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sexta-feira, 12 de junho de 2015

"Edge of Desire", John Mayer

    «Às vezes, tento esquecer-te. Às vezes, consigo fazê-lo. Por vezes, são muitas as vezes que te consigo afastar do pensamento. Essas vezes são aquelas vezes em que o desejo é tão pequeno que nem se sente. É nessas vezes que sei que eu ainda sou eu, que eu não é nós, quando nós nunca existiu. É nessas vezes que sei que ainda perduro, por muito que me tenha perdido em ti. É nessas vezes que sei que ainda existes em mim. É nessas vezes que percebo que é difícil esquecer-te. É nessas vezes que existem vezes que quero apagar-te da memória e outras vezes que quero ter-te ao meu lado, sorrindo-me com um olhar sereno e sincero. Às vezes, quero que deixes de me fazer sofrer, ao mesmo tempo que quero que me protejas deste sofrimento. Às vezes, quero acabar com este desejo de te ter, querendo, ao mesmo tempo, que me faças desejar-te. Às vezes, não suporto este paradoxo, esta dualidade... Como pode este desejo tornar-se passado e como posso ter-te? Como posso deixar de pensar em ti e como posso sentir-te junto a mim? Como posso esquecer-te e como posso prender-te em mim?

    Isto mata-me... Esta indecisão é demasiado dolorosa... É como... É como querer-te sem te querer, é ter-te sem te ter, é ver-te sem te olhar, é sentir-te sem te tocar, é viver-te sem existir em ti. Este desejo começa a tornar-se insuportável. Quero ter-te, quero ter-te agora, quero que me queiras para sempre... Sei que prometi que te deixava partir, que nunca mais te iria querer, que nunca mais me perderia em ti... Não, não menti quando fiz essa promessa, mas compreende que não posso cumpri-la dum momento para o outro. Não é possível esquecer alguém como tu assim, de repente. A dor que se fez imperatriz terá um reinado longo. Ela vai governar-me até te esquecer. Vou-te querer durante muito tempo. Querer-te-ei ainda com mais força quando não te vir por muito tempo. Esse querer será ainda mais dono de mim quando te reencontrar. Daqui a cinco, dez ou vinte anos, vou querer-te tanto como te quero agora. Este querer é insubstituível, mas ele irá sucumbir... Este meu desejo irá desaparecer do meu ser; apenas irão ficar as suas cinzas, de tanto fogo que ardeu em mim... Este desejo leva-me a escrever tanto sobre ti. Quanto mais te escrevo, mais te esqueço. É uma terapia sugerida pelo meu subconsciente, para que tu e a tua imagem se evaporem do meu pensamento como se nunca estivessem lá estado. Continuo a querer-te... É tudo tão confuso, tão dúbio, que só me apetece gritar por ti, para que me confortes, mesmo que estejas longe. O teu nome chega para me acalmar, mas, por vezes, nem ele é capaz de fazê-lo...

    Não quero esquecer-te, não vou esquecer-te... Eu sei disso e sei que tu também sabes. Só não sabes é deste amor, desta paixão que tenho por ti. Na tua cabeça, não te vou esquecer porque foste um bom amigo. Na minha cabeça, está escrito o mesmo. No meu coração, o testamento é outro... No meu coração, não te esquecerei enquanto amor, paixão e desejo que foste na minha vida. Se calhar, nem notaste ou, se calhar, percebeste e nem me disseste nada... Se calhar, estou aqui a lamentar-me por não te ter contado e, no final, sempre soubeste... Não, tu ter-me-ias dito se soubesses. Que razão haveria para não me dizeres? Bem, talvez a mesma razão pela qual eu não te disse que te amava. Talvez com medo de me perderes... Mas tu nunca me perdeste e nunca me vais perder. Aliás, fui eu que me perdi... Perdi-me que nem uma bússola avariada, no mundo totalmente novo que eras tu, sem nunca sequer me ter aproximado demais... O que teria acontecido se me tivesse aproximado mais? Ter-me-ias amado? Não, nunca irias amar-me da mesma maneira que te amei, que te amo... É impossível amar-se assim e manter-se são ao mesmo tempo... Esta saudável loucura, esta maravilhosa insanidade está a mostrar os seus frutos... Tanta coisa errada que há em mim agora que te perdi, agora que percebi que nunca te tive! Tantos passos que andei para trás, tantas pegadas que decidi apagar, tantas metas que escolhi não alcançar, só para te sentir um pouco mais meu, quando nunca o foste... Tanta confusão só para te dizer, só para te pedir que não me esqueças... Por favor, não me esqueças... Não quero desaparecer da tua memória...

