Sinto a minha vida a andar demasiado depressa. Quero aproveitar os momentos e sinto-os a escaparem por entre os dedos. Sinto que as coisas boas estão a desaparecer demasiado depressa. Sinto que há pessoas que estou a deixar para trás, sem querer. Parece que há outras que estão a surgir no caminho e que eu nunca vi chegar. Às vezes, tenho a sensação que o mundo à minha volta está a mudar sem eu me dar conta. Uma tempestade de mudanças está a governar a minha realidade e eu sinto-me sem poderes para a parar. O que eu quero está a surgir à frente dos meus olhos sem que eu o consiga vislumbrar no horizonte. Parecem sombras na linha longínqua, esses meus sonhos que se realizam. Parece mentira que esteja a acontecer tudo isto. Quero lembrar-me destes momentos, parando no tempo, olhando-os de frente, como se nunca se dissipassem. É tão estranho vê-los desaparecer, vê-los seguir o seu caminho, rumo ao passado, porque o futuro quer entrar na minha vida e eu não o quero já. Quero pensar melhor, decidir-me, tentar mudar o rumo dos acontecimentos.
Espera futuro... Por favor, deixa-me despedir do presente e deixa-me esquecer o passado, interiorizá-lo como uma memória feita há muito. Deixa-me saborear os últimos momentos da vida que não planeei e que fiz crescer como uma planta numa floresta selvagem. Quero perceber o que está a acontecer antes que tudo aconteça. Deixa-me ser vidente e precaver-me para o que aí vem. Quero tentar saber o que me espera, o que posso esperar e o que vão esperar de mim. Deixa-me viver a minha fantasia, em que penso que controlo o que vai acontecer, em que sei o que pode acontecer, em que adivinho o que acontecerá. Deixa-me ter certezas quando digo ‘para sempre’ ou ‘nunca’. Quero saber de mim, dos outros e de nós todos. Porque não me deixas descansar, tomar ar e recuperar o fôlego nesta luta contra ti? Futuro, querido futuro, porque não esperas um pouco mais? Porque não procuras um pouco mais de paciência e a bebes de um trago, para que me deixes viver só um pouco mais? Procura-a! Procura-a incessantemente entre as folhas, entre as ondas, entre as nuvens... Procura-a, encontra-a e envolve-te nela e deixa-me esperar um pouco mais por ti... Não estou louca por te ver. Não estou perdida sem ti; aliás, nunca me encontrei tanto sem ti. Aguenta um pouco mais na fila para entrar de rompante na minha vida, virá-la do avesso ou cozê-la com a precisão que mais ninguém tem. Aguenta um pouco mais à porta de entrada, para que o passado saia pela porta das traseiras, enquanto o presente acaba de preparar o quarto onde ficarás. Dá-me um pouco mais de tempo até perceber que irás ser o novo inquilino na minha vida por muito tempo. Irás defini-la e construí-la como um lego que irá cair tão depressa quanto se irá levantar. Dá-me espaço para ti, nesta minha mente despreocupada e desprevenida sobre a tua chegada.
Não, não te estou a pedir para saíres, para desapareceres, para não voltares... Estou a pedir-te que me deixes assentar, que me deixes recordar estes tempos como reais e não apenas sonhos que vivi. Os sonhos vêm agora. És tu que os trazes contigo, mas, antes deles, houve outros. Houve aqueles que não se concretizaram. Houve aqueles que simplesmente aconteceram e que nem dei conta de terem acontecido. Houve aqueles que estiveram para acontecer e que nunca apareceriam no guião da minha vida, só nos bastidores. A esses, a todos esses, deixa-mos só para mim. Deixa-mos guardar na bolsa do passado, porque ele vai sair de casa e eu quero que ele vá acompanhado. Não o quero deixar sozinho, porque ele nunca esteve sozinho e ele nunca me deixou sozinha. Com sonhos, sem eles, com amostras deles ou com cinzas, o passado sempre me acompanhou para todo o lado. E, agora, tu queres tomar o seu lugar... Tens que perceber que não o vais fazer... Apenas vais ser tu, agora, a dar as indicações, a sussurrar-me os comandos ao ouvido, a delinear-me estratégias de olhares e de trocas de sorrisos.
Não mais o passado terá a palavra principal, mas terá sempre a última, por isso, não penses que vens substituí-lo como se viesses substituir uma lâmpada antiga por uma mais moderna. Porque nada em ti é velho, mas também não és nada de novo. És intemporal, porque apareces sempre na hora certa. Se há coisa que aprecio em ti é a maneira como entras na vida das pessoas: elas só se apercebem quando já é tarde demais para te deixar lá fora. Tu fazes-te esperar, como a chuva espera pelas nuvens negras ou como a relva espera que o sol chegue para crescer, imperatriz numa paisagem castanha de um Outono sofredor mas apreciado por muitos. A maneira como te dizes senhor do tempo quando o relógio da vida deixa de funcionar com a harmonia da infância ou da apenas ingénua maturidade é a maneira como te vejo nesta vida, na outra e numa próxima. A impetuosidade com que actuas faz-nos crescer de repente, para lidarmos com tudo o que tu trazes na algibeira. Obrigas-nos a esvaziar os bolsos de tudo aquilo em que já não acreditamos e a enchê-los com planos que vamos construindo pelo caminho, caminho esse que nos vai levar a casa...
Futuro, futuro... Como podes chegar tão cedo, tão depressa, tão em cima da hora? Será que te apercebes do que provocas em mim, nos outros, em todos nós? Será que notas no estado em que nos deixas quando te instalas na nossa vida? Será que alguma vez te perguntaste sobre tudo isto? Ou sempre foste tão seguro de ti mesmo, tão confiante, que nem viste o teu próprio futuro chegar?
"Lost in innocence
Take this fragile heart
We know where we've been
All these miles together
Fall into my skin
Crash into these arms
We know how this ends
Fade into forever
The road is wild
We're holding on for life
Like a child
Who's not afraid to cry
We're escaping to a place they'll never know
Just you and me love
We are almost home
Lost inside your eyes
As brilliant as the stars
Show me every side
The good, the bad, the better
The road is wild
We're holding on for life
Like a child
Who's not afraid to cry
We're escaping to a place they'll never know
Just you and me love
We are almost home
Promise you I'll be
The promise you can keep
Till the end of time
And on the other side
The road is wild
We're holding on for life
Like a child
Who's not afraid to cry
We're escaping to a place they'll never know
Just you and me love
Just you and me love
Just you and me love
We are almost home"