Caminhámos ao lado um do outro, como dois amigos. Sorrisos sinceros e gargalhadas divertidas invadiam o ar da cidade. A conversa estava a ser engraçada, mas não era ela que me preenchia a mente. Eu tinha outra ideia a percorrer-me os pensamentos... Queria conversar, mas queria que fôssemos interlocutores diferentes, que tivéssemos outro papel, um para o outro. A certa altura, pus-me a imaginar o que seria se eu decidisse levar essa ideia em frente, naquele preciso momento. Como irias reagir? Irias reagir, de todo? Tinha medo, mas também estava ansiosa por fazê-lo. Pensei no passado que nunca vivemos juntos: a infância, em que crescemos um com o outro; a adolescência, onde nos tornámos melhores amigos; os 20, 30 e 40 que passaríamos ao lado um do outro; a velhice, que descansaríamos juntos...
Tu continuavas a falar. Eu respondia com poucas palavras ou com frases que não faziam muito sentido. Queria arriscar... Pela centésima vez, queria dizer-te, fazer-te perceber, confrontar-te com o que sinto... Queria ter coragem para o fazer... Queria superar o medo da tua reacção... Queria não ter medo de te perder... Despedimo-nos e eu nem sequer te dei uma pista... Não tive coragem nem audácia; tive medo e vergonha...
Começámos a andar, cada um para seu lado. O arrependimento batia forte no meu coração. Mordi o lábio, de raiva, e suspirei fundo, com tristeza. Por segundos, senti-me mal, falsa, insignificante e fraca. Nos segundos que vieram depois, imaginei o que poderia ter acontecido. Poderia ter corrido bem, poderia ter saído magoada, poderia ter de me esquecer de tudo... Mas teria acontecido! Como aconteceria na realidade, tentei fazê-lo acontecer na minha cabeça. Tu irias tentar acabar a conversa; eu iria começar a fazer-te as perguntas certas. Tu irias ficar embaraçado por te perguntar aquelas coisas e talvez nem respondesses. Irias passar a mão pelo cabelo e sacudi-lo, nervoso com a conversa. Eu iria olhar para todas as direcções, procurando rostos apontados para nós, ao mesmo tempo que chegava à minha conclusão improvisada, enquanto as minhas mãos tremiam e suavam. Tu responderias qualquer coisa que me daria força para acabar a conversa. Eu olharia em volta, de novo, e, se visse que ninguém estava a olhar para nós, inclinava-me para ti e, com os meus lábios, tocava os teus, num beijo tão rápido quanto a velocidade da luz. Depois, iria fugir o mais depressa que pudesse. Mas era aí que, de repente, tu me alcançavas e me puxavas contra ti, beijando-me de volta, num beijo a sério; o nosso primeiro... Sorriríamos um para o outro e seguiríamos caminhos separados nos corpos, mas juntos nos pensamentos. E então, eu iria morder o lábio para conter as lágrimas de felicidade e tu irias ficar distraído por muito tempo. Estava feito...
E eis que acordava da minha ilusão, num piscar de olhos alucinante, caindo na realidade como se me tivessem atirado de um tapete voador. Acordei e desejei voltar a dormir acordada, fingir que nada era um sonho, mas sim o meu dia-a-dia real, puro. Então, percebi que nada disto iria acontecer, porque eu nunca teria coragem para o fazer. Voltei para o mundo da ilusão, desta vez para imaginar o que seria nunca lhe dizer e continuarmos amigos próximos durante toda a nossa vida e nenhum de nós ter coragem de dizer ao outro que o amava e viveríamos sós ou com pessoas que usaríamos apenas para preencher esse grande vazio que partilhávamos. Seria uma vida triste, essa. Viver longe de ti, apesar de não precisar de estar sempre contigo. Imaginar-te com outra pessoa, quando o que eu quero é ser essa pessoa. Dizer-te 'amigo' quando te quero chamar 'amor'. Saber-te meu, sem o seres. Fingir-me parte do teu mundo, quando quero sê-lo por inteiro...
Haja coragem para mudar o mundo...
"Do you remember the taste of my lips that night
Tu continuavas a falar. Eu respondia com poucas palavras ou com frases que não faziam muito sentido. Queria arriscar... Pela centésima vez, queria dizer-te, fazer-te perceber, confrontar-te com o que sinto... Queria ter coragem para o fazer... Queria superar o medo da tua reacção... Queria não ter medo de te perder... Despedimo-nos e eu nem sequer te dei uma pista... Não tive coragem nem audácia; tive medo e vergonha...
