Que músicas já foram comentadas. . .

"Long Live", Taylor Swift ; "Mean", Taylor Swift ; "Better than Revenge", Taylor Swift ; "Closer to the Edge", 30 Seconds To Mars ; "Nashville", David Mead ; "Count On Me", Bruno Mars ; "Won't Go Home Without You", Maroon 5 ; "I don't wanna miss a thing", Aerosmith ; "Both of Us", B.o.B ft Taylor Swift ; "Somebody", Lemonade Mouth ; "Stay, Stay, Stay", Taylor Swift ; "Two is Better than One", Boys Like Girls ft Taylor Swift (desculpem, não consegui resistir!) ; "Sorte Grande", João Só e Abandonados ft Lúcia Moniz ; "Unbelievable", EMF ; "Hey Stephen", Taylor Swift ; "Fairy Tail", Yasuharu Takanashi (instrumental) ; "Predestination", Fairy Tail (instrumental) ; "Kanashiki Kako", Fairy Tail (Instrumental) ; "Puedes ver pero no tocar", RBD ; "I Knew You Were Trouble", Taylor Swift ; "Coming Home", Diddy ; "Never Grow Up", Taylor Swift ; "Wherever You Will Go", The Calling ; "Chasing Cars", Snow Patrol ; "Demons", Imagine Dragons ; "Beneath Your Beautiful", Labrinth ft Emile Sandé ; "Fantastic Dream", Kaleido Star (Instrumental) ; "A Pele que há em Mim", Márcia com J.P. Simões ; "The Diary of Me", Taylor Swift ; "Impossible", James Arthur ; "I'm Only Me When I'm With You", Taylor Swift ; "A Different Beat", Little Mix ; "All of Me", John Legend ; "Staring at It", SafetySuit ; "A Thousand Years", Chritina Perri ft Steve Kazee ; "Ordinary Love", U2 ; "Stop This Train", John Mayer ; "Radioactive", Imagine Dragons ; "Thinking of You", Katy Perry ; "One Last Time", Ariana Grande ; "Edge of Desire", John Mayer ; "Almost Home", Alex and Sierra ; "What I Did For Love", David Guetta ft. Emeli Sandé ; "My Songs Know What You Did in the Dark", Fall Out Boy ; "Dança", Pólo Norte ; "O Tempo Não Pára", Mariza ; "Long Live", Taylor Swift (2ª versão) ; "Roman Holiday", Halsey ; "Breathe Me", Sia ; "Até ao Verão", Ana Moura ; "Hands to Myself", Selena Gomez ; "Jet Black Heart", 5 Seconds of Summer ; "Let Me Go", Avril Lavigne ft Chad Kroeger ; "Kings and Queens", 30 Seconds to Mars" ; "Todos os Dias", Paulo Sousa ; "Paris", The Chainsmokers ; "In The Blood", John Mayer ; "Stangeness and Charm", Florence and The Machine ; "Another Day In Paradise", Phil Collins ; "Bedshaped", Keane ; "In The Air Tonight", Phil Collins ; "Ordinary World", Duran Duran ; "Trevo (Tu)", Anavitória ft. Diogo Piçarra ; "If I Ain't Got You", Alicia Keys ; "Blinding", Florence and The Machine ; "Someone That Cannot Love", David Fonseca ; "Yellow", Coldplay ; "Promise", Ben Howard ; "The Whole of the Moon", The Waterboys ; "Let it Go", James Bay ; "Believe", Mumford & Sons ; "Say Something", A Great Big World ft. Christina Aguilera ; "Gold Rush", Taylor Swift ; "Blinding Lights", The Weeknd ; "É Isso Aí", Ana Carolina ft. Seu Jorge ; "Renegade", Big Red Machine ft. Taylor Swift ; "lovely", Billie Eilish ft. Khalid ; "The Only Exception", Paramore ; "You're Losing Me", Taylor Swift ; "The Story", Brandi Carlile ; "Guilty as Sin?", Taylor Swift ;

