Que músicas já foram comentadas. . .

"Long Live", Taylor Swift ; "Mean", Taylor Swift ; "Better than Revenge", Taylor Swift ; "Closer to the Edge", 30 Seconds To Mars ; "Nashville", David Mead ; "Count On Me", Bruno Mars ; "Won't Go Home Without You", Maroon 5 ; "I don't wanna miss a thing", Aerosmith ; "Both of Us", B.o.B ft Taylor Swift ; "Somebody", Lemonade Mouth ; "Stay, Stay, Stay", Taylor Swift ; "Two is Better than One", Boys Like Girls ft Taylor Swift (desculpem, não consegui resistir!) ; "Sorte Grande", João Só e Abandonados ft Lúcia Moniz ; "Unbelievable", EMF ; "Hey Stephen", Taylor Swift ; "Fairy Tail", Yasuharu Takanashi (instrumental) ; "Predestination", Fairy Tail (instrumental) ; "Kanashiki Kako", Fairy Tail (Instrumental) ; "Puedes ver pero no tocar", RBD ; "I Knew You Were Trouble", Taylor Swift ; "Coming Home", Diddy ; "Never Grow Up", Taylor Swift ; "Wherever You Will Go", The Calling ; "Chasing Cars", Snow Patrol ; "Demons", Imagine Dragons ; "Beneath Your Beautiful", Labrinth ft Emile Sandé ; "Fantastic Dream", Kaleido Star (Instrumental) ; "A Pele que há em Mim", Márcia com J.P. Simões ; "The Diary of Me", Taylor Swift ; "Impossible", James Arthur ; "I'm Only Me When I'm With You", Taylor Swift ; "A Different Beat", Little Mix ; "All of Me", John Legend ; "Staring at It", SafetySuit ; "A Thousand Years", Chritina Perri ft Steve Kazee ; "Ordinary Love", U2 ; "Stop This Train", John Mayer ; "Radioactive", Imagine Dragons ; "Thinking of You", Katy Perry ; "One Last Time", Ariana Grande ; "Edge of Desire", John Mayer ; "Almost Home", Alex and Sierra ; "What I Did For Love", David Guetta ft. Emeli Sandé ; "My Songs Know What You Did in the Dark", Fall Out Boy ; "Dança", Pólo Norte ; "O Tempo Não Pára", Mariza ; "Long Live", Taylor Swift (2ª versão) ; "Roman Holiday", Halsey ; "Breathe Me", Sia ; "Até ao Verão", Ana Moura ; "Hands to Myself", Selena Gomez ; "Jet Black Heart", 5 Seconds of Summer ; "Let Me Go", Avril Lavigne ft Chad Kroeger ; "Kings and Queens", 30 Seconds to Mars" ; "Todos os Dias", Paulo Sousa ; "Paris", The Chainsmokers ; "In The Blood", John Mayer ; "Stangeness and Charm", Florence and The Machine ; "Another Day In Paradise", Phil Collins ; "Bedshaped", Keane ; "In The Air Tonight", Phil Collins ; "Ordinary World", Duran Duran ; "Trevo (Tu)", Anavitória ft. Diogo Piçarra ; "If I Ain't Got You", Alicia Keys ; "Blinding", Florence and The Machine ; "Someone That Cannot Love", David Fonseca ; "Yellow", Coldplay ; "Promise", Ben Howard ; "The Whole of the Moon", The Waterboys ; "Let it Go", James Bay ; "Believe", Mumford & Sons ; "Say Something", A Great Big World ft. Christina Aguilera ; "Gold Rush", Taylor Swift ; "Blinding Lights", The Weeknd ; "É Isso Aí", Ana Carolina ft. Seu Jorge ; "Renegade", Big Red Machine ft. Taylor Swift ; "lovely", Billie Eilish ft. Khalid ; "The Only Exception", Paramore ; "You're Losing Me", Taylor Swift ; "The Story", Brandi Carlile ; "Guilty as Sin?", Taylor Swift ;

segunda-feira, 24 de abril de 2017

"Paris", The Chainsmokers

    Esta é a sétima e última mensagem do ciclo que iniciei com "Até ao Verão". Espero que gostem deste final.

