Esta é a quinta mensagem do ciclo que iniciei com "Até ao Verão", um ciclo sobre o tempo das coisas, o tempo de tudo...
TEMPO DE (NÃO) MUDAR
Ter o poder para mudar
o mundo... Como seria ter o poder para mudar tudo à nossa volta? Ter esse poder
e usá-lo apenas com o olhar, com um gesto, com um pensamento... Poder alterar
tudo com uma palavra, com um suspiro, com um grito... O que eu não daria para
ter esse poder. Sinto que já o paguei, mas que, mesmo, assim, não consigo
usá-lo Não tenho nada a perder, porque tudo o que tinha já dei. Como não
consigo mudar o mundo, se já paguei o preço, se continuo a pagar o preço para o
fazer? Como não posso fazê-lo então? Não posso. Não posso, porque, simplesmente,
não consigo alterar o tempo. O que posso fazer em troca? Hoje, tenho mais
opções, tive mais opções, mas eu já escolhi há muito tempo. A mais correcta
seria a que diz o ditado: se não podes vencê-los, junta-te a eles. Não! Não vou
juntar-me a eles! Não vou abraçar os seus princípios, não vou colher os seus
ensinamentos, não vou aceitar as suas hipocrisias! Não tenho e não vou fazê-lo!
Posso ter que viver com eles, posso ter que viver com os seus ideais, posso ter
que viver com as suas visões e realidades, mas não irei absorver essas verdades!
Viverei nelas, como tenho vivido toda a minha vida, mas não me irei converter!
Não gosto, não vou gostar, e não me tornarei um deles! Recuso-me a tal!
Sim, sou de ideias
obtusas, retrógradas, conservadoras, atemporais, impossíveis até, mas manter-me-ei
fiel a mim mesma e não me tornarei mais um número no crescendo contínuo de
população mundial formatada! Serei eu mesma, viverei segundo os meus princípios
e ideais, viverei livre. Estarei sozinha nesta luta, mas nunca mal acompanhada.
Sentir-me-ei perdida pelo caminho, provavelmente, sempre perdida, mas seguirei
o meu caminho! Sentir-me-ei só,
abandonada, única e incompreendida, mas a minha consciência estará segura de si
mesma como nunca esteve. As minhas noites serão translúcidas, as minhas
insónias tranquilas, os meus dias resplandecentes, o meu coração natural. Tudo
o que for meu, tudo que em mim houver, será à minha maneira. Uma forma idílica
de viver a vida, diriam uns, uma forma impossível de existir, dirão outros. Uma
forma de vida que prefiro viver, exclamarei eu, do meu canto obscuro, longínquo
e isolado.
Não posso mudar o
mundo. Não posso alterar o tempo. Não posso obrigar as pessoas a viverem de
outra maneira. Cada um escolhe a sua vida. Ou melhor, cada um pensa escolher a
sua vida. Infelizmente, eu escolho pensar a minha vida de maneira diferente. E
digo infelizmente porque é algo que, muito provavelmente, me vá custar a vida,
no sentido social. Mas entre viver acompanhada e angustiada e viver só e
tranquila, prefiro a forma consciente de viver só e tranquila. Sim, forma
consciente de viver; porque anda por aí muita gente que não tem consciência da
vida que leva para o túmulo. Não quero ter 30 anos e saber, ter consciência, de que vivi toda uma
vida formatada, sem sentido e que apenas me leva ao futuro próximo sem qualquer
propósito que me interesse a mim, e
só a mim. Não quero levar uma vida de acordo com aquilo que os outros querem –
sejam os outros quem quer que seja. Não!
Por uma vez na vida,
escrevo todas as minhas convicções num só texto. Apresento-me ao mundo como
sempre fui: irreverente, rebelde, remadora contra a maré, aprisionada por
sentimentos de existência autónoma nunca consumados, sobrevivente de uma vida
de regras com as quais nunca compactuei. Sou tudo isto e mais; tenho princípios
que sigo como última verdade, tenho ideais que prego para um inexistente número
de ouvintes, tenho características sentimentais que sacralizo mais do que
qualquer outra coisa. Tenho defeitos opostos às minhas qualidades, personifico
paradoxos inúteis e encarno argumentos desfeitos por palavras-chave que
repugno. Sou diferente, muito diferente daquilo que deve ser o produto da
sociedade actual. Às vezes, até eu mesma me questiono sobre o assunto, mas esse
momento passa quando me apercebo do valor que estas minhas características têm.