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

"Radioactive", Imagine Dragons

    “Inspirei fundo, silenciosamente, expirando, de seguida, sem qualquer ruído. Sentia o frio do chão do palco a abraçar-me os pés, cobertos apenas pelas mini meias transparentes, mas não o permiti fazê-lo. Devagar, levantei-os um a um e rodei-os, vagarosamente, com a destreza de uma ginasta. Remexi os ombros e a cabeça, inclinando-me, depois, para trás, estendo os braços, tentando fazê-los tocar nos calcanhares. Voltei à postura inicial e debrucei-me para a frente, agarrando os tornozelos com as mãos. Pus-me direita, novamente, e repeti a respiração. Conseguia sentir a ansiedade do público, a expectativa, a impaciência. Olhei para os meus colegas e amigos, de pé, atrás de mim, à espera do meu sinal para entrarmos em cena. Todos estávamos ansiosos pela estreia de «Revoluções». Trabalhámos muito para esta peça e esperávamos que o primeiro acto fosse um sucesso. Lembrei-me das inúmeras reuniões onde discutimos as coreografias, os cenários, as músicas, as roupas, tudo. O Zé é mesmo um génio, pensei, sorrindo, quando me lembrei do meu melhor amigo — e irmão por afinidade — a dirigir essas reuniões.
    Olhei o cenário. O texto introdutório à peça, projectado na tela, no fundo do palco, estava a chegar ao fim. Quando acabou a mensagem ao público, foram aparecendo as assinaturas de todos os membros da nossa companhia, como se eles as estivessem a escrever na tela, com esferográficas coloridas e brilhantes. Virei-me para os meus colegas e chamei-os com gestos, avisando-os de que estávamos prestes a entrar em cena. Todos ficaram atentos, ganhando uma nova dose de energia, entusiasmo e emoção. Lancei-lhes outro olhar. Eles começaram a aquecer o corpo, sacudindo os braços e as pernas e dando uns saltinhos, ao mesmo tempo que rodavam a cabeça. Olhei, de novo, para a tela de projecção: vi surgir o logótipo da companhia, com o nome completo por baixo: “Encarnar a História - Companhia de Artes Performativas”. Voltei a encarar os meus colegas e fiz-lhes um olhar promissor e um sorriso entusiasta.

