Esta é a terceira
mensagem do ciclo que iniciei com "Até ao Verão", um ciclo sobre o
tempo das coisas, o tempo de tudo...
TEMPO DE CONVERSAR
Sabem aqueles momentos
de profunda reflexão, aqueles momentos em que dizemos "é tempo de
conversar, reflectir, pensar na minha existência"...? Tenho muitos
momentos desses, na minha vida, e hoje vivi um deles de uma maneira que não
pude ignorar. Portanto, hoje, aqui e agora, é tempo de sentar-me à mesa comigo
mesma e conversar, reflectir, crescer, perceber-me e perdoar-me. É, portanto,
uma mensagem extremamente pessoal. Os leitores mais sensíveis estão avisados...
Hoje descobri que me
minto a mim própria todos os dias, a toda a hora, e que o faço com um sorriso
no rosto, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Percebi que, afinal, eu
não quero andar sozinha, estar sozinha, ser eu mesma sozinha; não quero viver
todas as minhas palhaçadas no recanto da minha minúscula casa, do meu pequeno
mundo, sozinha; não quero chorar sozinha, não quero rir sozinha, não quero
sentir-me sozinha. Hoje, depois de ouvir todo um discurso sobre problemas
amorosos, de como tudo é complicado, de como as pessoas já não querem saber do
amor, percebi que, por mais que diga a mim mesma que não quero amar mais
ninguém, afinal, lá bem no fundo, não quero amar sozinha. Todos os dias repito:
"tu não precisas de nenhum homem para seres feliz; não precisas. Porque
tens amigos, irmãos e irmãs que nunca te deixarão sozinha; só precisas deles,
não precisas de homem". E é nesse momento que acontece a primeira mentira
do dia, que se vai repetindo cada vez que os meus olhos vislumbram um casal de
mãos dadas - hoje foi um casal de idosos (o que eu não daria pela velhice
partilhada...) - ou um gesto carinhoso entre duas almas apaixonadas ou até em
palavras tão simples como "namorado/a". É ridículo; sim, é ridículo
dizer, pensar sequer, que tenho que ter um tipo ao meu lado para ser feliz.
Ora, desculpem por ser assim, mas há coisas que não consigo evitar! Sou
demasiado romântica e talvez seja esse o problema. Correcção, é mesmo esse o
problema...
Então, numa das minhas
muitas conversas interiores, decidi que, vou admitir, perante mim mesma, que
sim quero voltar a amar, quero viver acompanhada e perder todo este colete de
forças auto-imposto que me faz crer que quero ficar sozinha. Mas é então que
surge outro problema: e quem é que eu vou amar, concretamente? Bem, essa é
aquela pergunta que o meu subconsciente está sempre desejou-se que eu faça,
porque ele tem sempre a resposta preparada: "ninguém". "Ninguém"
é a única palavra que ele precisa para me deitar abaixo. Sim,
"ninguém" vai ser aquela pessoa que vai querer partilhar um sorriso,
um abraço, um beijo, um corpo, um mundo, comigo. "Ninguém" será
aquela alma que me vai amar incondicionalmente, gostar até dos meus defeitos,
dar-me aqueles apertos que tanto adoro, deixar beijos infinitos nos meus
lábios, despentear-me da maneira que eu mais odeio, usar aquele perfume que me
faz derreter, olhar-me nos olhos e dizer que me ama. "Ninguém" fará
isso tudo e mais; irá comigo a sítios que nunca pensei ir, dançar ao som de
música que não suporto, conhecer pessoas que nem acreditava que existissem. E
depois de ver todo um filme de como eu e "ninguém" nos apaixonámos e
começámos uma relação, começo a discutir com o meu subconsciente; sim, discutir
comigo mesma, na minha cabeça.. Muito saudável, não é?
Uma diz "alguém
há-de querer esse teu amor", a outra diz "tanto amor para dar e vais
acabar por levá-lo para a cova com todas as tuas inseguranças", e a
primeira contra-ataca, para ser mais uma vez derrotada pela segunda; e isto
arrasta-se por largos momentos, que se traduzem em horas e noites sem dormir.
Eu penso demais (defeito número 2) e, pior, acredito em tudo o que penso.
Acredito piamente que irei amar, mas que não haverá um alguém que me queira
amar. Acredito fielmente que irei levar todo este meu coração para a cova - e
ele irá completamente despedaçado (ou talvez não). Mas uma coisa em que
realmente acredito é que, infelizmente, estas minhas discussões vão continuar,
porque, apesar de eu ter tempo para me perdoar e para crescer, enfim, para
mudar, vou voltar sempre à estaca zero. E é por estas e por outras que me devia
sentar mais vezes à mesma comigo mesma e conversar, reflectir. Mesmo que isso
não mude nada...
"Everybody’s got their demons
Even wide awake or dreaming
I’m the one who ends up leaving
Make it okay
See a war I wanna fight it
See a match I wanna strike it
Every fire I’ve ignited
Faded to grey
But now that I’m broken
Now that you know it
Caught up in a moment
Can you see inside?
'Cause I’ve got a jet black heart
And there’s a hurricane underneath it
Trying to keep us apart
I write with a poison pen
But these chemicals moving between us
Are the reason to start again
Now I’m holding on for dear life
There’s no way that we could rewind
Maybe there’s nothing after midnight
That could make you stay
But now that I’m broken
And now that you know it
Caught up in a moment
Can you see inside?
'Cause I’ve got a jet black heart
And there’s a hurricane underneath it
Trying to keep us apart
I write with a poison pen
But these chemicals moving between us
Are the reason to start again
The blood in my veins
Is made up of mistakes
Let’s forget who we are
And dive into the dark
As we burst into color
Returning to life
'Cause I’ve got a jet black heart
And there’s a hurricane underneath it
Trying to keep us apart
I write with a poison pen
But these chemicals moving between us
Are the reason to start again
The blood in my veins
Is made up of mistakes
(To start again)
Let's forget who we are
And dive into the dark"
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