas, infracções infinitas e um pé no acelerador quase impossível de acompanhar. Foi simultaneamente perigoso e tranquilo. Percebi que não era só a cafeína a fazer efeito. A teimosia da esperança foi aquela que vi quando olhei os ponteiros do relógio do trabalho: dez minutos mais cedo que o normal. Perigoso, sim. Por outro lado, tinha tempo para fazer uma chamada que talvez me fosse salvar o dia (ou a vida). Revistei a minha mala, à procura do maldito telefone, e, assim que o encontrei, marquei o número que sempre me fazia voltar à realidade: a minha melhor amiga. Experiente nestas questões amorosas (e com orgulho), só ela me poderia resgatar do naufrágio emocional que estava prestes a acontecer. Não atendeu. Tinha o telemóvel desligado. O meu coração tornou-se pedra. Teria que resolver esta tempestade sozinha. Inspirei fundo e entrei no escritório.

    O dia correu pessimamente mal. Os processos que deveria ter revisto continuaram empilhados no centro da enorme secretária, mesmo atrás do meu computador portátil. Aqueles que deveria ter arrumado, por estarem concluídos, mantinham-se acondicionados, junto à janela alta, entre a estante clássica e a poltrona velha, desejosos de inundar o chão cerejeira flutuante. Os que deveria ter iniciado o quanto antes chamavam desesperadamente por mim, organizados no lado direito desta minha mesa de trabalho. A única coisa que fui capaz de fazer o dia todo foi ordenar as pastas digitais, tradutoras dos meus anos de trabalho, e ver, uma, duas, três, quatro, cinco, 67 mil vezes, a única fotografia que tinha Dele no meu computador. Isso e tentar falar mais nove vezes com a minha melhor amiga, que teimava em não ligar o já natural aparelho limitador da liberdade individual.

    Foi terrível. Há vários anos que não tinha um dia tão ameaçador como este. E tudo começou porque, naquela noite, soube-te livre. Soube-te livre e logo me voltei a conhecer encarcerada, presa a esse sentimento que me atrai para ti. Maldita seja a esperança! Maldito seja o amor! Maldito sejam todos os sentimentos que me fazes sentir! Fazes-me afundar num navio repleto de emoções e nem te apercebes disso. Sufoco com a vontade que tenho em te dizer o quanto gosto de ti, o quanto te quero. Mas, antes disso, ainda me afogo num ódio que pré-anuncia esse amor. O esforço, oh, o esforço! O esforço que eu faço para que nada disto transpareça para o meu olhar, para o meu sorriso, para o meu comportamento. O desespero que sinto em querer fazê-lo transparecer e não poder. A raiva que se apodera de mim, por gostar de ti. O medo em perder-te, em ver-te fugir da minha vida se soubesses disto. Como esta esperança é um vírus que me tortura...

    O jantar sabia-me a amargura. ‘Pelo menos, sabe a alguma coisa’ era a resposta do meu consciente a cada colherada de sopa. Eram dez e meia da noite e só agora é que eu tinha sido capaz de comer. Mas foi a única empresa que consegui completar. Eram onze da noite e já o meu corpo descansava na cama esperançosa. Os meus pensamentos corriam-me a mente, hiperactivos, sem chegar a lado nenhum. Estava quase a adormecer quando o meu telemóvel estremeceu. Uma mensagem. Finalmente, ela ligou a merda do telemóvel! Estendi o braço até à mesa-de-cabeceira. De certeza que ela iria ligar; e provavelmente, estaria entusiasticamente sobressaltada. Apenas com metade do cérebro a funcionar, abri a mensagem: ‘Olá! Tudo bem?’. Não percebi. Ela não escreveria tal coisa. Fiz um esforço para ler o nome do remetente. ‘Ele’.

    E tudo começou de novo...”

