És um triste. Tenho
pena de ti e da tua ignorância. Tenho pena do teu egoísmo e da tua vaidade.
Acho decadente a tua falsa preocupação. A tua personalidade manipuladora
enoja-me. O teu egocentrismo nem sei como defini-lo... Mas aquilo que mais me
incomoda no teu ser é a sedução que permanentemente transpiras. Seja com o
olhar, o sorriso, a forma de andar ou até a distância, a tua arte da sedução é
a única coisa verdadeiramente presente. Se fosse uma sedução comum, não
tínhamos ficado a meio caminho da nossa relação. Mas não. Refiro-me àquela aparente
felicidade que de ti transborda. O teu ar feliz seduz qualquer um e eu caí
nessa teia como chuva na terra. O teu ar feliz prende qualquer alma fraca num
limbo emocional que pode levar ao desespero e a minha só de lá saiu há pouco
tempo. Com tanta felicidade, acabei por descobrir que, afinal, eras só
tristeza. Tristeza e solidão. E eu não queria isso para mim. Não outra vez. Gosto
muito de ti, mas aprendi que também tenho de gostar de mim e que, em primeiro
lugar, está a minha felicidade. Gosto de mim o suficiente para evitar perder-me
de novo.
Às vezes, penso que
talvez esteja a tomar a atitude errada, que estarei a ser muito dura contigo.
Estarei a fazer bem em não te dar a atenção que tanto queres? Serei fria por
não te presentear com o amor que tanto precisas? Cortar todas as minhas
ligações contigo terá sido uma boa decisão? Recrimino-me por estas minhas
reacções tão cruas. São a prova da minha lacuna dos ‘meios-termos’; ou gosto ou
não gosto. Gosto de ti. Sempre gostei. As tuas qualidades prendiam-me a alma e
os teus defeitos deleitavam-me o espírito. Gostava de ti pela tua parte boa e
pela parte tantas vezes renegada. A verdade é que, alguns dos teus defeitos,
eram, para mim, realidades apreciáveis numa outra metade. Sim, eu gostava de ti
pelos teus defeitos, mais do que pelas qualidades.
Até que um dia, percebi
que, afinal, esses defeitos traduziam-se no total menosprezo do meu ser. Eu
tomava a tua não correspondência como algo normal, que acontecia com todos
aqueles à tua volta. Percebi que não. Senti-me magoada, claramente. E não pouco
magoada. Foi difícil cair novamente na realidade de ser desprezada. Já não o
sentia na pele há vários anos. Pensei que, talvez, o mundo agora fosse
diferente. Pensei que talvez eu já fosse imune a esses canhões impetuosos.
Afinal, não. Mas percebi a razão do meu coração desfeito. Eu tinha-me entregue
a ti e tu tinhas-me descartado como papel de embrulho. Estavas nos teus dias de
Sol, já não precisavas de mim para iluminar os teus momentos negros, dizer-te
que ainda tudo valia a pena, fazer-te ver que havia quem te quisesse bem sem
pedir nada em troca. Mas a chuva foi-se, a luz veio e eu fiquei para trás.
Deixaste-me pelo caminho, como pó.
Idiota fui eu por
acreditar que eras meu amigo. Não te pedia nada em troca além da tua amizade
sincera e tu nem isso me quiseste dar. Lançavas-me migalhas, mantendo-me presa
nessa narrativa que era a tua vida, fazendo-me acreditar que, de facto, estavas
lá para mim e que não precisavas que
estivesse lá para ti. Descobri as tuas mentiras. Afinal, só me procuravas
quando o teu ego precisava de mim. Não te censuro mais do que deva por isso.
Censuro mais o meu peito por sentir que eras sincero. Atormento o meu coração
por ter caído nessa ilusão que eras tu. Entristeço-me por me saber triste de te
ter perdido, quando, aparentemente, apenas tive a tua máscara.
És um traste. Finges
estar bem, finges ser feliz e, por baixo de tudo isso, está um homem solitário
que apenas quer manter o seu ego saciado por um período de tempo considerável.
Pior que isso é nem saber admiti-lo. Não suportas estar só porque não sabes
estar só. Procuras as pessoas só para te manter ligado ao mundo, dizer que
existes e que consegues sobreviver à tona de água sem te entregares. No final
do dia, voltas a conhecer a profundidade em que te deixaste cair. Infelizmente,
ainda sinto afecto por ti. E talvez seja por isso que ainda te escreva. Eu sei
o que poderia ter feito por ti, o que te poderia ter ajudado sem nunca me
envolver. Sei bem como te poderia resgatar da solidão apenas com um ombro
amigo. Também sei que tentei; acredita que sei e que tenho certezas disso. Mas
quando percebi que não era por mim que querias ser ajudado, desisti. Percebi
que estava a gastar as minhas forças, a minha bondade, a minha essência em
alguém que, para além de não me valorizar, nunca quis ser meu, nunca quis
pertencer ao meu mundo.
Sinto-me virada do
avesso. Sinto-me demasiado ferida, quase vazia. Talvez a realidade não seja
assim tão dura. Talvez a minha cegueira fosse propositada. Eu sabia como é que
tu eras. Apenas escolhi deixar isso de lado para te poder observar melhor,
perceber exactamente o que te caracterizava. Talvez a minha cegueira
disfarçasse a minha vontade de conhecer o quê e o porquê de me prenderes tanto
a ti. E agora que sou capaz de te ver de novo, de olhar o mundo com outros
olhos, perceba a minha atitude e a dor no meu coração. Amei-te como amiga e tu
nada me deste de volta. Tu apenas tiraste. Deixaste-me incompleta.
És um triste. E eu não
estou assim tão despedaçada...
"I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
And I've been waiting for this moment for all my life, Oh Lord
Can you feel it coming in the air tonight, oh Lord, oh Lord
Well, if you told me you were drowning
I would not lend a hand
I've seen your face before my friend
But I don't know if you know who I am
Well, I was there and I saw what you did
I saw it with my own two eyes
So you can wipe off that grin,
I know where you've been
It's all been a pack of lies
And I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
Well, I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord
I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
And I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord, oh Lord
Well I remember, I remember don't worry
How could I ever forget,
It's the first time, the last time we ever met
But I know the reason why you keep your silence up,
No you don't fool me
The hurt doesn't show
But the pain still grows
It's no stranger to you and me
And I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
Well, I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord
I can feel it in the air tonight, oh Lord, oh Lord
But I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord
I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
But I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord
I can feel it in the air tonight, oh Lord, oh Lord, oh Lord
But I've been waiting for this moment for all my life, oh Lord, oh Lord"