Que músicas já foram comentadas. . .

"Long Live", Taylor Swift ; "Mean", Taylor Swift ; "Better than Revenge", Taylor Swift ; "Closer to the Edge", 30 Seconds To Mars ; "Nashville", David Mead ; "Count On Me", Bruno Mars ; "Won't Go Home Without You", Maroon 5 ; "I don't wanna miss a thing", Aerosmith ; "Both of Us", B.o.B ft Taylor Swift ; "Somebody", Lemonade Mouth ; "Stay, Stay, Stay", Taylor Swift ; "Two is Better than One", Boys Like Girls ft Taylor Swift (desculpem, não consegui resistir!) ; "Sorte Grande", João Só e Abandonados ft Lúcia Moniz ; "Unbelievable", EMF ; "Hey Stephen", Taylor Swift ; "Fairy Tail", Yasuharu Takanashi (instrumental) ; "Predestination", Fairy Tail (instrumental) ; "Kanashiki Kako", Fairy Tail (Instrumental) ; "Puedes ver pero no tocar", RBD ; "I Knew You Were Trouble", Taylor Swift ; "Coming Home", Diddy ; "Never Grow Up", Taylor Swift ; "Wherever You Will Go", The Calling ; "Chasing Cars", Snow Patrol ; "Demons", Imagine Dragons ; "Beneath Your Beautiful", Labrinth ft Emile Sandé ; "Fantastic Dream", Kaleido Star (Instrumental) ; "A Pele que há em Mim", Márcia com J.P. Simões ; "The Diary of Me", Taylor Swift ; "Impossible", James Arthur ; "I'm Only Me When I'm With You", Taylor Swift ; "A Different Beat", Little Mix ; "All of Me", John Legend ; "Staring at It", SafetySuit ; "A Thousand Years", Chritina Perri ft Steve Kazee ; "Ordinary Love", U2 ; "Stop This Train", John Mayer ; "Radioactive", Imagine Dragons ; "Thinking of You", Katy Perry ; "One Last Time", Ariana Grande ; "Edge of Desire", John Mayer ; "Almost Home", Alex and Sierra ; "What I Did For Love", David Guetta ft. Emeli Sandé ; "My Songs Know What You Did in the Dark", Fall Out Boy ; "Dança", Pólo Norte ; "O Tempo Não Pára", Mariza ; "Long Live", Taylor Swift (2ª versão) ; "Roman Holiday", Halsey ; "Breathe Me", Sia ; "Até ao Verão", Ana Moura ; "Hands to Myself", Selena Gomez ; "Jet Black Heart", 5 Seconds of Summer ; "Let Me Go", Avril Lavigne ft Chad Kroeger ; "Kings and Queens", 30 Seconds to Mars" ; "Todos os Dias", Paulo Sousa ; "Paris", The Chainsmokers ; "In The Blood", John Mayer ; "Stangeness and Charm", Florence and The Machine ; "Another Day In Paradise", Phil Collins ; "Bedshaped", Keane ; "In The Air Tonight", Phil Collins ; "Ordinary World", Duran Duran ; "Trevo (Tu)", Anavitória ft. Diogo Piçarra ; "If I Ain't Got You", Alicia Keys ; "Blinding", Florence and The Machine ; "Someone That Cannot Love", David Fonseca ; "Yellow", Coldplay ; "Promise", Ben Howard ; "The Whole of the Moon", The Waterboys ; "Let it Go", James Bay ; "Believe", Mumford & Sons ; "Say Something", A Great Big World ft. Christina Aguilera ; "Gold Rush", Taylor Swift ; "Blinding Lights", The Weeknd ; "É Isso Aí", Ana Carolina ft. Seu Jorge ; "Renegade", Big Red Machine ft. Taylor Swift ; "lovely", Billie Eilish ft. Khalid ; "The Only Exception", Paramore ; "You're Losing Me", Taylor Swift ; "The Story", Brandi Carlile ; "Guilty as Sin?", Taylor Swift ;