"Hydrogen in our veins, it cannot hold itself, our blood is boiling
And the pressure in our bodies that echoes up above it is exploding
And our particles that burn it all because they aim for each other
And although we stick together it seems that we are stranging one another

Feel it on me love
Feel it on me love
Feel it on me love
(Strangeness and Charm)

See it on me love
See it on me love
See it on me love
(Strangeness and Charm)

An atom to atom oh can you feel it on me love
A pattern to pattern oh can you see it on me love
Atom to atom oh what's the matter with me love

Strangeness and Charm

The static of your arms, it is the catalyst
You're a chemical that burns there is nothing like this
It's the purest element but it's so volatile
An equation heaven sent, a drug for angels

Strangeness and Charm

Feel it on me love
Feel it on me love
Feel it on me love
(Strangeness and Charm)

See it on me love
See it on me love
See it on me love
(Strangeness and Charm)

An atom to atom oh can you feel it on me love and
A pattern to pattern oh can you see it on me love
Atom to atom oh what's the matter with me love

Strangeness and Charm

The static of your arms, it is the catalyst
You're a chemical that burns there is nothing like this
It's the purest element but it's so volatile
An equation heaven sent, a drug for angels

Strangeness and Charm [x6]

The static of your arms, it is the catalyst
You're a chemical that burns there's nothing like this
It's the purest element and it's so volatile
An equation heaven sent, a drug for angels

Feel it on me love
Feel it on me love
Feel it on me love
(Strangeness and Charm)

See it on me love
See it on me love
See it on me love
(Strangeness and Charm)

Feel it on me love
Feel it on me love
Feel it on me love
(Strangeness and Charm)

See it on me love
See it on me love
See it on me love
(Strangeness and Charm)

Oh, Oh, Down, Down down down [x4]"