Começámos a andar, cada um para seu lado. O arrependimento batia forte no meu coração. Mordi o lábio, de raiva, e suspirei fundo, com tristeza. Por segundos, senti-me mal, falsa, insignificante e fraca. Nos segundos que vieram depois, imaginei o que poderia ter acontecido. Poderia ter corrido bem, poderia ter saído magoada, poderia ter de me esquecer de tudo... Mas teria acontecido! Como aconteceria na realidade, tentei fazê-lo acontecer na minha cabeça. Tu irias tentar acabar a conversa; eu iria começar a fazer-te as perguntas certas. Tu irias ficar embaraçado por te perguntar aquelas coisas e talvez nem respondesses. Irias passar a mão pelo cabelo e sacudi-lo, nervoso com a conversa. Eu iria olhar para todas as direcções, procurando rostos apontados para nós, ao mesmo tempo que chegava à minha conclusão improvisada, enquanto as minhas mãos tremiam e suavam. Tu responderias qualquer coisa que me daria força para acabar a conversa. Eu olharia em volta, de novo, e, se visse que ninguém estava a olhar para nós, inclinava-me para ti e, com os meus lábios, tocava os teus, num beijo tão rápido quanto a velocidade da luz. Depois, iria fugir o mais depressa que pudesse. Mas era aí que, de repente, tu me alcançavas e me puxavas contra ti, beijando-me de volta, num beijo a sério; o nosso primeiro... Sorriríamos um para o outro e seguiríamos caminhos separados nos corpos, mas juntos nos pensamentos. E então, eu iria morder o lábio para conter as lágrimas de felicidade e tu irias ficar distraído por muito tempo. Estava feito...
E eis que acordava da minha ilusão, num piscar de olhos alucinante, caindo na realidade como se me tivessem atirado de um tapete voador. Acordei e desejei voltar a dormir acordada, fingir que nada era um sonho, mas sim o meu dia-a-dia real, puro. Então, percebi que nada disto iria acontecer, porque eu nunca teria coragem para o fazer. Voltei para o mundo da ilusão, desta vez para imaginar o que seria nunca lhe dizer e continuarmos amigos próximos durante toda a nossa vida e nenhum de nós ter coragem de dizer ao outro que o amava e viveríamos sós ou com pessoas que usaríamos apenas para preencher esse grande vazio que partilhávamos. Seria uma vida triste, essa. Viver longe de ti, apesar de não precisar de estar sempre contigo. Imaginar-te com outra pessoa, quando o que eu quero é ser essa pessoa. Dizer-te 'amigo' quando te quero chamar 'amor'. Saber-te meu, sem o seres. Fingir-me parte do teu mundo, quando quero sê-lo por inteiro...
Haja coragem para mudar o mundo...
"Do you remember the taste of my lips that night
I stole a bit of my mother's perfume
Cause I remember when my father put his fist through
The wall that separated the dining room
And I remember the fear in your eyes
The very first time we snuck into the city pool
Late December with my heart in my chest and the clouds of my breath
Didn't know where we were running to
But don't look back
We'll be looking for sunlight
Or the headlights
Till our wide eyes burn blind
We'll be lacing the same shoes
That we've worn through
To the bottom of the line
And we know that we're headstrong
And our heart's gone
And the timing's never right
But for now let's get away
On a Roman holiday
Could you imagine the taste of your lips
If we never tried to kiss on the drive to Queen's
Cause I imagine the weight of your ribs
If you lied between my hips in the backseat
I imagine the tears in your eyes
The very first night I'll sleep without you
And when it happens I'll be miles away
And a few months late
Didn't know where I was running to
But I won't look back
We'll be looking for sunlight
Or the headlights
Till our wide eyes burn blind
We'll be lacing the same shoes
That we've worn through
To the bottom of the line
And we know that we're headstrong
And our heart's gone
And the timing's never right
But for now let's get away
On a Roman holiday
Feet first, don't fall
We'll be running again
Keep close, stand tall
We'll be looking for sunlight
Or the headlights
Till our wide eyes burn blind
We'll be lacing the same shoes
That we've worn through
To the bottom of the line
And we know that we're headstrong
And our heart's gone
And the timing's never right
But for now let's get away
On a Roman holiday"
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