sexta-feira, 17 de julho de 2015

"My Songs Know What You Did In The Dark", Fall Out Boy

ZIRA E FIRE – PARTE II

    Passaram quase quatro anos desde que Zira fora presa. Muito mudou entretanto. Lá dentro, a jovem ligou-se à colega de quarto, Layla, e não arranjou inimigos. Foi sempre discreta e nunca revelou os seus segredos, fosse do que fosse, a ninguém. Passava os dias a treinar como se ainda andasse na Academia e muitas das colegas apreciavam esse seu lado. Até chegou a dar algumas aulas colectivas, coisas básicas. De resto, só Layla sabia as razões da prisão de Zira, que não as oficiais e também só ela sabia o que Zira iria fazer quando saísse da prisão. A resposta à pergunta era sempre a mesma: “Vou voltar à vida que tinha antes de vir para aqui”. E sempre que Layla insistia, perguntado a que “vida” é que a amiga se referia, esta nunca lhe dava uma resposta.
    Cá fora, também muito tinha mudado. As notícias chegaram a Zira através de outra rapariga, Delia, que entrou uma semana antes de Zira sair. A miúda de 19 anos reconheceu Zira através da sua tatuagem das sapatilhas de ballet. As duas tornaram-se inseparáveis por conveniência: Delia contava-lhe como andavam as coisas lá fora e Zira relatava-lhe as suas aventuras nos dois lados. Os últimos dias da jovem na cadeia foram passados num treino mais intenso que o habitual. Tanto o seu corpo como a sua mente começavam a focar-se num objectivo mais concreto. O fim aproximava-se…
    Faltavam catorze meses para concluir a pena quando Zira foi libertada por “bom comportamento”. A jovem ria-se cada vez que pensava na expressão: Bom comportamento, dizem eles… Eles nem fazem ideia do que eu sou capaz… A primeira coisa que fez foi caminhar até à cidade, onde, por dois dias, se tornou carteirista e dormiu na rua. Quando já tinha dinheiro suficiente, começou a executar o plano que delineara nos 46 meses de prisão que vivera. Cortou o cabelo, que entretanto crescera, da mesma maneira que o tinha cortado quando se tornara parceira de Fire. Comprou roupa desportiva, justa e preta, e recuperou as velhas sapatilhas de ballet, que guardara numa pequena arca, na cave do apartamento onde morara. Pegou na roupa velha que encontrou e deu-lhe um novo destino: doou-as, anonimamente, ao orfanato onde crescera, para que fossem usadas por quem precisasse. Depois de arranjado o guarda-roupa completo, Zira procurou um sítio onde pudesse pernoitar sem ser incomodada. Descobriu uma carrinha pão-de-forma numa sucata e comprou-a com algum do dinheiro que lhe restava. O que sobrou foi para pagar aos donos da sucata, para que ela pudesse lá manter o seu esconderijo sem denúncias à polícia ou quaisquer outros inconvenientes.
    Assim que tinha tudo organizado e estável, Zira pediu tinta preta para tecido a um dos donos da sucata. Apesar de estranhar o pedido, o velho arranjou-lhe a tinta. Numa noite, a jovem despejou a tinta numa lata grande e misturou-a com água, dando-lhe mais volume. Com um sorriso ansioso, pegou nas velhas sapatilhas e mergulhou-as por completo na tinta preta. Começava, assim, o regresso à vida antes da prisão…

