Que músicas já foram comentadas. . .

"Long Live", Taylor Swift ; "Mean", Taylor Swift ; "Better than Revenge", Taylor Swift ; "Closer to the Edge", 30 Seconds To Mars ; "Nashville", David Mead ; "Count On Me", Bruno Mars ; "Won't Go Home Without You", Maroon 5 ; "I don't wanna miss a thing", Aerosmith ; "Both of Us", B.o.B ft Taylor Swift ; "Somebody", Lemonade Mouth ; "Stay, Stay, Stay", Taylor Swift ; "Two is Better than One", Boys Like Girls ft Taylor Swift (desculpem, não consegui resistir!) ; "Sorte Grande", João Só e Abandonados ft Lúcia Moniz ; "Unbelievable", EMF ; "Hey Stephen", Taylor Swift ; "Fairy Tail", Yasuharu Takanashi (instrumental) ; "Predestination", Fairy Tail (instrumental) ; "Kanashiki Kako", Fairy Tail (Instrumental) ; "Puedes ver pero no tocar", RBD ; "I Knew You Were Trouble", Taylor Swift ; "Coming Home", Diddy ; "Never Grow Up", Taylor Swift ; "Wherever You Will Go", The Calling ; "Chasing Cars", Snow Patrol ; "Demons", Imagine Dragons ; "Beneath Your Beautiful", Labrinth ft Emile Sandé ; "Fantastic Dream", Kaleido Star (Instrumental) ; "A Pele que há em Mim", Márcia com J.P. Simões ; "The Diary of Me", Taylor Swift ; "Impossible", James Arthur ; "I'm Only Me When I'm With You", Taylor Swift ; "A Different Beat", Little Mix ; "All of Me", John Legend ; "Staring at It", SafetySuit ; "A Thousand Years", Chritina Perri ft Steve Kazee ; "Ordinary Love", U2 ; "Stop This Train", John Mayer ; "Radioactive", Imagine Dragons ; "Thinking of You", Katy Perry ; "One Last Time", Ariana Grande ; "Edge of Desire", John Mayer ; "Almost Home", Alex and Sierra ; "What I Did For Love", David Guetta ft. Emeli Sandé ; "My Songs Know What You Did in the Dark", Fall Out Boy ; "Dança", Pólo Norte ; "O Tempo Não Pára", Mariza ; "Long Live", Taylor Swift (2ª versão) ; "Roman Holiday", Halsey ; "Breathe Me", Sia ; "Até ao Verão", Ana Moura ; "Hands to Myself", Selena Gomez ; "Jet Black Heart", 5 Seconds of Summer ; "Let Me Go", Avril Lavigne ft Chad Kroeger ; "Kings and Queens", 30 Seconds to Mars" ; "Todos os Dias", Paulo Sousa ; "Paris", The Chainsmokers ; "In The Blood", John Mayer ; "Stangeness and Charm", Florence and The Machine ; "Another Day In Paradise", Phil Collins ; "Bedshaped", Keane ; "In The Air Tonight", Phil Collins ; "Ordinary World", Duran Duran ; "Trevo (Tu)", Anavitória ft. Diogo Piçarra ; "If I Ain't Got You", Alicia Keys ; "Blinding", Florence and The Machine ; "Someone That Cannot Love", David Fonseca ; "Yellow", Coldplay ; "Promise", Ben Howard ; "The Whole of the Moon", The Waterboys ; "Let it Go", James Bay ; "Believe", Mumford & Sons ; "Say Something", A Great Big World ft. Christina Aguilera ; "Gold Rush", Taylor Swift ; "Blinding Lights", The Weeknd ; "É Isso Aí", Ana Carolina ft. Seu Jorge ; "Renegade", Big Red Machine ft. Taylor Swift ; "lovely", Billie Eilish ft. Khalid ; "The Only Exception", Paramore ; "You're Losing Me", Taylor Swift ; "The Story", Brandi Carlile ; "Guilty as Sin?", Taylor Swift ;

domingo, 30 de agosto de 2015

"Long Live", Taylor Swift (2ª versão)