domingo, 6 de agosto de 2017

"In The Blood", John Mayer

    Não costumo pensar muito na maternidade. Aliás, são raras as vezes em que penso em deixar outro tipo de semente nesta terra além dos amores-perfeitos e dos cravos-dos-poetas que habitam os meus canteiros. Quem me conhece, sabe que não gosto de crianças. Seja pelo barulho que fazem, seja pela imaturidade que lhes é intrínseca, não gosto de crianças. Pelo menos, é o que eu digo a toda a gente. Porque, na realidade, eu até gosto (um bocadinho) de crianças. Então, porque é que digo a toda a gente que não gosto?
    Vou-vos explicar todo o processo mental que se desencadeia no meu cérebro quando interajo com crianças. Primeiro, e dependendo da situação, sorrio ou torço o nariz (para, depois, acabar por sorrir; carapaça dura, coração mole, minha gente). Depois, esse sorriso mantém-se por dois segundos, porque esse é o tempo que eu levo a apreciar esses seres antes de pensar ‘e se fossem os meus?’. Após esses dois segundos, o sorriso desvanecesse e o desdém impõem-se, ao mesmo tempo que a mente resmunga: ‘não serás uma boa mãe, portanto, não vais ter filhos e vais odiar pensar sequer nessa hipótese’. E então, a forma mais fácil de evitar mentir, dar explicações ou alimentar ilusões, é responder somente ‘não gosto de crianças’. Porque é mais fácil dizer que não do que partilhar os meus medos, os meus receios.
    Até porque este medo de ser mãe não é igual àquele que todas as mães sentem. Eu não falo em ser ‘má mãe’ da boca para fora. Falo em situações sérias que não são para aqui chamadas, coisas que sei de outras pessoas, coisas que sei por experiência própria, coisas que imagino... Há toda uma panóplia de situações que quero evitar que aconteçam aos meus filhos e o caminho mais fácil para isso é não ser mãe (a não ser que eles nasçam já com 20 anos). São poucos os que conhecem o meu verdadeiro medo (ou devo dizer, pânico) em cometer erros. Sim, errar. Tenho um medo indescritível de errar, de tomar a decisão errada, de não saber lidar com qualquer situação, de provocar situações que não consiga controlar. Se isto se passa na minha vida, como terei capacidade de o fazer na vida dos meus filhos? Como poderei criá-los sem que herdem os meus defeitos, os meus problemas, os meus medos? Quero que cresçam livre, despreocupados, felizes, como eu, por vezes, não fui... Como o poderei fazer se nem me consigo (des)controlar?
    Foi então que, numa destas noites, a minha casa foi invadida por uma família de quatro pessoas: dois adultos e duas crianças. Idades: três anos e meio e dois anos e meio. Idioma: franco-português (isto existe, sequer?). Expectativas: inferno nocturno. Quantas vezes respirei fundo, preparando-me mentalmente para a noite que iria acontecer? Não sei, mas foram imensas... O início até que foi “tranquilo”: o casal de meio palmo não queria nada comigo; apenas me olhava com um ar incrivelmente curioso. “Safei-me!”, pensei, satisfeita. Ainda não tínhamos chegado à sobremesa, já os dois andavam a correr pela casa, a perguntar o que era isto e aquilo, quem é que nós (eu e a minha irmã) eramos, se os ajudávamos nisto e naquilo; enfim, cenas de crianças. Escusado será dizer que nunca cheguei a ver a sobremesa (pelo menos, não decentemente; lá arranjei cinco minutos para comer três colheradas da mousse que fizera naquela manhã para aquele jantar, mas de resto, nada).
    Resumindo muito rudemente aquele pós-jantar: pegar no pequeno rapazinho ao colo, fazê-lo voar como o Super-Homem, mas de barriga para cima, despenteá-lo todo, fazer-lhe festas na barriga, correr atrás dele a gritar ‘argh!!!’, pedir-lhe para não atirar com as coisas e pô-lo a brincar com todos os peluches que encontrava pelos quartos; quanto à pequena cousine, ajudá-la a organizar os lápis de cor na mesa de estar, tirar fotografias (ou pelo menos tentar), arrumar os lápis outra vez, tentar traduzir metade do que lhe saía pelos lábios, pedir-lhe desculpa por não perceber, meter-me com ela quando ela não percebia e ver a cara de assustada-divertida que ela fez quando eu tive um ataque de riso por causa de um gesto que ela fez. Foi intenso, muito intenso. Não estava preparada para toda aquela energia, devo admitir. Achei que ia ser como das outras vezes: caem que nem apaixonados pela minha irmã e deixam-me em paz. Tão costumeiro como respirar. Tão natural como o sangue que me fluí pelas veias.
    A questão é que aquelas três horas e meia foram totalmente fora do costume, totalmente ‘não naturais’. Dei por mim a não querer deixar aqueles dois diabretes, a não deixá-los irem embora, a gritar mentalmente ‘já?!’ quando os respectivos pais se começaram a despedir de nós. Queria mais tempo com eles, queria conhecê-los melhor, saber, afinal, qual cor é que ela preferia, se o rosa, se o roxo, ou quantos cães é que ele queria conseguir abraçar ao mesmo tempo. Queria descobri-los como dois livros, saber-lhes as preocupações imaturas, sentir-lhes os medos irracionais, conhecê-los como indivíduos. Queria-os.
    Quando me deitei nessa noite, exausta, com dores nas costas e sem sentir o braço esquerdo (razões médicas que não interessam para aqui), dei por mim a sorrir e a pensar neles. Lembrar-se-ão de mim quando voltarem para a sua terra? Lembrar-se-ão sequer de me terem conhecido? Terão gostado mesmo de mim ou serão assim com toda a gente? Estranhamente, dei por mim a pensar neles. E só esse pequeno facto significava uma mudança gigante na minha forma de ver o mundo. Não sei se é por ter o coração cheio, mas, de repente, vi-me a ser mãe. Num segundo, foi horrível, mas, depois, descansei a minha mente. Aqueles dois miúdos tinham-me mudado. Como era possível? Dois miúdos que nem português conseguem articular (o mais novo nem mesmo o francês), que mal me conhecem, que, muito provavelmente, só me voltaram a ver daqui a um ano, tinham-me mudado numa noite. Fiquei a pensar nisto durante aqueles longos minutos que demorei a adormecer e só não pensei mais por culpa do cansaço. Cansaço físico, diga-se de passagem, porque, mentalmente, eu estava pronta para outra noite daquelas...