    Por segundos, pensei nas nossas indumentárias e adereços. As duas únicas peças exactamente iguais que tínhamos em comum eram um par de boxers pretos e uma pequena “caixa”, que transportávamos às costas, tipo mochila; tudo o resto era diferente. Dependendo daquilo que iríamos representar (e do género, claro está), as roupas mudavam.
    Os homens usavam uma espécie de camisola transparente, de mangas compridas, à moda do século XVIII, feita de um tecido tipo seda. Não tinha botões e era aberta à frente, até metade do tronco, sendo que, atrás, tinha um buraco propositado, onde encaixava a pequena mochila. Na cintura, usavam um cinto preto, de onde pendiam algumas mechas de couro entrançado, decoradas com contas azúis, brancas ou vermelhas, florescentes e brilhantes. As pernas estavam cobertas com collants quase transparentes, salpicados com pontos luminosos azúis, em filas verticais. Os pés não tinham qualquer protecção, assim como as mãos. Em cada tornozelo, tinham uma bracelete grossa, dourada, a imitar ouro, todas diferentes, mas todas decoradas com motivos florais, em relevo. A cara estava pintada com três riscas diagonais luminescentes, cada uma no sentido descendente (deitadas para a esquerda): uma azul, uma vermelha e uma branca. Na cabeça, usavam uma espécie de elmo, feito de tule preto, translúcido, que lhes resguardava apenas a cara, deixando transparecer as pinturas luminosas e o azul brilhante das lentes de contacto especiais.
    As mulheres usavam uma espécie de soutien desportivo sem alças, azul ou vermelho, coberto com uma mecha de tecido branco transparente, como a camisola masculina, que cruzava sobre o peito, dando uma volta no pescoço e atando no fundo das costas, mesmo por baixo da mochila. Na cintura, tinham um cinto preto, igual aos dos homens, que suportava a saia toda recortada. Era uma daquelas saias que eram mais curtas à frente e mais compridas atrás, aumentando a cauda, na diagonal. Porém, o tecido sedoso tinha sido cortado em madeixas verticais e essas madeixas tinham sido entrançadas e decoradas com contas luminosas azuis, vermelhas ou brancas. Quando as raparigas se fossem mexer, as tranças dançavam com elas e, quando estivessem paradas, as tranças voltavam à “formação de saia”. As pernas tinham sido pintadas, desde as pontas dos pés até às ancas, com as cores luminosas que decoravam os collants masculinos. Os pés estavam calçados com mini meias e as mãos estavam cobertas com luvas curtas, de um tule branco transparente, que acabavam com folhos, no pulso. Nas costas de cada luva, estava desenhada uma estrela de nove pontas ou um qualquer símbolo de alquimia. As unhas estavam pintadas com as cores da bandeira francesa e, nos ombros, carregavam ombreiras douradas, com motivos florais desenhados em relevo. Na cara, tinham as mesmas pinturas que os companheiros, mas no sentido oposto (inclinadas para a direita). Nos seus olhos, também usavam lentes de contacto luminosas, mas prateadas, em vez do “azul-relâmpago” masculino. Na cabeça, suportavam um diadema de renda branca, que começava na cana do nariz e ia abrindo, cobrindo a testa com desenhos campestres. Eu estava vestida desta maneira, mas tinha mais um acessório: uma capa translúcida, branca, até ao chão, tipo imperador, que pendia das minhas ombreiras e que estava enfeitada com pontos luminosos, que se iam dissipando, debaixo para cima.
    Realmente, tínhamos feito um excelente trabalho com os seis trajes diferentes que criáramos para o guarda-roupa de “Revoluções”, mas este que representava a Revolução Francesa era o meu favorito. Além do mais, eu iria encarnar a Liberdade, que conduzia a Nação Francesa para uma nova era. Quem é que não gosta de ser o protagonista de vez em quando?