    Três anos... Três curtos anos que passaram num piscar de olhos desde que comecei este blogue. Ele acompanhou-me nos momentos bons, nos momentos menos bons, naqueles momentos indescritíveis, naqueles impossíveis de crer... Momentos que marcaram, outros que passaram ao lado... Mudei eu, mudou o mundo, mudou tudo, mas tudo permaneceu como era antes. Três anos... Curioso como este blogue caminhou ao lado da minha jornada académica... Ele é prova escrita de muito daquilo por que passei nos meus três anos de licenciatura. Ele é juiz de desavenças, detective de sentimentos e salvador de paisagens negras que invadiram a minha vida. Perdi muito, ganhei outro tanto, encontrei-me e encontrei os outros, assim como fiz os outros encontrarem-se a eles mesmos. Prometi, esqueci, recordei, gritei, chorei, sorri, ri sem deixar rasgos de tristeza nos meus olhos... Lutei, lutei muito, principalmente contra mim mesma; resolvi-me, sentei-me numa conversa profunda comigo própria... Descobri-me...
    Três anos... Três anos de pura mudança... Cresci tanto em tão pouco tempo que até parece mentira! A sério! Acho que estes três anos foram aqueles três anos que mais me marcaram até hoje. Se formos fazer uma comparação com aquilo que eu era em Agosto de 2012 e aquilo que eu sou hoje, quero dizer... não há comparação possível! Apenas as minhas bases continuam as mesmas; tudo o resto mudou. Foram novos os olhares, os sorrisos e os sentimentos, as discussões, as palavras e as atitudes. Coisas que nunca imaginei dizer saíram-me da boca como se de algo perfeitamente normal se tratasse; coisas que nunca imaginei sentir percorreram-me os dedos até às teclas do meu computador, desenhando emoções nunca antes vistas, que gritavam por vivências nunca antes tidas. Amores e desamores, amizades e desamizades, família que não precisa do sangue para ser família, amigos... Pensamentos curiosos, indecentes, reflexivos e amorosos... Atitudes egoístas, solidárias, imperceptíveis... Lágrimas partilhadas, sofrimento repartido... Alegria nascida e criada, renascida e compensada... Discussões de alta patente, ideias e opiniões vincadas, testadas uma e outra vez... Capacidades postas à prova vezes sem conta, desavenças ricas e desnecessárias, reveladoras do meu lado mais explosivo, assustando aqueles que não aguentavam com tamanha reviravolta... Derrubaram-se falsos e ilusórios tronos e construíram-se cadeiras àqueles que sempre lutaram e nunca tiveram descanso, nem reconhecimento. Ligaram-se corações, cozeram-se os seus pedaços, cicatrizaram-se as feridas para que, no momento a seguir, tudo se desmoronasse de novo... Vivi, revivi, renasci, mostrei-me, expus-me ao mundo...
    Três anos... Três anos que me irão marcar para sempre... Pelo bom, pelo mau, pelo que foi e pelo que deixou de ser. Três anos que, espero, tenham mudado a vida de quem eu mais gosto, para melhor, claro. Foram altos e baixos, ataques e contra-ataques, agir e reagir, superar... Aprendi muito, francamente... Reflecti muito, também... As memórias são imensas que é difícil escolher... Sinceramente, só espero uma coisa destes três anos: que tenham o meu nome nas páginas do livro da vida daqueles que mais amo neste mundo; que lhes tenha deixado espaço para mim no seu coração, que se recordem de mim nas pequenas coisas... Espero que se lembrem que estive a acompanhá-los de perto ou de longe durante três curtos anos... Espero que perdure na sua memória até aos seus bisnetos... Espero ser eterna nas pessoas que marquei... Sei que parece egoísta e talvez até seja. Mas uma coisa é certa: essas pessoas, que me marcaram por todo um mundo ou apenas por um olhar, serão eternas para mim... Se há coisa que não me esqueço é das pessoas, mesmo quando elas já se esqueceram de mim...
    Por isso, esta mensagem é para todos aqueles que me acompanharam nestes três anos tão instáveis, tão diferentes... Obrigada por estarem lá, obrigada por me fazerem ver os meus defeitos e as minhas qualidades. Obrigada por me apresentarem ao mundo, por me darem a conhecer novos sentimentos, novas emoções e novos significados para as palavras do meu dicionário pessoal. Obrigada por tudo, mesmo que achem que não fizeram nada... Obrigada por existirem...