***

    No dia seguinte, Zira calçou as sapatilhas, entretanto ligeiramente modificadas, e saiu à procura de um objecto que lhe fazia falta: uma arma. Entrou em contacto com o antigo fornecedor de Fire, que também a conhecia, e marcou um encontro. O homem de 32 anos surpreendeu-se quando viu Zira entrar no seu refúgio; não por estar diferente do que ele conhecia, mas por estar ainda melhor. Ela disse-lhe que queria uma arma específica e, assim que ele lha deu, Zira bateu-lhe na cabeça, deixando-o inconsciente. Quando o homem acordou, assustou-se: estava preso a uma cadeira, descalço, com fios eléctricos por todo o lado, mas dentro do seu próprio refúgio. Zira estava à sua frente, com um sorriso maníaco, balançando a nova arma na mão direita. Depois de cumprimentar o homem, ordenou-lhe que lhe contasse tudo o que acontecera desde que ela tinha sido presa. Após vários momentos de tortura, que incluíram tiros, electricidade e pancadaria, o homem revelou toda a organização que entretanto crescera: Fire era agora o chefe principal, dirigindo subordinados e equipas, zonas e transacções; tudo o que o senhor Montague fazia antes de ser assassinado por… Fire. Foi assim que ele ascendeu, então…, pensou Zira, sorridente. Antes de sair do refúgio do fornecedor, a jovem telefonou para a polícia, dizendo que lhes deixara um pequeno presente, indicando a morada e desligando o telefone antes que a secretária pudesse dizer alguma coisa.
    Continuou a percorrer o caminho hierárquico na organização até chegar a Fire. Adaptou-se rapidamente ao calçado simbólico, que unia o passado ao presente, e sorria por isso. Pelo caminho vingativo, deixava “presentes” à polícia local: criminosos amarrados a cadeiras, pilares ou até tubos de esgoto, feridos com marcas de fortes golpes e um ou dois tiros, mas sempre vivos. Ao seu lado ou à sua volta, estavam também dispostas provas dos crimes de que eram autores: fotos, papéis, o que fosse que os mandasse para a prisão. No meio disso tudo, Zira também deixava um bilhete para a detective Grace, onde constava apenas um coração desenhado – uma espécie de assinatura. Demorou pouco mais de um mês para Zira encontrar a sede de Fire. Era um armazém na zona industrial, que lhe fazia lembrar os tempos em que namoravam. Feita a descoberta, Zira foi visitando o armazém, secretamente, tentando perceber como funcionava ali a logística: quantos homens, quantas mulheres, quantas armas, quantas hipóteses. Zira percebeu que Fire passava lá as noites, o que dava a entender que tinha lá um quarto. A jovem também sabia algo que realmente a incomodava: Fire arranjara uma nova parceira oito meses depois da ex ter sido presa. Pior ainda era que a nova alfa adoptara um nome muito parecido ao de Zira: Kira. E nem sequer tem nada que dê para agarrar…, resmungou a jovem depois de ver a miúda, vezes sem conta. Decidida a amedrontar a rapariga – e toda a organização – Zira planeou a sua chegada ao pormenor. Uns dias depois, desencadeou a sua última tarefa…