    De repente, as luzes apagaram-se e o pano preto caiu, escondendo o palco do público. Começou a ouvir-se o som de trovões fortes a explodir pela sala, ao mesmo tempo que se viam luzes que se equiparavam a relâmpagos tempestuosos. Ansiosos e concentrados, corremos para o palco e posicionámo-nos conforme tínhamos coreografado: fazíamos um grande quadrado que ocupava todo o palco, deixando uma distância razoável entre cada um de nós. Eu ficava na última fila, mas numa posição central. Seria a primeira a começar. Estava nervosa por isso, mas também estava entusiasmada por “liderar as tropas”, pela primeira vez, em cinco anos de Companhia. Os meus colegas deitaram-se e encolheram-se, fechando-se como conchas, sobre si mesmos. Ajudei o pessoal dos bastidores a estender um grande lençol preto por cima dos meus companheiros, tapando-os. Esse pano servia para esconder, principalmente, a luz que eles emanavam, e iria ser retirado no momento oportuno. Ligou-se o projector atrás da tela onde iria passar um vídeo que ambientava este acto: apareceriam luzes aleatórias e cenários franceses ao longo da nossa actuação. Fiz sinal aos meus colegas, indicando que estava tudo pronto. Eles foram acenando uns aos outros, transmitindo a mensagem. Ouviu-se um trovão mais forte, que nos serviu de aviso. A tempestade fictícia abrandou um pouco. Então, deitei-me numa posição como se tivesse acabado de desmaiar. Vi “Acto I – Liberdade, Igualdade, Fraternidade” projectado à minha frente, no pano preto do palco. O pano começou a subir. Inspirei fundo, fechei os olhos e encarnei a personagem. Ia começar.
    Começou a tocar a banda sonora escolhida: “Radioactive”, dos Imagine Dragons. O vídeo começou com luzes que dançavam ao som da música. Timidamente, as três luzes do palco — azul, vermelha e branca — começaram a aparecer. Quando começou a letra, comecei a desencostar-me do chão, com um ar atordoado. Sentada, levei o braço direito ao peito e fingi estar com dores. Quando deu a parte da respiração, fingi inspirar e expirar, com força, como se expelisse a dor e inspirasse o poder. Com um olhar triunfante, fui-me levantando, com a teatralidade de um indígena, movimentando os ombros e arrastando o corpo, à medida que ficava totalmente de pé. Caminhei com uma pose delicada, mas vitoriosa, com os olhos que transmitiam a energia do fogo que sentia pelo corpo todo. Os ombros acompanhavam as pernas contrárias, num caminhar poderoso. Estava quase a chegar o refrão quando eu parei na frente do palco e olhei de relance o público, com um olhar intenso e ardente. “I’m waking up”: estendi o braço direito, para o lado, o esquerdo para o outro e debrucei-me para a frente, numa espécie de vénia; o pano preto que escondia os meus colegas foi puxado pelos bastidores, de repente, ao mesmo tempo que fiz o meu cabelo voar para trás, quando levantei a cabeça e os braços, rápida e imperiosamente. Os meus companheiros levantaram-se de uma só vez, cabisbaixos e apáticos. “I feel it in my bones”: voltei a estender um braço para cada lado, fingindo agarrar as cordas invisíveis que prendiam os meus colegas e comecei a dançar ao som da música, mexendo os braços, as pernas, a cabeça, o corpo todo como tínhamos ensaiado, numa dança quase ritualística. Os meus companheiros imitavam-me, como marionetas humanas que começavam a ganhar vida e livre-arbítrio. “Welcome to the new age”: dávamos passos para a frente e para trás, com um ar possante e imperial, como se mandássemos naquilo tudo. “I’m radioactive”: agitávamos o corpo como uma espiral, repleta de poder e ambição, movendo o corpo ao ritmo da música. Ao longo de toda esta primeira cena, as luzes do palco e as luzes projectadas na tela acompanhavam-nos no sentimento e ambiente que se criara. Sentia-se a batida da música no peito, como se ela estivesse a invadir o nosso coração; quase como se estivéssemos possuídos por ela. E o objectivo era esse.
    “I raise my flags”: com os meus colegas “transformados” em pessoas, peguei num ceptro, que um deles me entregou, e puxei um fio do topo, com força, de onde saiu a bandeira francesa. “And dye my clothes”: começou a chover uma espécie de pó azul, que pintava os nossos corpos e o palco, ao mesmo tempo que a tela apresentava um vídeo aéreo de como seria Paris nos tempos pré-Revolução. Eu agitava a bandeira de um lado para o outro, enquanto caminhava até ao fundo do palco. “It’s a revolution, I suppose”: com uma atitude provocatória, espetei o ceptro num trono vermelho e dourado, exuberante, posto pelo pessoal dos bastidores durante a nossa actuação inicial. “We’re painted red to fit right in”: caminhei de volta ao centro do palco, seguida pelos meus colegas, ao mesmo tempo que choviam pétalas de um vermelho-sangue, inundando o cenário. “I’m breaking in”: dançámos todos juntos até ao fim do refrão, repetindo passos e apresentando novos movimentos, à medida que o vídeo da tela se começava a focar na Bastilha, uma prisão que se apresentava como símbolo da monarquia absoluta. Mas a nossa Bastilha era diferente: correspondia a uma grande torre de pedra, no meio de uma praça, e que tinha inscrita, na vertical, em si mesma, a palavra “Bastilha”. Os nossos gestos quase loucos acompanhavam as luzes e a música, transmitindo sentimentos fortes que envolviam sempre as mesmas palavras: poder, ambição, força, loucura, enfim, Revolução. Íamos percorrendo o palco, trocando de posições, dando tempo ao pessoal dos bastidores para fazer os últimos arranjos para o clímax da nossa actuação.
    “All systems go”: as luzes acalmaram, assim como os nossos movimentos e expressões faciais. Enquanto voltávamos às posições iniciais, dançando devagar e com uma teatralidade pouco luxuriante, levávamos os braços atrás, à mochila que tínhamos nas costas, e íamos puxando, muito devagar, os dois fios, cruzados, que fechavam o nosso equipamento especial. Todos estávamos coordenados e ansiosos para o grande final. Conseguia sentir o entusiasmo e a expectativa dos meus colegas, do pessoal dos bastidores, do público e até dos seis colegas que estavam a filmar o espectáculo, a partir de seis perspectivas diferentes. Apesar da tomada da Bastilha ter acontecido num dia de Verão, decidimos apresentá-la como um acontecimento de uma noite de Inverno, tempestuosa, imponente, sem tréguas. Parecia ficar mais na memória, daí também termos escolhido aquela música. “Straight from inside”: era agora.
    “I’m waking up”: todos puxámos os fios ao mesmo tempo. As mochilas abriram-se. Um par de asas verticais, pintadas com as três cores – luminosas – da bandeira francesa, saiu disparada das nossas costas. Em simultâneo, na tela, via-se o desmoronamento da Bastilha, em slow motion. Confettis negros caiam do tecto. A música batia forte nos nossos corpos, sentindo-se cada instrumento e letra como se fossem objectos físicos. A nossa dança tornou-se extremamente forte, expressiva, épica e com alguns traços robóticos. Ouvia-se, como barulho de fundo, e via-se, em substituição das luzes “normais”, os relâmpagos e os trovões que tinham iniciado a nossa actuação. Tudo acontecia ao mesmo tempo, num misto de danças, luzes, cenários e sentimentos demasiado potentes, que pareciam fazer explodir tudo e todos. O público estava ao rubro e nós também. Era incrível.