"I said remember this moment in the back of my mind
The time we stood with our shaking hands
The crowds in stands went wild
We were the Kings and the Queens
And they read off our names
The night you danced like you knew our lives
Would never be the same
You held your head like a hero
On a history book page
It was the end of a decade
But the start of an age

Long live the walls we crashed through
How the kingdom lights shined just for me and you
I was screaming long live all the magic we made
And bring on all the pretenders
One day, we will be remembered

I said remember this feeling
I pass the pictures around
Of all the years that we stood there
On the side-lines wishing for right now
We are the Kings and the Queens
You traded your baseball cap for a crown
When they gave us our trophies
And we held them up for our town
And the cynics were outraged
Screaming, "This is absurd!"
Cause for a moment a band of thieves
In ripped up jeans got to rule the world

Long live the walls we crashed through
How the kingdom lights shined just for me and you
I was screaming long live all the magic we made
And bring on all the pretenders
I'm not afraid
Long live all the mountains we moved
I had the time of my life fighting dragons with you
I was screaming long live that look on your face
And bring on all the pretenders
One day, we will be remembered

Hold on to spinning around
Confetti falls to the ground
May these memories break our fall

Will you take a moment, promise me this
That you'll stand by me forever
But if God forbid fate should step in
And force us into a goodbye
If you have children some day
When they point to the pictures
Please tell them my name
Tell them how the crowds went wild
Tell them how I hope they shine

Long live the walls we crashed through
I had the time of my life, with you
Long, long live the walls we crashed through
How the kingdom lights shined just for me and you
And I was screaming long live all the magic we made
And bring on all the pretenders
I'm not afraid
Singing, long live all the mountains we moved
I had the time of my life fighting dragons with you
And long, long live the look on your face
And bring on all the pretenders
One day, we will be remembered"

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"O Tempo Não Pára", Mariza

Carta aberta à minha irmã


    Querida irmã,

    Quando me contaste que te ias embora, a primeira coisa que fiz foi reler o que escreveste. Não podia acreditar; não queria acreditar. Não podia... Li e voltei a ler. Era mesmo... Como podias ir embora assim, sem mais nem menos? Sei que não foi uma escolha tua, mas mesmo assim dói saber que vais. Decidi telefonar-te; queria ouvir a tua voz, sentir o teu sorriso, as tuas lágrimas... Queria sentir-te em mim... Falámos e falámos; chorei e sorri; ri e recordei... Depois percebi que queria dizer-te o quanto te adoro, por isso escrevo-te esta carta. Decidi mostrá-la ao mundo, porque a amizade é algo que deve ser celebrado e, claro, achei que essa era outra forma de te demonstrar o quanto gosto de ti.

    Lembro-me do primeiro dia em que te vi. Lembro-me do que me fizeste lembrar. Quando te vi nesse dia, e nos que se seguiram, recordei o meu ‘eu’ de uns anos antes. Tanta timidez, tanto isolamento, tanto mundo à parte, tanto mistério... Não começámos a falar logo. Aliás, demorou uns mesitos para nos começarmos a dar. Foi o nosso príncipe que nos juntou, lembraste? Cada vez que me lembro da sua insistência para nos juntarmos todos só me dá vontade de rir! Mas ainda bem que ele foi insistente. Se não tivesse sido, eu não te teria conhecido ou então conhecer-te-ia muito tarde, talvez tarde demais... Mas conheci-te e isso é motivo de festa! Oh, mana, tenho tanto para te dizer que nem sei o que escrever primeiro! Acho que posso começar pelo objectivo desta carta: fazer-te saber o quanto gosto de ti.

    Podia dizer-te que gosto de ti desde aqui até à Lua; podia dizer-te que não sou nada sem ti, que me fazes falta e ainda nem foste, que és uma das pessoas que mais adoro na minha vida, mas isso já sabes... Podia dizer-te que vais estar sempre no meu coração, que vou para sempre recordar o teu sorriso, que não há nada nem ninguém que nos vá separar... Mas isso também já sabes... Começo a perceber que, se calhar, não há palavras para descrever o quão importante és para mim. As que existem estão gastas e o amor e amizade que nutro por ti já não se encaixam nelas. As palavras que existem são pequenas demais para tanto sentimento. Começo a precisar de palavras novas, aliás, de um dicionário novo para te mostrar o quanto te adoro. Não é só daqui até à Lua; não é só não ser nada sem ti; não é só sentir a tua falta. Não é só seres uma das pessoas que mais adoro na minha vida, nem é só estares sempre no meu coração... É algo mais, muito mais que isso... É Sol, é Lua, terra e céu, chão e vida... É noite e silêncio, alegria e manhã, vento e sorrisos... São lágrimas e dor, euforia e contrastes, diferenças e amor... É rosa, vermelho, azul, preto, amarelo, verde e arco-íris... É sem saída, auto-estrada movimentada, casas brancas, espigas de milho... São pássaros, flores, água e espelhos... Gritos, piscar de olhos, palavreado provocativo, miminhos fofos... É chuva, relva acabada de cortar, árvores centenárias e pequenos galhos soltos... Mensagens em caps lock, telefonemas sentidos, abraços gigantes e beijos raros... O que sinto por ti é tudo isto e mais...