    Numa manhã solarenga, Zira levantou-se da “cama” que o banco da carrinha pão de forma proporcionava e vestiu-se como de costume, mas, desta vez, optou por não levar a arma. De mente e espírito aberto, percorreu a estrada até ao armazém de Fire e, sem mais nem menos, entrou com ar possante, escancarando as duas grandes portas. Um “guarda” – o miúdo não devia ter mais que 16 anos – deu o alerta, apontando a arma a Zira, que parou a olhar para ele, com um sorriso sedutor. No piso térreo, surgiram vários rapazes/homens e três raparigas, enquanto, do piso de cima, apenas apareceram dois homens, que Zira reconheceu como seus antigos subordinados, e a idiota da nova alfa, em trajes menores. Quando a viu, Zira cuspiu para o chão e sorriu, maliciosamente. Por trás da alfa, apareceu aquele por quem ela mais esperara: Fire, que fez um ar extremamente surpreendido por vê-la. Zira passou logo ao ataque.
    — Não faças essa cara, porque eu sei que tu sabes que eu vinha... – Fire não respondeu nada, nem mesmo quando a sua parceira o olhou, indignada. – Tiveste saudades? – Riu-se a jovem, cativante. Fire derreteu-se.
    — Queres subir? – Todos os membros olharam para Fire, atónitos.
    — Nem me apresentas, querido? – Provocou Zira, começando a andar em direcção às escadas.
    — Quem é esta? – Atirou Kira, virando-se para Fire.
    — Zira K.. – Respondeu Zira, de repente e bem alto. – Reconheces? – Kira fitou, com espanto, a ex-alfa, tal como os membros mais novos do gang.
    — Tu nem me deixas falar, Z.. – Brincou Fire, chamando a ex pela alcunha de namoro.
    — Oh, já me conheces! – Alinhou Zira, quando se aproximou do casal. – Estou a ver que tens uma boneca nova… – Comentou, olhando Kira de cima a baixo.
    — A boneca tem nome! – Resmungou Kira, com raiva.
    — A boneca fala, que engraçado... – Cuspiu Zira, levantando a sobrancelha e rindo. Fire riu-se também, o que abalou um pouco a posição de Kira. – Ela é boa na cama?
    Toda a gente fitou Fire: Zira estava a jogar um jogo perigoso. Desarmar a alfa em frente ao gang inteiro e daquela maneira era uma estratégia que podia revelar-se contrária ao que deveria ser. Mas Zira nem vacilou. Ela sabia que não havia ninguém melhor que ela para Fire, fosse no que fosse. A resposta saiu dos lábios do chefe de uma forma muito natural.
    — Nem te chega aos calcanhares. – Kira fez um ar desolado quando Fire respondeu à pergunta.
    — Eu sabia. – Sorriu Zira.
    — Se sabes que és a melhor, porque é que perguntas? – Riu-se Fire, desviando Kira e aproximando-se de Zira.
    — Porque há pessoas que não sabem… – Provocou Zira, beijando Fire com fogosidade. – Precisamos de falar. Vamos para o teu quarto? – Fire nem respondeu; apenas entrou com Zira no quarto e fechou a porta, deixando tudo e todos.
    Ninguém queria acreditar no que acabar de acontecer, principalmente Kira, que vira a sua autoridade questionada por uma ex-alfa, que só tinha fama. Mas bem, tendo em conta o sucedido, a fama era-lhe merecedora…
    Zira passou o dia inteiro com Fire, a fazer mais do que apenas “falar” – os gritos de prazer de ambos ouviam-se a milhas – e, no fim do dia, Zira ainda teve a lata, segundo Kira, de dar ordens a subordinados seus e sair impune. Inconscientemente, todos sabiam que ela voltaria e, da próxima vez, viria (ainda mais) armada.