    Quando a música acabou, tudo ficou às escuras e o pano preto do palco caiu, de repente, escondendo-nos do público. Inspirei e expirei fundo, como se tivesse aguentado aquele suspiro durante toda a actuação. Ouvimos a plateia a aplaudir, mas não perdemos tempo e saímos do palco a correr, enquanto o pessoal dos bastidores limpava o chão e tirava o grande trono do cenário, para o próximo grupo entrar em cena. Quando já estávamos fora do palco, sorrimos uns para os outros, abraçamo-nos e felicitámo-nos pela nossa actuação. Estávamos cansados, mas eufóricos e com vontade de repetir toda a cena que acabáramos de apresentar. O público ainda aplaudia, entusiasmado. Caminhámos para os bastidores, para mudarmos de roupa e de pinturas; enfim, para trocarmos de personagens. O segundo grupo, que ia entrar agora em cena, iria representar a revolução industrial e nós íamo-nos preparar para a terceira cena: as revoluções de 1848. Ainda se ouviam os aplausos do público, quando o teatro foi tomado pelos sons da máquina a vapor. A sensação de primeira missão cumprida invadiu-me por momentos. Sorri, orgulhosa. Tínhamos começado bem.”

"I’m waking up to ash and dust
I wipe my brow and sweat my rust
I’m breathing in the chemicals
I’m breaking in and shaping up
Then checking out on the prison bus
This is it, the apocalypse

Ohohoh
I’m waking up
I feel it in my bones
Enough to make my system blow
Welcome to the new age
To the new age
Welcome to the new age
To the new age
Ohohohohohohoh
I’m radioactive
Radioactive
Ohohohohohohohoh
I’m radioactive
Radioactive

I raise my flag and dye my clothes
It’s a revolution, I suppose
We’re painted red to fit right in
Ohohoh
I’m breaking in and shaping up
Then checking out on the prison bus
This is it, the apocalypse

Ohohoh
I’m waking up
I feel it in my bones
Enough to make my system blow
Welcome to the new age
To the new age
Welcome to the new age
To the new age
Ohohohohohohohoh
I’m radioactive
Radioactive
Ohohohohohohohoh
I’m radioactive
Radioactive

All systems go
The sun hasn’t died
Deep in my bones
Straight from inside

I’m waking up
I feel it in my bones
Enough to make my system blow
Welcome to the new age
To the new age
Welcome to the new age
To the new age
Ohohohohohohohoh
I’m radioactive
Radioactive
Ohohohohohohohohoh
I’m radioactive

Radioactive"

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

"Stop This Train", John Mayer

    Esta primeira mensagem de 2015 deveria ter sido publicada há mais tempo, mas tempo é uma coisa que me tem faltado... Mas aqui está ela...
    Não venho escrever os meus desejos para este novo ano, nem os venho pedir. Não venho escrever sobre como quero que o novo ano seja cheio de coisas boas e esses 'etc' que todos conhecemos. Venho mostrar-vos como foi o meu 2014.

    O ano que passou foi - e será - um dos que mais me marcou. Foi um ano difícil, entusiasmante, depressivo e alucinante. Em poucas palavras, foi um ano de extremos. Esse extremismo mostrou-se muito mais nos meses de Janeiro e nos últimos três meses do ano. Houve tantos momentos de felicidade e tantos de desespero que lhes perdi a conta, e foram momentos que atingiram os limites desses sentimentos. O desespero esteve demasiado perto do precipício, a felicidade demasiado próxima da realização pessoal. Esses momentos levaram-me aos limites: de um momento para o outro, tornava-me numa bomba-relógio. À mínima coisa, explodia: quase sempre essa explosão aparecia como um mau humor exacerbado. Houve muitas alturas - demasiadas - em que me apetecia chorar infinitamente, ou gritar como se não houvesse amanhã... Até mesmo desistir de tudo... Esses impulsos revelaram-se demasiadas vezes. É claro que essa transformação para 'bomba-relógio' desaparecia tão depressa quanto aparecia. A sensação era mais parecida como o desmoronamento