    Naquela noite, todo o mal que vejo, todo o mal que sinto, toda a angústia que me aprisiona, todos os meus medos, evaporaram-se como se nunca tivessem existido. Naquela noite, não havia medos em errar, não havia receios de que eles não seriam felizes. Naquela noite, eu imaginei-os como meus. Naquela noite, eu teria dado tudo para ser mãe. Naquela noite, eu fui mãe. Quem sabe um dia...?

"How much of my mother has my mother left in me?
How much of my love will be insane to some degree?
And what about this feeling that I'm never good enough?
Will it wash out in the water, or is it always in the blood?

How much of my father am I destined to become?
Will I dim the lights inside me just to satisfy someone?
Will I let this woman kill me, or do away with jealous love?
Will it wash out in the water, or is it always in the blood?

I can feel the love I want, I can feel the love I need
But it's never gonna come the way I am
Could I change it if I wanted, can I rise above the flood?
Will it wash out in the water, or is it always in the blood?

How much like my brothers, do my brothers wanna be?
Does a broken home become another broken family?
Or will we be there for each other, like nobody ever could?
Will it wash out in the water, or is it always in the blood?

I can feel the love I want, I can feel the love I need
But it's never gonna come the way I am
Could I change it if I wanted, can I rise above the flood?
Will it wash out in the water, or is it always in the blood?

I can feel the love I want, I can feel the love I need
But it's never gonna come the way I am
Could I change it if I wanted, can I rise above the flood?
Will it wash out in the water, or is it always in the blood?"

segunda-feira, 24 de abril de 2017

"Paris", The Chainsmokers

    Esta é a sétima e última mensagem do ciclo que iniciei com "Até ao Verão". Espero que gostem deste final.