***

    Finalmente, chegara o dia D. Enquanto o sol esteve no alto, Zira preparou-se para a “festa de logo à noite”, como lhe chamou, e, ao final da tarde, pôs-se a caminho do armazém. Enquanto todos dormiam – excepto os jovens guardas – Zira subiu ao telhado e disparou contra eles, com soro tranquilizante, deixando-os adormecidos. Depois, voltou a descer e entrou, em silêncio. Foi percorrendo as salas e quartos, neutralizando toda gente que encontrava, levando-os, depois, para um canto da entrada do armazém. Ainda ninguém dera o alarme. Assim que reunira todos os membros do piso térreo, Zira passou para o piso superior, com muito mais cuidado. Os treinos que fizera na cadeia mostravam-se essenciais nas manobras que executava. Ao fim de uns minutos, só restavam Fire e a outra. Zira entrou no quarto, silenciosamente e com a atenção redobrada. Quando olhou para a cama, sorriu, maliciosamente. Fire continuava a dormir nu. Já a outra… Estava com uma camisa horrível e estava de costas para Fire, toda encolhida. É mesmo idiota…, pensou Zira, revirando os olhos. De seguida, apontou-lhe o tranquilizador e disparou, repetindo o mesmo com Fire.
    Quando todos acordaram, tiveram reacções diferentes: os mais novos entraram em pânico, enquanto os mais velhos procuravam uma saída e outros nem reagiam. Todos estavam na mesma situação: atados a cadeira, pregadas ao chão, apenas com a roupa que tinham no corpo que, no caso de Fire, era nenhuma. Havia uma carrada de papéis espalhados meticulosamente no chão, juntamente com fotografias e outros objectos.
    — O que é que estás a fazer, Zira? – Perguntou Fire.
    — O que é que te parece? – Contrapôs a jovem.
    — Que nos vais matar a todos? – Tentou Fire, em tom de brincadeira. Os mais novos fizeram um ar ainda mais assustado.
    — Estás parvo? – Riu Zira. – A boneca deu-te cabo dos neurónios, estou a ver…
    — Já te disse que a boneca tem nome! – Respondeu Kira, balançando-se na cadeira.
    — Tu ainda não percebeste que eu não quero saber do teu nome para nada, pois não? – Retorquiu Zira. – O teu nome não interessa a ninguém e não é por ser parecido com o meu que vai ser lembrado por alguém. Vê se cresces, miúda. – Riu-se a jovem.
    — Querida, vais responder? – Insistiu Fire. Kira bufou de raiva.
    — Vou meter-vos a todos na prisão, que mais poderia ser? – Retorquiu Zira, brincando com a arma.
    — E como é que vais fazer isso? – Continuou o alfa.
    — Fácil. Vou deixar-vos aqui, telefonar para a polícia e... Talvez encomende uma pizza para assistir ao espectáculo. – Sorriu Zira, com naturalidade.
    — Amor, o que é que ganhas com isto tudo? Vais voltar para a prisão de qualquer das maneiras…
    Zira aproximou-se de Fire e sentou-se no seu colo, de frente para ele. Com uma perna de cada lado, pressionou-se contra o seu colo, seduzindo o corpo do amante com subtileza, que correspondia com paixão da maneira que podia. Com as mãos, agarrou o cabelo de Fire e puxou-o, inclinando-lhe a cabeça para trás, num acto quase selvagem, enquanto lhe beijava o pescoço. Quando chegou aos seus lábios, parou e olhou-o nos olhos.
    — Só preciso desta vingança. Nada mais me interessa. – Disse Zira, num tom sinistro.
    Fire não conseguiu dizer nada. Aliás, nem conseguiu reagir. Ele realmente tinha mudado aquela rapariga e a prisão ainda a tornou mais perigosa. Ela era uma obra de tarde, a sua obra de arte, e, agora, virara-se contra ele. Tal como o chefe, ninguém foi capaz de proferir uma única palavra. Ninguém disse nada enquanto Zira telefonava para a polícia e escrevia o bilhete para a detective. As vozes só surgiram quando os olhos viram Zira despejar gasolina pelo armazém, à volta do pequeno círculo de criminosos e provas. Ele não ligou a nenhum grito; era óbvio que ela não os ia queimar, nem a eles nem às provas. Apenas lhe apeteceu pôr tudo a arder; deixava-a com o sentimento de missão cumprida. Pouco tempo depois de estar a arder, Zira saiu, permanecendo, na rua, à espera das autoridades.

***

    — Não te percebo, sinceramente... – Riu-se Layla, assim que viu Zira entrar, de volta, na sua cela. – Não disseste que ias voltar à tua vida antes de vires para aqui?
    — E voltei. – Retorquiu Zira, com a maior das tranquilidades. – Antes de vir para aqui, era criminosa. E, agora, estou de volta.
    — Porquê? Podias ter gozado a vida lá fora como deve ser…
    — Chama-se viver de consciência tranquila, Layla. Devias experimentar. – Riu-se Zira.
    — “Consciência tranquila”? – Gozou Layla.
    — Também conhecida como “vingança”. – Acrescentou Zira, deitando-se na cama, de barriga para cima.
    — E vê lá onde é que isso te levou… – Constatou Layla, sentando-se ao lado de Zira.
    — Era tudo o que eu precisava…
    — O quê? Vingança?
    — Sim… Vinguei-me… Era só disso que precisava… Tudo o resto, é um extra…
    Zira fez um sorriso malicioso. Sabia bem, a vingança…



FIM

"Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.