Vou ser convencida e dizer que valho muito mais do que aquilo que os outros
pensam, do que aquilo que eu penso. Toda a minha vida, fui azucrinada para me
converter, para “não ser assim”, para seguir as manadas, para ser “normal”. Não
quero ser normal! Não vou ser normal! Não tenho que ser igual aos outros e
muito menos tenho que deixar de ser “assim”. Sou eu! Esse “assim” resume em
cinco letras toda a minha existência. “Assim” é a palavra que me insere no
mundo etimológico social. Eu sou “assim” e, portanto “diferente”, mas não deixo
de ser alguém, uma pessoa, um indivíduo, um ser pensante, um nome, um mundo!
Sou “assim” e depois? Se fôssemos todos “normais” que seria feito deste mundo?
Não havia diferenças, não havia discussões, não havia desenvolvimentos
emocionais. É certo que também não haveriam crises existências, nem gente a
revoltar-se com a vida, mas estaríamos a viver?
O que é feito do eu
espiritual, natural e único? O eu como essência? O que é feito de mexer na
terra com as mãos, tomar o sol como alimento, cheirar a relva acabada de
cortar, sentir a chuva a cair? O que é feito das pequenas coisas da vida? O que
é feito da vida, basicamente?! Quando é que nos tornámos no que nos tornámos,
quando é que permitimos que isto acontecesse, como é que não demos conta,
quando é que mudamos? Não vamos mudar. Não vamos mudar, porque não podemos
mudar o mundo, nem alterar o tempo. Não podemos, não vamos e, aparentemente,
nem queremos fazê-lo. Aliás, ainda alimentamos mais estas falsas vidas, em que
consumimos mais do que devíamos, em que consumimos o que não devíamos, em todos
os sentidos. Porque é que alimentamos vidas em que apenas descartamos o outro
com se de um mero recipiente de alma se tratasse? As almas sentem, as pessoas
sentem. Nós sentimos, nós continuamos a sentir. Porque é que nos desprezamos
cada vez mais e passamos a venerar coisas em vez de emoções, sentimentos,
vidas? É escusado, não consigo entender, não consigo mesmo. Por mais que tente,
não percebo como é que as pessoas vivem de consciência tranquila neste mundo.
Talvez não vivam. Talvez também não o aceitem, mas pelo que vejo, isso não as
incomoda assim tanto como a mim. Ou pelo menos elas não o demonstram. Talvez eu
seja a única que atira estas convicções da boca para fora, a única que tem
coragem para o dizer em voz alta, a única com capacidade para dizer que não e,
mesmo assim, viver no meio de tudo isto.
Muito provavelmente,
não sou a única. De certeza que haverão outros como eu, caminhando por aí com
um ar perdido, conscientes e conhecedores da sua posição, do seu lugar no
mundo. Não estamos perdidos, mundo. Nós sabemos o nosso caminho, o nosso
destino, o nosso propósito. Temos noção de que toda a gente acha que estamos do
contra porque sim, que nunca chegaremos a determinado patamar na vida, que
nunca seremos populares ou famosos noutros cantos do mundo, que somos pouco
ambiciosos e, por isso, não seremos ninguém. Mas esse é o grande problema.
Enquanto o resto do mundo olha para nós como perdidos, nós olhamos para ele e
sorrimos com orgulho; pois nós não estamos perdidos;
nós acabámo-nos de nos encontrar...
"Into the night
Desperate and broken
The sound of a fight
Father has spoken.
We were the kings and queens of promise
We were the victims of ourselves
Maybe the children of a lesser God
Between Heaven and Hell,
Heaven and Hell.
Into your eyes
Hopeless and taken
We stole our new lives
Through blood and name
In defense of our dreams
In defense of our dreams
We were the kings and queens of promise
We were the victims of ourselves
Maybe the children of a lesser God
Between Heaven and Hell,
Heaven and Hell.
The age of man is over
A darkness comes at dawn
These lessons that we've learned here
Have only just begun
We were the kings and queens of promise
We were the victims of ourselves
Maybe the children of a lesser God
Between Heaven and Hell.
We are the kings
We are the queens
We are the kings
We are the queens"
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