«Às vezes, tento esquecer-te. Às vezes,
consigo fazê-lo. Por vezes, são muitas as vezes que te consigo afastar do
pensamento. Essas vezes são aquelas vezes em que o desejo é tão pequeno que nem
se sente. É nessas vezes que sei que eu
ainda sou eu, que eu não é nós, quando nós nunca
existiu. É nessas vezes que sei que ainda perduro, por muito que me tenha
perdido em ti. É nessas vezes que sei que ainda existes em mim. É nessas vezes
que percebo que é difícil esquecer-te. É nessas vezes que existem vezes que
quero apagar-te da memória e outras vezes que quero ter-te ao meu lado,
sorrindo-me com um olhar sereno e sincero. Às vezes, quero que deixes de me
fazer sofrer, ao mesmo tempo que quero que me protejas deste sofrimento. Às
vezes, quero acabar com este desejo de te ter, querendo, ao mesmo tempo, que me
faças desejar-te. Às vezes, não suporto este paradoxo, esta dualidade... Como
pode este desejo tornar-se passado e como posso ter-te? Como posso deixar de
pensar em ti e como posso sentir-te junto a mim? Como posso esquecer-te e como
posso prender-te em mim?
Isto mata-me... Esta indecisão é demasiado
dolorosa... É como... É como querer-te sem te querer, é ter-te sem te ter, é
ver-te sem te olhar, é sentir-te sem te tocar, é viver-te sem existir em ti.
Este desejo começa a tornar-se insuportável. Quero ter-te, quero ter-te agora,
quero que me queiras para sempre... Sei que prometi que te deixava partir, que
nunca mais te iria querer, que nunca mais me perderia em ti... Não, não menti
quando fiz essa promessa, mas compreende que não posso cumpri-la dum momento
para o outro. Não é possível esquecer alguém como tu assim, de repente. A dor
que se fez imperatriz terá um reinado longo. Ela vai governar-me até te
esquecer. Vou-te querer durante muito tempo. Querer-te-ei ainda com mais força
quando não te vir por muito tempo. Esse querer será ainda mais dono de mim
quando te reencontrar. Daqui a cinco, dez ou vinte anos, vou querer-te tanto
como te quero agora. Este querer é insubstituível, mas ele irá sucumbir... Este
meu desejo irá desaparecer do meu ser; apenas irão ficar as suas cinzas, de tanto
fogo que ardeu em mim... Este desejo leva-me a escrever tanto sobre ti. Quanto
mais te escrevo, mais te esqueço. É uma terapia sugerida pelo meu
subconsciente, para que tu e a tua imagem se evaporem do meu pensamento como se
nunca estivessem lá estado. Continuo a querer-te... É tudo tão confuso, tão
dúbio, que só me apetece gritar por ti, para que me confortes, mesmo que
estejas longe. O teu nome chega para me acalmar, mas, por vezes, nem ele é
capaz de fazê-lo...
Não quero esquecer-te, não vou
esquecer-te... Eu sei disso e sei que tu também sabes. Só não sabes é deste
amor, desta paixão que tenho por ti. Na tua cabeça, não te vou esquecer porque
foste um bom amigo. Na minha cabeça, está escrito o mesmo. No meu coração, o
testamento é outro... No meu coração, não te esquecerei enquanto amor, paixão e
desejo que foste na minha vida. Se calhar, nem notaste ou, se calhar,
percebeste e nem me disseste nada... Se calhar, estou aqui a lamentar-me por
não te ter contado e, no final, sempre soubeste... Não, tu ter-me-ias dito se soubesses.
Que razão haveria para não me dizeres? Bem, talvez a mesma razão pela qual eu
não te disse que te amava. Talvez com medo de me perderes... Mas tu nunca me
perdeste e nunca me vais perder. Aliás, fui eu que me perdi... Perdi-me que nem
uma bússola avariada, no mundo totalmente novo que eras tu, sem nunca sequer me
ter aproximado demais... O que teria acontecido se me tivesse aproximado mais?
Ter-me-ias amado? Não, nunca irias amar-me da mesma maneira que te amei, que te
amo... É impossível amar-se assim e manter-se são ao mesmo tempo... Esta
saudável loucura, esta maravilhosa insanidade está a mostrar os seus frutos...
Tanta coisa errada que há em mim agora que te perdi, agora que percebi que
nunca te tive! Tantos passos que andei para trás, tantas pegadas que decidi
apagar, tantas metas que escolhi não alcançar, só para te sentir um pouco mais
meu, quando nunca o foste... Tanta confusão só para te dizer, só para te pedir
que não me esqueças... Por favor, não me esqueças... Não quero desaparecer da
tua memória...
Quero que fales de mim em ocasiões
especiais, nem que seja só na tua cabeça. Quero que recordes o meu nome como eu
sempre recordarei o teu. Quero que me compares com esta e aquela mulher, quero
que me compares à tua futura esposa, à tua cunhada, à tua filha, à tua
sobrinha, a todas as mulheres da tua vida, nem que seja só por dois segundos.