    Quero que fales de mim em ocasiões especiais, nem que seja só na tua cabeça. Quero que recordes o meu nome como eu sempre recordarei o teu. Quero que me compares com esta e aquela mulher, quero que me compares à tua futura esposa, à tua cunhada, à tua filha, à tua sobrinha, a todas as mulheres da tua vida, nem que seja só por dois segundos. Quero que me mantenhas viva, só isso... Basta dizeres o meu nome; isso chega-me... Nunca me esqueças, por favor. Sabes que nunca te esquecerei, sabes que nunca o iria fazer... Só tenho pena que não saibas o quanto significaste na minha vida... Talvez um dia venhas a saber... Talvez um dia te conte como te amei, como te vivi e como, por fim, te perdi... Sim, porque vou-te perder, isso é certo... Agora, esquecer-te? Nunca... Amo-te... Isso é algo que nunca vai mudar... Posso perder-te, mas nunca deixarei de te amar... Basta-me a inicial do teu nome, para que tudo aconteça, para que me apaixone tudo de novo... Vou-te querer. Vou-te querer sempre, não o nego... Não quero parar de escrever-te... Parar de fazê-lo seria parar de te recordar e de te esquecer... Não quero parar... Não vou parar... Não te vou esquecer... Quero deixar de estar confusa, quero decidir-me... Quero perder-te mas não quero esquecer-te... Vou pôr um ponto final nisto... Vou acabar com tudo isto... Mas vou manter a tua memória viva... É-me impossível apagar-te... Vão ficar as tuas cinzas, por isso... Por isso, vou respirar fundo, seguir em frente, deixar-me desta obsessão de te querer contar e não o fazer. Vou embarcar numa nova viagem, focar-me noutras pessoas, noutras vidas para além da tua...

   O curioso disto tudo é que não penso constantemente em ti. Quando leres isto, quando alguém ler isto, até pode pensar que eu te perseguia para todo o lado, que arranjava desculpas para estar contigo, que passava a vida atrás de ti, que pensava em ti a toda a hora e que não existia outro tema de conversa que não tu. Mas não... Não te perseguia para todo o lado, não arranjava desculpas para estar contigo, não passava a vida atrás de ti, não pensava em ti a toda a hora e não falava constantemente sobre ti... Apenas te acompanhava quando me oferecias companhia; ficava em pulgas quando isso acontecia. Para estar contigo, bastava passar por ti; logo notavas a minha presença e me incluías no teu mundo. Fosse onde fosse, tu aparecias e eras tu me que puxavas para ti. Só pensava em ti quando alguém te referia em conversa; porém, quando o fazia, todo o meu mundo transformava-se numa figura, apenas: tu. Nunca falava sobre ti, a não ser que calhasse em conversa. Mas, sempre que o fazia, quase não conseguia parar... Depois, no final, tudo voltava ao normal, como se nunca tivesse acontecido... Como vês, tudo sobre ti era intenso; pouco duradouro mas intenso. Tão intenso que parecia explodir de repente, como se o meu desejo fosse fogo-de-artifício. Tu eras tanto, por tão pouco tempo... É tão estranho! É um amor tão diferente do que conheço! Num segundo, está tudo bem. De repente, alguém menciona o teu nome e o meu mundo emerge como uma cidade inteira renascida das profundezas, uma Atlântida pujada de riquezas nunca antes vistas, mas que, depois, voltava para o fundo do mar, quando o tema de conversa deixavas de ser tu...

    Não consigo organizar os meus pensamentos... Enquanto penso no que te quero escrever, escrevo coisas sem sentido, frases confusas, expressões idiotas, analogias irracionais, suposições ilusórias, cenários impossíveis... Quero parar, mas não consigo. Quero contar-te tanta coisa! Quero dizer-te tanto que nem sei o que dizer! Acho que já disse demais... Acho que me revelei demasiado... Por este andar, já te deves ter afastado de mim. Provavelmente, nem me queres encarar... Ou, quem sabe, estás a rir-te disto tudo... Espero que não... Espero que percebas tudo o que te escrevo, tudo o que te tenho vindo a escrever... Espero que não me esqueças... Neste momento, só espero isso agora: que não me apagues da tua memória... Por favor, não me esqueças...

Um beijo. Vou ter saudades.

Com amor,

Eu, Anónima»



"Young and full of running
tell me where is that taking me?
just a great figure eight
or a tiny infinity?

love is really nothing
but a dream that keeps waking me
for all of my trying
we still end up dying
how can it be?

don't say a word
just come over and lie here with me
'cause I'm just about to set fire to everything I see

I want you so bad I'll go back on the things I believe
there I just said it
I'm scared you'll forget about me

so young and full of running
all the way to the edge of desire
steady my breathing
silently screaming
I have to have you now

wired and I'm tired
think I'll sleep in my clothes on the floor
Or maybe this mattress will spin on its axis
and find me on yours

don't say a word
just come over and lie here with me
cause I'm just about to set fire to everything I see

I want you so bad I'll go back on the things I believe
there I just said it
I'm scared you'll forget about me

don't say a word
just come over and lie here with me
cause I'm just about to set fire to everything I see

I want you so bad I'll go back on the things I believe
there I just said it
I'm scared you'll forget about me"

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