    As saudades... As saudades vão ser fortes... O tempo vai corroer-me, as saudades vão provocar-me, a voz vai fugir-me e as lágrimas vão coroar-se. Há apenas uma coisa que provavelmente não irá mudar: a minha amizade e o meu amor por ti. Se mudar, só aumentará (se bem que acho que mais que isto será difícil). Se o quanto te adoro pudesse ser personificado seriam precisos, pelo menos, dois universos. O problema é que não pode e, além disso, o tempo é pouco para isso. Como posso explicar-te o quanto não me esquecerei de ti, o quanto mudaste a minha vida, o quanto estarás para sempre no meu coração? É impossível! Tenho que repetir-me e repetir-me e dizê-lo outra vez, usar sempre as mesmas palavras, os mesmos adjectivos, as mesmas letras... Como posso fazer algo que te diga que, apesar da distância, estarei sempre aí, contigo, até aos fins dos teus dias? Como posso ser diferente e marcar-te como me marcaste? É difícil pensar nisso, é difícil pensar em tudo isto... As palavras falham-me e voltam a falhar... Os acordes do piano, o som da chuva, os raios de sol a entrarem pelas frestas dos estores, as pequenas flores a desabrochar explicam melhor o que te quero dizer. Não são as palavras... Uma voz suave, uma nota solta, um sono tranquilo, um concerto ruidoso... A saudade, o medo, a alegria, o entusiasmo, a guitarra portuguesa e o cravo italiano... A orquídea roxa, o relógio de pêndulo... As coisas pequenas, os caracteres que parecem expressões, as teclas de um computador... O mundo...

    Porquê? Porquê agora? Porquê sempre? Ontem, hoje, amanhã... O tempo... O tempo é imperador, rei e senhor de tudo... Ele governa-me quando mais ninguém o consegue fazer... Ele leva-me para ti quando mais preciso do teu coração... Ele define-nos... A nossa personalidade, os nossos nomes, a nossa relação; os nossos sorrisos parecem eternos quando o tempo intervém. Não falamos todos os dias; não precisamos. Sabemos que vamos estar lá uma para a outra quando tudo parecer errado, certo, indeciso... Tempo, letras, lágrimas... Tudo e nada... Nada e tudo... Adoro-te... Adoro-te mais do que nada e mais do que tudo... Perdi-me nesta carta... Não consigo pensar, não sei o que escrever... Falta-me a inspiração, a vontade, o desejo... Faltam-me as letras, as palavras, os sons e as cores para te dizer o quanto te adoro... Com medo que seja pouco, fico-me pelo «adoro-te»... Porque, mais do que “adoro-te” é só “tu e eu”...

Com amor,

Da tua irmã

"Eu sei 
Que a vida tem pressa 
Que tudo aconteça 
Sem que a gente peça 
Eu sei 

Eu sei 
Que o tempo não pára 
O tempo é coisa rara 
E a gente só repara 
Quando ele já passou 

Não sei se andei depressa demais 
Mas sei, que algum sorriso eu perdi 
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo 
Para olhar para ti 
De agora em diante, não serei distante 
Eu vou estar aqui 

Cantei 
Cantei a saudade 
Da minha cidade 
E até com vaidade 
Cantei 
Andei pelo mundo fora 
E não via a hora 
De voltar p'ra ti 

Não sei se andei depressa demais 
Mas sei, que algum sorriso eu perdi 
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo 
Para olhar para ti 
De agora em diante, não serei distante 
Eu vou estar aqui 

Não sei se andei depressa demais 
Mas sei, que algum sorriso eu perdi 
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo 
Para olhar para ti 
De agora em diante, não serei distante 
Eu vou estar aqui"