TEMPO DE PERCEBER

    «Acordei devagar e sorridente, apesar das sete horas da manhã que marcava o relógio da mesa-de-cabeceira. Espreguicei-me com um suspiro profundo e vi-te a meu lado. O meu sorriso encheu-se de alegria. Ainda dormias. O corpo meio destapado virado para o tecto, o teu rosto peludo, que repousava sereno, os olhos fechados com uma delicadeza única. Quis acordar-te com um beijo doce. Debrucei-me sobre ti e encostei os meus lábios no teu ombro nu. Mantive-os lá por uns instantes. Quando me sentiste, sorriste e contorceste-te ligeiramente. Afastei-me um pouco e deixei-te acordar. Levaste as mãos à cara e esfregaste-a várias vezes, ao mesmo tempo que respiravas pesadamente, libertando bocejares pelo meio. Eu apenas assistia a toda a cena, com um sorriso no rosto, impossível de tirar. Quando finalmente terminaste, viraste-te para mim; primeiro, a cabeça e, depois de trocarmos olhares, todo o teu corpo se virou para mim, aproximando-se.
    “Bom-dia”, sussurraste. Senti-me a corar. “Bom-dia”, respondi, tocando o teu nariz com o meu. Tu riste com aquele gesto, o que me fez encolher um pouco, atitude que te deixou um sorriso nos lábios. “Sabes uma coisa?”. Acenei que não. “Se eu pudesse acordar todos os dias contigo a sorrires para mim, era um homem realizado”. Corei ainda mais. E sorri ainda mais. Deste-me um beijo e lançaste-me outro sorriso. “Pequeno-almoço?”, perguntei, encostada a ti. “Já te vou ajudar”, ofereceste-te, beijando-me o nariz. Levantei-me, com a lentidão de quem não quer afastar-se daquele que mais ama, compus o pijama e calcei as meias polares. Enfiei os pés nos chinelos e olhei uma última vez para ti, antes de sair do quarto. O teu corpo estava virado para baixo, espalhado pelo meu lado da cama; a tua mão direita repousava na minha almofada, enquanto a tua perna esquerda parecia abraçar o ar que me substituíra na cama. A tua cabeça tocava a ponta da minha almofada com carinho. Os teus olhos agora sorriam-me. Repliquei-lhes um sorriso mais leve, mais apaixonado, e saí.
    No percurso até à casa-de-banho, revivi a noite que tivéramos: o jantar, feito por nós, o serão, passado a lavar a louça e arrumar tudo o que havia por arrumar numa cozinha, enquanto conversávamos sobre tudo, e a noite que vivêramos, deitados ao lado um do outro, a conversar. Era esta uma das razões pelas quais eu adorava a nossa relação: porque o que mais fazíamos era conversar. E podíamos passar horas nisso. Não interessava o tema; sempre que parecia que já estava esgotado, um de nós lembrava-se de outra coisa qualquer e a conversa continuava. Nem víamos as horas passar. Era simplesmente incrível.
    Chegada à cozinha, cumprimentei o ambiente matinal com um espreguiçar prolongado, em passadas pequenas e lentas. Ainda com a ressaca daquele momento, preparei o meu chá verde e o teu café. Pouco tempo depois, tu aparecias para fazer as nossas sandes, vestindo apenas as calças largas do pijama azul-escuro. Sabias que não podias andar pela cozinha em roupa interior, logo pela madrugada. Era um dos nossos pontos fracos e, portanto, uma situação a evitar. Enquanto observava as tuas costas (como eu me deleitava com as suas costas!), pus os individuais na pequena mesa semicircular e sorri a olhar para eles. Talvez fosse tolo, mas todas as coisas básicas e pequenas que fazíamos em conjunto enchiam-me o coração de felicidade. Porquê? Bem, talvez porque traduziam a existência da nossa relação. Se eu fazia café para além do chá, se eu comprava um pão a mais, se eu punha dois tabuleiros, era porque tinha companhia, era porque estava com alguém, era porque alguém vivia comigo naquele exacto momento. E o melhor disso tudo é que esta cena repetia-se todos os dias. E eu, que odiava rotinas, não me importava nada com esta, porque esta era uma rotina que me completava, que se colava à minha essência, que me encantava.
    Estas ocasiões de reflexão faziam-me parar no tempo, o que, por vezes, te preocupava. Não por serem momentos em que eu paralisava, pensativa, mas por serem instantes que depois me levariam às lágrimas, causadas por toda aquela felicidade que eu sentia. Era como que uma sobrecarga de sentimentos positivos, despoletada por pequenas coisas que me faziam sentir amada. E então, vendo-me assim, tu abraçavas-me, umas vezes com força, outras com uma brandura impressionante, dependendo do que achasses que eu precisava para parar de transbordar tanta felicidade. Quando, finalmente, eu me acalmava, pedia-te desculpas e tu rias-te. Hoje não foi excepção. Mas, desta vez, também tu deixaste cair uma única lágrima, semelhante às inúmeras que eu partilhava contigo, o que me deixou ainda mais feliz. Tu não exteriorizavas assim os teus sentimentos; eras um homem reservado no que tocava a emoções, o que me obrigava a esforçar ainda mais para te entender; e esse esforço era algo que me fazia gostar ainda mais de ti.
    Lá acabámos por conseguir tomar o pequeno-almoço. Conversámos imenso, claro está. Não dizíamos nada de profundo, mas as nossas conversas nunca eram vazias. Fazíamos correr tinta invisível pela atmosfera que nos rodeava como se não houvesse mais nenhuma oportunidade para o fazer. Os sorrisos eram sempre imperadores; essa era outra realidade. Desde que estava contigo, sorrir era daquelas actividades que eu nunca conseguia parar de praticar. E tu, apesar de não sorrires tanto quanto eu, permitias aquele brilho nesse olhar castanho penetrante. Tínhamos maneiras muito diferentes de nos expressarmos, mas essas diferenças completavam-nos. Há quem diga que as almas gémeas pertenciam a um mesmo espírito e corpo, e que, por ordem dos deuses, foram separados em dois, podendo apenas viver felizes se se voltassem a reunir. Não sei se é verdade, mas o que é facto é que só a ideia de estar contigo já me completa.
    Não sou uma namorada chata. Não passo o dia a mandar mensagens, não te ligo à hora de almoço para saber como estás, nem sequer te desejo as boas noites todas as vezes que dormes fora. Tu também não me fazes o mesmo. Não preciso, não precisamos disso. Sabemos que estamos no coração um do outro, que estamos sempre acompanhados, que vamos estar sempre lá um para o outro. Apenas nos momentos mais desalentadores, apenas naqueles instantes em que nada parece estar bem, só nessas alturas é que precisamos de ouvir a voz um do outro, sentir o calor, o amor, um do outro. E, por mais raros que sejam esses pedaços de tempo, quando acontecem, fazem tudo valer a pena.