B-B-B-Be careful making wishes in the dark, dark
Can't be sure when they've hit their mark
And besides in the mean, mean time
I'm just dreaming of tearing you apart

I'm in the de-details with the devil
So now the world can never get me on my level
I just gotta get you off the cage
I'm a young lover's rage
Gonna need a spark to ignite

My songs know what you did in the dark

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark
Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark

All the writers keep writing what they write
Somewhere another pretty vein just dies
I've got the scars from tomorrow and I wish you could see
That you’re the antidote to everything except for me, me

A constellation of tears on your lashes
Burn everything you love, then burn the ashes
In the end everything collides
My childhood spat back out the monster that you see

My songs know what you did in the dark

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark
Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark

My songs know what you did in the dark
(My songs know what you did in the dark)

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark
Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark

Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa"

quarta-feira, 15 de julho de 2015

"What I Did For Love", David Guetta ft. Emeli Sandé

ZIRA E FIRE – PARTE I

    Sarah apressou-se a sair de casa, em direcção à Academia de Ballet, onde era bolseira. Desde pequena que queria ser bailarina e o orfanato onde crescera sempre a ajudara na conquista do seu sonho. Agora, já trabalhava e já sustentava o seu próprio apartamento - ou, melhor dizendo, o seu pequeno T0, nuns subúrbios pouco agradáveis à primeira vista. Mas Sarah estava a viver o seu sonho; tudo o resto era um extra que facilmente suportava. Só havia um factor instável, mas impossível de resistir: Tony, ou A. J. Fire, como era conhecido. O único problema é que ele era um criminoso, temido pelos membros mais novos de todos os gangs da zona e bem conhecido por outros noutras zonas. Todos os dias, sempre que Sarah saía de casa, ela encontrava-o a caminho do autocarro. Enquanto ela esperava na paragem, ele olhava-a do outro lado da rua, ao longe, quase não se notando a sua presença, mas fazendo-se sentir o suficiente para que a jovem corasse de timidez e desejo. Quando o autocarro chagava e Sarah entrava nele, A. J. Fire levantava-se e via-a desaparecer no interior do veículo. Depois, sentava-se, de novo, esperando que o autocarro passasse por si, para que pudesse rever a bailarina, que, sempre que podia, se sentava à janela, para o observar uma última vez. Era a única vez que se viam durante o dia. À noite, quando Sarah voltava da Academia, a cena repetia-se. Todos os dias eram assim: pequenas visões das paixões um do outro era tudo o que tinham.

    A. J. tinha todas as raparigas que queria, mas havia apenas uma que ele desejava infinitamente: Sarah. Talvez por ser bailarina. Talvez por ser intocável. Talvez por ser a única rapariga de cadastro limpo que conhecia. Mas bem, ele não a conhecia. Conhecia o seu tipo, isso sim. Elegante, silenciosa, «bem comportada», confiante, mas, ao mesmo tempo, frágil. Aquele tipo de rapariga que apetece corromper. E, oh, como ele queria corrompê-la! Torná-la irracional, feroz, temível e maliciosa. Queria torná-la uma versão feminina de si mesmo. As raparigas do seu gang não eram boas o suficiente para serem suas, a todos os níveis. Eram flores de estufa, que só tinham garganta... A. J. Fire jurara a si mesmo que iria converter a bailarina numa criminosa exemplar. Já tinha a sua atenção; agora, só precisava da sua lealdade e confiança.