e a reconstrução de um edifício: num momento, o edifício está de pé, no outro, tiram-lhe um tijolo e todo ele cai, como se nada pudesse ser feito para o evitar. E nada pode ser feito... Às vezes, nem todas as mãos amigas que temos conseguem manter esse edifício emocional de pé, porque falta sempre um tijolo. Aquele tijolo que é retirado, mas que volta ao lugar depois do desmoronamento, para depois cair de novo, num ciclo que, nos últimos três meses, pareceu repetir-se vezes sem conta. Ainda não defini bem o que representa esse tijolo, mas sei que ele é o que torna o meu edifício emocional uma área tão instável. Mexe comigo como se só ele importasse. É óbvio que tudo isto se fez sentir em todos os aspectos da minha vida…
    A primeira área a ser afectada por estes desmoronamentos é sempre a mesma: os estudos. Por mais que tente, os estudos são logo abalroados por uma onda de negativismo, desatenção e desprezo. Parece que quase não sobra um fôlego para os aguentar. Este semestre que passou, então, foi o declínio total. Dei por mim a fazer contas para saber quantos valores precisava para ir a recurso, coisa que nunca acontecera. Também dei por mim a ter uma média de horas de sono de cerca de três horas... Tinha a sensação que me esforçava mais do que nos outros semestres, que me esforçava mais do que o costume, que me esforçava mais do que aquilo que devia, mas os resultados só pareciam piorar. Havia alturas que parecia trocar de personalidade: num dia, trabalhava imenso, e no dia a seguir, já não queria saber daquilo para nada… Para além de me sentir mal com tudo o que me acontecia, ainda ficava mais irritada comigo mesma por não conseguir ultrapassar as adversidades. Lembro-me de uma conversa com um professor sobre uma apresentação oral e as minhas exactas palavras foram: "stor, desculpe a sinceridade, mas não estou com cabeça para isto; não tenho nem paciência nem vontade". Perguntei-me a mim mesma se o professor iria ou perder a cabeça ou desatar a rir. Nem uma coisa nem outra. Simplesmente manteve a postura e compreendeu. "Não posso fazer nada se o problema for pessoal", respondeu, com calma. Sorri-lhe, com agradecimento e serenidade, e terminei a conversa com a seriedade necessária. Porém, esse professor não foi o único que viu o meu lado pessoal (nem que fosse apenas uma "amostra"). Houve, pelo menos, outros dois professores que, sinceramente, me ajudaram imenso. Talvez, nem o saibam. Pelo menos, ainda. Mas uma simples conversa pode ajudar uma pessoa a enfrentar mais uma semana no caos em que vive, emocionalmente. Um desses professores chegou até ao meu coração e viu e conheceu, há bem pouco tempo, o meu lado mais pessoal, mais humano. Todos os meus medos, inseguranças, problemas e fantasmas... Essa pessoa descobriu-os a todos, numa conversa profunda, extra-curricular. Sim, os professores não são psicólogos, mas, por vezes, fazem esse trabalho melhor que ninguém. E essa pessoa terá para sempre um lugar no meu coração, independentemente do que acontecer no futuro. Devo-lhe muito... Aliás, talvez me tenha salvado de muita coisa, se é que me entendem...
    Porém, depois dos estudos, quem sofre são a família e os amigos. Ainda que eu aguente bem a corrente negativista, para mantê-la apenas nos estudos, por vezes, deixo de poder controlá-la e ela começa a afectar os meus relacionamentos dentro e fora da faculdade. Mau humor, respostas tortas, atitudes provocatórias e pouca paciência são algumas das coisas com que os amigos e família tiveram (e têm) que lidar, durante este período. Sinto-me mal por transmitir-lhes um dos meus piores lados. Sinto-me mais triste por eles do que por mim. É quase como se ficasse de rastos por deixar o meu negativismo afectar os que me são mais queridos… É quase indescritível, tanto desespero, ansiedade e medo…