"Dança", Pólo Norte

    "Acordei com a saudade amarga de a sentir a meu lado. Estendi o braço esquerdo para o lado respectivo da cama; o colchão estava vazio. Não a encontrei lá deitada, nem me encontrei a mim junto dela. O meu «nós» passou a «eu» como nunca o fora antes. E o «eu» dela era só, como o meu era. Levantei-me com a mesma saudade com que acordara; afinal, a saudade era a minha companheira sempre que ela não estava. Caminhei até à casa-de-banho com a saudade habitual, mas, desta vez, acompanhado também por um sorriso que apareceu só porque se recordou do sorriso dela. Esse sorriso levou a um olhar doce, que levou a uma caminhar confiante e a um levantar de cabeça efectivamente humano. Até aí, era máquina de saudade, o meu corpo mole e triste. Agora, e depois de todas estas acções sentimentais, até o meu cabelo parecia vivo. Lavei a cara; reparei que tinha cor. O preto e o branco haviam sido multiplicados e as cores primárias apareceram como que num piscar de olhos inédito. O que um sorriso faz a uma pessoa... De repente, tornei-me alguém.
    O tempo caminhava mais depressa do que eu. Depois de me despachar, fui para a cozinha. E a saudade, agora mais alegre, lá me acompanhou. E levou amigas! A felicidade, a tristeza, a ansiedade e a acalmia vinham tomar o pequeno-almoço comigo e com a saudade. No fim de contas, elas eram as suas convidadas. Preparei o meu café com leite e ouvi-as conferenciar entre si. Desliguei-me delas, não por má educação, mas porque não queria ouvir a sua conversa. Além disso, tinha fome, o que não era costume, por isso decide comer, para variar. Enquanto as torradas faziam, pensei nas manhãs de pequeno-almoço com ela. Outro sorriso... Estava a gastar os sorrisos muito depressa, hoje. Tinha que os poupar, ou não? Sei lá, tinha tantas boas recordações que, provavelmente, tinha sorrisos para dar e vender... E ainda sobravam alguns para mim e para ela. Ela... o sorriso dela nos seus lábios, nos seus olhos, no seu cabelo, no seu corpo... Os sorrisos dela estavam em todo o seu ser e estavam em mim. A saudade puxou-me com força para uma cadeira, obrigando-me a sentar. A tristeza olhou-me nos olhos e... sorriu., triste. A felicidade correu a abraçá-la, reconfortando-a. Os meus olhos deixavam cair as lágrimas ao mesmo tempo que a boca esboçava um sorriso e as mãos se entrelaçavam; era a ansiedade que tremia, explosiva e entusiasmada. A acalmia fazia um discurso que ninguém parecia ouvir, mas ao qual todos obedeciam. A saudade fez-me recuar no tempo. Vi-a rodopiar à minha frente, com aquele vestido de renda, bege e leve; o cabelo esvoaçante, os braços delicados. Antes que pudesse olhar o seu rosto, tudo desapareceu e o passado surgiu de repente, gritando-me insultos. Cheirou-me a queimado; esquecera-me das torradas. As minhas convidadas (e «convidado») eclipsaram-se. Estava novamente sozinho...
    Torradas queimadas não tornavam o meu pequeno-almoço no melhor do mundo, mas, quando partilhado com a saudade, até que nem era mau. Tudo acontecia com algo mais: mais cor, mais alegria, mais sentido, mais qualquer coisa. Era “mais” qualquer coisa, por isso, era bom. A saudade investiu em força, relembrando-me que “mais” é bom, mas “dois” é melhor. Dois, apenas dois... Porque é que custa tanto? A saudade dizia-me para correr atrás dela, porque também ela tinha saudade e duas saudades juntas eliminavam-se uma à outra. Era difícil ter saudades da saudade. Mas eu tinha... Eu tinha saudade... Saudade minha, saudade dela, saudade da saudade dela... Como era possível sentir tanta saudade junta? Só alguém que sente muito e que tem muito para sentir é que consegue sentir tanto..., dizia-me a acalmia, enigmática nas suas palavras e sensata nos seus gestos. Seria possível tanto sentimento numa só manhã?, perguntei-me com um sorriso transparente. A acalmia riu-se; a saudade meteu-se à frente e respondeu que, provavelmente, também ela estaria assim. Estaria mesmo?”
Ele