    O meu relógio de pulso marcava as nove menos um quarto. Esforcei-me para calçar a bota direita, que teimava em não entrar. Tu corrias de um lado para o outro à procura do casaco comprido. Quando finalmente a minha bota entrou e tu encontraste o teu casaco, saímos de casa. Na rua, despedimo-nos com um único beijo e um “até logo”. E aí percebi que, agora, realmente, tudo no mundo fazia sentido...»

terça-feira, 28 de março de 2017

"Todos os Dias", Paulo Sousa

    Esta é a sexta mensagem do ciclo que iniciei com "Até ao Verão", e esta foi baseada num sonho.

TEMPO DE REVIVER

    «Ouvi-o com atenção. Cada palavra, cada tom, cada lágrima. Absorvi como esponja e senti como meu. Observei-o com cuidado. Os olhos verdes sofridos, os lábios trémulos, as mãos suadas, frias, nervosas. A voz possuída, dolorosa, fraca e, ao mesmo tempo, tão poderosa. Os seus gritos, os seus apelos, o seu desespero; tudo me atingiu como um tornado que vi chegar e para o qual decidi não me preparar. Ele balançava o corpo para a frente e para trás, impossível de parar, de pensar, de se acalmar, de esperar, de viver. Impossível viver, era o que ele me dizia. Não lhe respondi, não reagi sequer à sua explicação. Esperei que imperasse o silêncio, ainda que tão ruidoso como aquele iria ser. Mas esperei. Tinha que esperar. Falar-lhe naquele momento iria diminuí-lo, destruí-lo ainda mais. Por isso, esperei.
    Ao fim de quarenta e cinco minutos de um choro incontrolável, de uma berraria desesperante e de todo um esvaziar emocional, ele calou-se. Os seus olhos pararam, os seus lábios petrificaram, as suas mãos pasmaram, o seu corpo desumanizou-se. Ele parou; parou e fitou o chão. Depois, desprendeu-se do chão e deteve-se nos meus olhos: “Ajude-me, por favor”. Três palavras e um olhar difícil, uma voz calorosa, um sorriso distante. “Vou-te ajudar, meu pequeno”, pensei, sem reagir, mantendo serena a linha que me pintava os lábios. “Vou-te ajudar e não vou deixar que fiques igual a mim”. “Conta-me tudo do início, com calma. Temos muito tempo”. Lancei-lhe um sorriso maternal, carinhoso, amigo, compreensivo. Ele acenou e recompôs-se na poltrona: sentado de pernas abertas, de cotovelos nos joelhos, com as mãos a segurar as têmporas era a sua melhor posição para ser sincero, verdadeiro, ele mesmo.
    Ele recomeçou toda a sua história. O início era sempre igual: ele conhecia uma amiga de uma amiga e ambos começavam a falar, como amigos. Ou porque frequentavam os mesmos sítios, ou porque tinham um horário compatível ou porque se sentavam no mesmo lugar na cantina. Por uma qualquer razão, como sempre acontece, a amizade florescia. Ela ganhava um amigo e ele, uma amiga. Até que, como sempre lhe acontecia, a bondade dela, a sua simpatia, o seu carinho, a sua disponibilidade, o seu simples sentimento de amizade atingia-o como flecha envenenada. Ele começava a sentir outra coisa por ela. Era só a partir deste momento que todas as suas histórias mudavam, para acabarem todas da mesma maneira. Havia várias opções, mas três revelavam-se mais comuns: ou ela era comprometida e ele, aí, desistia e automaticamente tornar-se-ia somente um amigo e ficava feliz com isso, verdadeiramente feliz; ou ela era solteira e não lhe correspondia, o que o levava a viver para sempre num conflito interno (gostar dela, mas não poder gostar mesmo); ou, como tinha acontecido da última vez, não interessar se ela é ou não comprometida, é preciso fugir para evitar a ilusão, a decepção, o coração partido.