Quero que me mantenhas viva, só isso... Basta dizeres o meu nome; isso
chega-me... Nunca me esqueças, por favor. Sabes que nunca te esquecerei, sabes
que nunca o iria fazer... Só tenho pena que não saibas o quanto significaste na
minha vida... Talvez um dia venhas a saber... Talvez um dia te conte como te
amei, como te vivi e como, por fim, te perdi... Sim, porque vou-te perder, isso
é certo... Agora, esquecer-te? Nunca... Amo-te... Isso é algo que nunca vai
mudar... Posso perder-te, mas nunca deixarei de te amar... Basta-me a inicial
do teu nome, para que tudo aconteça, para que me apaixone tudo de novo...
Vou-te querer. Vou-te querer sempre, não o nego... Não quero parar de escrever-te...
Parar de fazê-lo seria parar de te recordar e de te esquecer... Não quero
parar... Não vou parar... Não te vou esquecer... Quero deixar de estar confusa,
quero decidir-me... Quero perder-te mas não quero esquecer-te... Vou pôr um
ponto final nisto... Vou acabar com tudo isto... Mas vou manter a tua memória
viva... É-me impossível apagar-te... Vão ficar as tuas cinzas, por isso... Por
isso, vou respirar fundo, seguir em frente, deixar-me desta obsessão de te
querer contar e não o fazer. Vou embarcar numa nova viagem, focar-me noutras
pessoas, noutras vidas para além da tua...
O curioso disto tudo é que não penso constantemente em ti. Quando leres
isto, quando alguém ler isto, até pode pensar que eu te perseguia para todo o
lado, que arranjava desculpas para estar contigo, que passava a vida atrás de
ti, que pensava em ti a toda a hora e que não existia outro tema de conversa
que não tu. Mas não... Não te
perseguia para todo o lado, não arranjava desculpas para estar contigo, não
passava a vida atrás de ti, não pensava em ti a toda a hora e não falava constantemente
sobre ti... Apenas te acompanhava quando me oferecias companhia; ficava em
pulgas quando isso acontecia. Para estar contigo, bastava passar por ti; logo
notavas a minha presença e me incluías no teu mundo. Fosse onde fosse, tu
aparecias e eras tu me que puxavas para ti. Só pensava em ti quando alguém te
referia em conversa; porém, quando o fazia, todo o meu mundo transformava-se
numa figura, apenas: tu. Nunca falava
sobre ti, a não ser que calhasse em conversa. Mas, sempre que o fazia, quase
não conseguia parar... Depois, no final, tudo voltava ao normal, como se nunca tivesse
acontecido... Como vês, tudo sobre ti era intenso; pouco duradouro mas intenso.
Tão intenso que parecia explodir de repente, como se o meu desejo fosse
fogo-de-artifício. Tu eras tanto, por
tão pouco tempo... É tão estranho! É um amor tão diferente do que conheço! Num
segundo, está tudo bem. De repente, alguém menciona o teu nome e o meu mundo
emerge como uma cidade inteira renascida das profundezas, uma Atlântida pujada
de riquezas nunca antes vistas, mas que, depois, voltava para o fundo do mar,
quando o tema de conversa deixavas de ser tu...
Não consigo organizar os meus
pensamentos... Enquanto penso no que te quero escrever, escrevo coisas sem
sentido, frases confusas, expressões idiotas, analogias irracionais, suposições
ilusórias, cenários impossíveis... Quero parar, mas não consigo. Quero
contar-te tanta coisa! Quero dizer-te tanto que nem sei o que dizer! Acho que
já disse demais... Acho que me revelei demasiado... Por este andar, já te deves
ter afastado de mim. Provavelmente, nem me queres encarar... Ou, quem sabe, estás
a rir-te disto tudo... Espero que não... Espero que percebas tudo o que te escrevo,
tudo o que te tenho vindo a escrever... Espero que não me esqueças... Neste
momento, só espero isso agora: que não me apagues da tua memória... Por favor,
não me esqueças...
Um beijo. Vou ter
saudades.
Com amor,
Eu, Anónima»
"Young and full of running
tell me where is that taking me?
just a great figure eight
or a tiny infinity?
love is really nothing
but a dream that keeps waking me
for all of my trying
we still end up dying
how can it be?
don't say a word
just come over and lie here with me
'cause I'm just about to set fire to everything I see
I want you so bad I'll go back on the things I believe
there I just said it
I'm scared you'll forget about me
so young and full of running
all the way to the edge of desire
steady my breathing
silently screaming
I have to have you now
wired and I'm tired
think I'll sleep in my clothes on the floor
Or maybe this mattress will spin on its axis
and find me on yours
don't say a word
just come over and lie here with me
cause I'm just about to set fire to everything I see
I want you so bad I'll go back on the things I believe
there I just said it
I'm scared you'll forget about me
don't say a word
just come over and lie here with me
cause I'm just about to set fire to everything I see
I want you so bad I'll go back on the things I believe
there I just said it
I'm scared you'll forget about me"
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