    “Começava a ficar farta de esperar pelo futuro; ainda por cima, tinha que esperar com o lado direito da cama vazio. Sorri-lhe, imaginando-o ali deitado, a olhar para mim. Ele nunca dormia na primeira noite que eu voltava. Com a mesma rapidez com que o sorriso aparecera, chegou a mágoa, a tristeza, a melancolia e a saudade. A primeira lágrima ainda apanhou o rasto do sorriso, que fugiu a correr, mas a segunda já só sentiu a mágoa; a saudade ainda veio primeiro que a tristeza e a melancolia foi a última a entrar no meu coração. De repente, perdi a conta às lágrimas. Porém, a memória decidiu reagir, enviando as recordações certas para baterem à minha porta sentimental. A saudade, tal qual um cavalheiro, abriu-lhes a porta e fê-las convidadas sem hora de saída marcada. Logo se indignaram todas as que já lá estavam, indo amuar para um canto, observando as recordações comandarem o meu corpo. Só agora conseguia levantar-me e ir tomar um duche; mas fui a única que entrei na casa-de-banho; elas esperaram lá fora, todas elas. Apenas me acompanharam ao pequeno-almoço.
    Enquanto procurava o doce de cereja para pôr nas torradas que estavam a fazer, elas puseram a mesa e sentaram-se a conversar. Perguntavam-se umas às outras porque é que eu não falava; como se eu ali não estivesse. Sorri quando ouvi a saudade defender-me, esclarecendo as amigas de que o problema era que eu tinha demasiadas saudades dele, assim como ela tinha saudades da saudade dele. A mágoa encolheu-se; também ela sentia o mesmo. Olhei-a com doçura, sorrindo-lhe. Ela olhou-me de volta, esperançosa. O dia estava quase a chegar...”
Ela



    “Esta mistura de sentimentos matava-me. Era uma mistura que me fazia lembrar uma dança infernal. Eu era mau dançarino; tinha dois pés esquerdos e nunca estava no ritmo certo. Esta dança matava-me da mesma maneira que esta espera no aeroporto o estava a fazer. Como me podia sentir tão morto e tão vivo ao mesmo tempo? A saudade sorriu-me em resposta; ela sabia que eu não queria uma resposta, pelo menos, não em palavras. Eu só queria vê-la, tê-la, reencontrá-la... Depois de experienciar a eternidade por cinco longos minutos, vi-a surgir no horizonte. Os meus sentimentos acalmaram-se, juntando-se ao meu lado, expectantes. À medida que ela caminhava para mim, as minhas companheiras olhavam-me, tentando perceber a minha futura reacção. Porém, a saudade foi a única que me deu a mão. Quando olhei para ela, ela olhou-me de volta e sorriu. Nunca vira tanta paz no seu rosto. Deixei cair uma lágrima; as amigas da saudade fizeram o mesmo. Olhei de volta para ela e comecei a correr na sua direcção. Ela começou a andar mais depressa, fazendo esvoaçar todas as pontas soltas da sua farda militar, lembrando-me o vestido de renda. Dos seus olhos, escorriam lágrimas impacientes. Ela abriu os braços e eu agarrei-a, pegando-a ao colo, rodopiando uma vez apenas. A dança de sentimentos atingiu o seu ponto mais alto como nunca acontecera, pelo menos, não com tanta verdade, poder e alegria. O nosso beijo de boas-vindas fez chorar as nossas saudades, mágoas, alegrias, tristezas e acalmias. Era demasiado sentimento num só momento; tanto que até as nossas emoções sentiam. «Amo-te tanto» foram as únicas palavras que pronunciámos; tudo o resto, os nossos sentimentos falaram por si. As saudades uniram-se como nunca e as suas companheiras decidiram juntar-se a elas. Cada uma voltou ao seu lugar sabendo que demoraria para voltar a sair do seu esconderijo. Pelo menos, assistiram ao reencontro...
    Despedimo-nos delas com sorrisos; elas despediram-se de nós com muitos acenos. Outro beijo e um abraço mais forte. Finalmente, a nossa dança voltara ao que era antes de entrar em palco: eterna... Para sempre, eterna...”

Ele

"Chegaste de passos apertados
Os olhos embargados
Cheios de medos teus
Pediste que te levasse a mágoa
E que te tocasse a alma olhando para os meus

Apertei-te contra ao peito, num abraço perfeito

A rua como companhia
Às vezes escura e fria
Pura realidade
Ninguém olha p'ra ti 
Com olhos de gente
Ate mesmo indiferente
A quem és de verdade
Esquece o teu mundo lá fora
É hora de ir dançar

Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto p'ra longe

Esquece o teu mundo lá fora
É hora de ir dançar

Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto

Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto p'ra longe
até de mim
até de mim"