    Ele contou-me as três versões, como contara faseadamente nas onze consultas que já vivêramos. O peso da solidão, do medo, naquele corpo, naquele espírito de vinte e três anos era ainda maior do que parecia. E eu revia-me nele. Do alto dos meus trinta e cinco anos, eu sentia-me vivamente na pele daquele rapaz, como se o fosse realmente. E aparentemente, ele percebia-o, ele sabia-o. O seu olhar pedia-me ajuda não como profissional, mas como um igual, que já experienciara exactamente aquilo que ele estava a passar. E aquele olhar dizia tudo: “como foi consigo? Também se sentiu perdida, abandonada, vazia? Também se viu infeliz, melancólica, sem vontade de apreciar a vista, sem vontade de viver?”. E a minha não reacção dava-lhe as respostas que ele procurava. O meu silêncio dava-lhe o “sim” que ele precisava de ouvir, de saber. Saber que não estava sozinho era o primeiro passo para afastar todos aqueles medos. E bastava-me um silêncio para dar esse primeiro passo.
    Mas, a certa altura, o silêncio deixa de ser suficiente. E os seus olhos exclamam-no com impaciência. E é aí que entra a minha experiência. Começo por explicar-lhe que nem todas as pessoas dão tanta importância a tudo isto como nós dois. Nem toda a gente entende o que é viver com medo da rejeição e de nunca poder confiar nos outros. Nem toda a gente tem a infelicidade de se apaixonar assim do nada, de se sentir atraído por alguém que a vê com dignidade, respeito e carinho. Nem toda a gente sabe o que é não conseguir traduzir isso como uma relação humana normal. Nem todos sabem como é não conseguir lidar com isso. Digo-lhe que pode estar pouco acompanhado, mas que nunca está só. Digo-lhe que faz parte de uma minoria, mas que não é o único. Faço-o sentir-se compreendido sem, para isso, ter que o enganar. Não preciso disso, não preciso de inventar que me identifico com ele, não preciso de fingir. É a maior das verdades. Somos iguais; estamos no mesmo nível. Naquelas sessões, o meu velho eu surge num recanto da minha memória para ajudá-lo a ele, que se afirma num todo amargurado. E ele sente-se amado na mais pura das formas.
    São poucas as palavras que lhe digo. No meio dessas poucas, há sempre frases que gosto de repetir, outras que tento evitar, mas vejo-as como necessárias. E é então que, nesta décima segunda sessão, ele explode. “Eu quero sentir aquelas inseguranças que se sentem quando se está com alguém! Será que ela me vai trair? Será que ela gosta mesmo de mim? Será que ela vai querer-me para sempre? Será?”. Todas aquelas perguntas voam da sua boca com uma força tremenda. É esse poder que ele tem que libertar e foi esse poder que ele, finalmente, decidiu mostrar-me. O “eu quero ser inseguro com alguém” foi um passo gigantesco no seu pequeno e desconsolado mundo. Soltar aquela frustração era aquilo que eu queria que ele fizesse. Mas ele não ficou por ali. Também ouvi muitos “estou farto de ter medo de arriscar”, “estou farto de ter medo de ficar sozinho”, “eu quero ter aquele medo que um homem tem quando a mulher dos seus sonhos o sente distante”, “eu quero sentir aquela dor pré-reconciliação de perder alguém”, “eu quero sentir todo o mau e todo o bom que se sente quando se ama alguém”.
    Sorri-lhe, com entusiasmo. Ele agora estava de pé, a caminhar de um lado para o outro, esbracejando, dizendo tudo o que lhe vinha na alma. Aquele desabafo era um prémio incrível para mim e para ele. Para mim, que senti que o ajudava. Para ele, que se sentia ajudado. Aquela explosão estava a fazer bem aos dois. E ele não tinha medo. Pela primeira vez, ele cortava as suas próprias amarras e expunha-se como um coração único, próprio, irrepetível. O ambiente mudara naquela ampla sala. De repente, todas cores tornaram-se vivas e brilhantes, os peitos elevaram-se e os sorrisos eternizaram-se. A diferença entre o início da sessão e aquele preciso momento era quase impossível. Mas ambos fizemo-la acontecer. E estávamos felizes, os dois. Quando ele finalmente acabou, quando finalmente se sentiu extremamente mais leve, aproximou-se e abraçou-me, agradecendo com palavras, olhares e suspiros. Retribui-lhe o abraço e acrescentei um “não tens que agradecer” ao meu sorriso de orelha a orelha. Depois, ele pegou na mochila e saiu do consultório, com uma enorme alegria de viver.