TEMPO DE PERCEBER

    «Acordei devagar e sorridente, apesar das sete horas da manhã que marcava o relógio da mesa-de-cabeceira. Espreguicei-me com um suspiro profundo e vi-te a meu lado. O meu sorriso encheu-se de alegria. Ainda dormias. O corpo meio destapado virado para o tecto, o teu rosto peludo, que repousava sereno, os olhos fechados com uma delicadeza única. Quis acordar-te com um beijo doce. Debrucei-me sobre ti e encostei os meus lábios no teu ombro nu. Mantive-os lá por uns instantes. Quando me sentiste, sorriste e contorceste-te ligeiramente. Afastei-me um pouco e deixei-te acordar. Levaste as mãos à cara e esfregaste-a várias vezes, ao mesmo tempo que respiravas pesadamente, libertando bocejares pelo meio. Eu apenas assistia a toda a cena, com um sorriso no rosto, impossível de tirar. Quando finalmente terminaste, viraste-te para mim; primeiro, a cabeça e, depois de trocarmos olhares, todo o teu corpo se virou para mim, aproximando-se.
    “Bom-dia”, sussurraste. Senti-me a corar. “Bom-dia”, respondi, tocando o teu nariz com o meu. Tu riste com aquele gesto, o que me fez encolher um pouco, atitude que te deixou um sorriso nos lábios. “Sabes uma coisa?”. Acenei que não. “Se eu pudesse acordar todos os dias contigo a sorrires para mim, era um homem realizado”. Corei ainda mais. E sorri ainda mais. Deste-me um beijo e lançaste-me outro sorriso. “Pequeno-almoço?”, perguntei, encostada a ti. “Já te vou ajudar”, ofereceste-te, beijando-me o nariz. Levantei-me, com a lentidão de quem não quer afastar-se daquele que mais ama, compus o pijama e calcei as meias polares. Enfiei os pés nos chinelos e olhei uma última vez para ti, antes de sair do quarto. O teu corpo estava virado para baixo, espalhado pelo meu lado da cama; a tua mão direita repousava na minha almofada, enquanto a tua perna esquerda parecia abraçar o ar que me substituíra na cama. A tua cabeça tocava a ponta da minha almofada com carinho. Os teus olhos agora sorriam-me. Repliquei-lhes um sorriso mais leve, mais apaixonado, e saí.
    No percurso até à casa-de-banho, revivi a noite que tivéramos: o jantar, feito por nós, o serão, passado a lavar a louça e arrumar tudo o que havia por arrumar numa cozinha, enquanto conversávamos sobre tudo, e a noite que vivêramos, deitados ao lado um do outro, a conversar. Era esta uma das razões pelas quais eu adorava a nossa relação: porque o que mais fazíamos era conversar. E podíamos passar horas nisso. Não interessava o tema; sempre que parecia que já estava esgotado, um de nós lembrava-se de outra coisa qualquer e a conversa continuava. Nem víamos as horas passar. Era simplesmente incrível.
    Chegada à cozinha, cumprimentei o ambiente matinal com um espreguiçar prolongado, em passadas pequenas e lentas. Ainda com a ressaca daquele momento, preparei o meu chá verde e o teu café. Pouco tempo depois, tu aparecias para fazer as nossas sandes, vestindo apenas as calças largas do pijama azul-escuro. Sabias que não podias andar pela cozinha em roupa interior, logo pela madrugada. Era um dos nossos pontos fracos e, portanto, uma situação a evitar. Enquanto observava as tuas costas (como eu me deleitava com as suas costas!), pus os individuais na pequena mesa semicircular e sorri a olhar para eles. Talvez fosse tolo, mas todas as coisas básicas e pequenas que fazíamos em conjunto enchiam-me o coração de felicidade. Porquê? Bem, talvez porque traduziam a existência da nossa relação. Se eu fazia café para além do chá, se eu comprava um pão a mais, se eu punha dois tabuleiros, era porque tinha companhia, era porque estava com alguém, era porque alguém vivia comigo naquele exacto momento. E o melhor disso tudo é que esta cena repetia-se todos os dias. E eu, que odiava rotinas, não me importava nada com esta, porque esta era uma rotina que me completava, que se colava à minha essência, que me encantava.
    Estas ocasiões de reflexão faziam-me parar no tempo, o que, por vezes, te preocupava. Não por serem momentos em que eu paralisava, pensativa, mas por serem instantes que depois me levariam às lágrimas, causadas por toda aquela felicidade que eu sentia. Era como que uma sobrecarga de sentimentos positivos, despoletada por pequenas coisas que me faziam sentir amada. E então, vendo-me assim, tu abraçavas-me, umas vezes com força, outras com uma brandura impressionante, dependendo do que achasses que eu precisava para parar de transbordar tanta felicidade. Quando, finalmente, eu me acalmava, pedia-te desculpas e tu rias-te. Hoje não foi excepção. Mas, desta vez, também tu deixaste cair uma única lágrima, semelhante às inúmeras que eu partilhava contigo, o que me deixou ainda mais feliz. Tu não exteriorizavas assim os teus sentimentos; eras um homem reservado no que tocava a emoções, o que me obrigava a esforçar ainda mais para te entender; e esse esforço era algo que me fazia gostar ainda mais de ti.
    Lá acabámos por conseguir tomar o pequeno-almoço. Conversámos imenso, claro está. Não dizíamos nada de profundo, mas as nossas conversas nunca eram vazias. Fazíamos correr tinta invisível pela atmosfera que nos rodeava como se não houvesse mais nenhuma oportunidade para o fazer. Os sorrisos eram sempre imperadores; essa era outra realidade. Desde que estava contigo, sorrir era daquelas actividades que eu nunca conseguia parar de praticar. E tu, apesar de não sorrires tanto quanto eu, permitias aquele brilho nesse olhar castanho penetrante. Tínhamos maneiras muito diferentes de nos expressarmos, mas essas diferenças completavam-nos. Há quem diga que as almas gémeas pertenciam a um mesmo espírito e corpo, e que, por ordem dos deuses, foram separados em dois, podendo apenas viver felizes se se voltassem a reunir. Não sei se é verdade, mas o que é facto é que só a ideia de estar contigo já me completa.
    Não sou uma namorada chata. Não passo o dia a mandar mensagens, não te ligo à hora de almoço para saber como estás, nem sequer te desejo as boas noites todas as vezes que dormes fora. Tu também não me fazes o mesmo. Não preciso, não precisamos disso. Sabemos que estamos no coração um do outro, que estamos sempre acompanhados, que vamos estar sempre lá um para o outro. Apenas nos momentos mais desalentadores, apenas naqueles instantes em que nada parece estar bem, só nessas alturas é que precisamos de ouvir a voz um do outro, sentir o calor, o amor, um do outro. E, por mais raros que sejam esses pedaços de tempo, quando acontecem, fazem tudo valer a pena.

    O meu relógio de pulso marcava as nove menos um quarto. Esforcei-me para calçar a bota direita, que teimava em não entrar. Tu corrias de um lado para o outro à procura do casaco comprido. Quando finalmente a minha bota entrou e tu encontraste o teu casaco, saímos de casa. Na rua, despedimo-nos com um único beijo e um “até logo”. E aí percebi que, agora, realmente, tudo no mundo fazia sentido...»