    Por isso, quero recordar pouco deste ano que passou… Aliás, o pouco que quero recordar que sejam só os bons momentos, porque é a isso que me quero agarrar. Eu sei que as adversidades tornam-me mais forte e dão-me experiência, mas, sinceramente, começo a deixar de querer saber disso…

"No, I'm not color blind
I know the world is black and white
Try to keep an open mind
But I just can't sleep on this tonight

Stop this train
I wanna get off and go home again
I can't take the speed it's moving in
I know I can't, but honestly
Won't someone stop this train?

Don't know how else to say it
Don't wanna see my parents go
One generation's length away
From fighting life out on my own

Stop this train
I wanna get off and go home again
I can't take the speed it's moving in
I know I can't, but honestly
Won't someone stop this train?

So scared of getting older
I'm only good at being young
So I play the numbers game to find a way
To say that life has just begun
Had a talk with my old man
Said "help me understand"
He said "Turn 68, you'll renegotiate"
Don't stop this train
Don't for a minute change the place you're in
And don't think I couldn't ever understand
I tried my hand
John, honestly, we'll never stop this train

Once in a while when it's good
It'll feel like it should
And they're all still around
And you're still safe and sound
And you don't miss a thing 'til you cry
When you're driving away in the dark

Singing, stop this train
I wanna get off and go home again
I can't take this speed it's moving in
I know I can, 'cause now I see
I'll never stop this train"