    E foi aí que eu percebi que aquele espírito podia ser o meu; que aquele indivíduo poderia ter sido eu. Puxei a segunda gaveta da secretária e revirei todo o seu conteúdo à procura daquela foto. Quando senti os dedos tocarem o papel velho, parei. Quereria mesmo recordar o passado? Ignorei-me e agarrei a maldita foto, tirando-a para fora da gaveta e levando-a aos olhos. Fixei a figura que, dez anos antes, me fizera sentir aquilo que o Paciente sentia; aquele medo de confiar, de querer ter, de não saber lidar voltou num ápice. Como dez anos eram eliminados nuns meros dois segundos. Ele nunca soube; ou talvez soubesse; mas eu vivi aqueles dois anos de amizade como um martírio emocional quase impossível. Queria amá-lo e, ao mesmo tempo, não queria. Queria aprender a ser sua amiga, mas não conseguia. Nunca consegui. A terceira opção do Paciente era a minha vida constante com o Homem da Fotografia. Sempre que estava com ele, lá surgia o horrível conflito interno que nem se interessava pelo estado civil Dele. Das vezes que Ele teve namorada e das vezes que não teve, de todas essas, de qualquer uma, eu sempre estive naquele impasse. Nunca aprendi a lidar com isso, nunca consegui lidar com isso. E por isso, fugi. Isolei-me, deixei-me ficar só. E era isso que eu não queria que o Paciente fizesse: que optasse pela via eternamente dolorosa...».

"Todos os dias te amo, te quero, te chamo
Tu sabes que eu ainda espero
Todos os dias te amo, te quero, te chamo
Tu sabes que eu ainda espero

Abracei
Os dias que tivemos
As horas que passamos
Os corpos sendo um só

E beijei
Senti teus lábios ternos
Varrendo os meus invernos
Somente com um olhar
Somente com um olhar

Às vezes até me pergunto se existo sem ti
Preocupado por seres
O único assunto que me faz manter aqui
Às vezes até me pergunto se existo sem ti
Preocupado por seres
O único assunto que me faz manter aqui

Partilhei
Fui teu por poucas horas
Não sei por quem tu choras
Nas noites sem luar

E calei
A dor que me criaste
Dos braços em que entraste
Deixando-me sem ar
Deixando-me sem ar

Às vezes até me pergunto se existo sem ti
Preocupado por seres
O único assunto que me faz manter aqui
Às vezes até me pergunto se existo sem ti
Preocupado por seres
O único assunto que me faz manter aqui

Todos os dias te amo, te quero, te chamo
Tu sabes que eu ainda espero
Todos os dias te amo, te quero, te chamo
Tu sabes que eu ainda espero

Às vezes até me pergunto se existo sem ti
Preocupado por seres
O único assunto que me faz manter aqui

Às vezes até me pergunto se existo sem ti
Preocupado por seres
O único assunto que me faz manter aqui

Todos os dias te amo, te quero, te chamo
Tu sabes que eu ainda espero"