    O dia de Sarah foi dos mais calmos que tinha tido ao longo dos anos. A preparação da nova peça ia mais avançada do que se pensava e, por isso, o treino era mais leve. Como de costume, tomou um duche rápido, na Academia, e foi para casa pelo caminho do costume. Quando estava quase a chegar à paragem onde saía, percorreu o outro lado da rua com o olhar, procurando A. J.. Porém, não o viu em lado nenhum. Deve estar a «trabalhar»..., pensou, descendo as escadas do autocarro e começando a caminhar até casa. A meio do caminho, Fire apareceu-lhe à frente, cumprimentando-a com um simples «olá». Sarah parou, de repente, olhando-o nos olhos.
    — Olá... – Retribuiu, um pouco insegura. Fire apaixonou-se logo pela sua voz.
    — Bem, sei que és uma miúda ocupada, mas queria saber se estás disponível para sair, hoje à noite. – Fire disparou o convite, sem piscar os olhos. Sarah surpreendeu-se.
    — Hoje à noite? Tipo, agora?
    O olhar de surpresa dele fê-la sorrir com um pouco de atrevimento no olhar. Afinal, o nível de atracção física entre ambos era imensurável e aquele tipo de linguagem era algo que ele não esperava de uma rapariga como ela. Pois, ele enganava-se (e muito) a respeito dela…
    — Exacto, agora. – Fire voltou a impor o seu tom ligeiramente autoritário, incrivelmente apetecível para os ouvidos de Sarah.
    — Por mim, tudo bem. – Aceitou Sarah, com um sorriso mais inocente. – Onde?
    — Onde quiseres. – Sugeriu Fire, olhando-a com provocação.
    — Em minha casa? – Contra-atacou Sarah, sem pensar duas vezes. Fire passou as mãos pelo cabelo despenteado.
    — Cozinhas tu? – Sarah riu-se com a pergunta e Fire sorriu com o olhar, recordando-se que nunca ouvira uma voz tão hipnotizante como a dela a rir-se.
    — Claro. – Respondeu a jovem, começando a andar em direcção a casa, obrigando Fire a caminhar ao seu lado. – Se quiseres, até podes ajudar…
    — Ah, achas-me com cara de quem cozinhe? – Riu-se Fire. Sarah sorriu; o riso do jovem era sedutor. – Tenho uma reputação a manter, como bem sabes.
    — Como bem sei? – Retorquiu Sarah, levantando uma sobrancelha, fingindo-se ignorante. – Eu nem te conheço! – Riu-se, por fim. Fire decidiu provocá-la.
    — Não me conheces e convidas-me para tua casa?
    Sarah reparou que faltavam apenas alguns metros para o apartamento onde morava e aquela era uma boa pergunta que merecia uma resposta cuidadosa. Por isso, Sarah… lançou-se de cabeça.
    — Não me conheces e convidas-me para sair? – Idiota!, disse a si própria.
    — Acho que a melhor forma de te conhecer é sair contigo… Ou não? – Riu-se Fire, esperando que Sarah tirasse as chaves da mala, para abrir a porta do apartamento.
    — Na teoria, estás a entrar comigo… – Desta vez, foi Sarah que se riu, depois de perceber o que dissera. Fire riu-se também. – Mas sim, é…
    — Por acaso, prefiro entrar. Sair é demasiado... – Fire parecia procurar uma palavra em específico, enquanto Sarah abria a porta e os dois entravam no pequeno apartamento.
    — Fácil? – A jovem encontrou uma palavra que lhe pareceu adequada à situação.
    — Exactamente! – Exclamou Fire, depois de Sarah trancar a porta. – Nunca pensei que nos completássemos tanto...
    — Espera até chegarmos à sobremesa… – Provocou Sarah, deixando as segundas intenções pairarem no ar sedutor que se começava a formar.
    Fire sorriu com desejo e seguiu-a até à cozinha, em passos largos. Sarah sentiu-o atrás de si, como se de uma sombra se tratasse e, antes que pudesse fazer alguma coisa, ele abraçou-a por trás e beijou-lhe o pescoço. Num suspiro, Sarah virou-se de frente e beijou-o, pela primeira vez. Fire soltou os lábios da boca da jovem e olhou-a de perto, pela primeira vez. Depois de um sorriso e um olhar trocados, Fire cravou o seu corpo contra o de Sarah, sentindo-o pela primeira vez. Sarah apertou a cintura de A. J. contra si, pela primeira vez. E, pela primeira vez, o T0 foi usado para algo mais do que treinos, cozinhados ou noites bem dormidas…

***

    Tinha-se passado quase um ano desde que A. J. Fire e Sarah – ou Zira K., como era mais conhecida – começaram a namorar. A vida dele estava mais completa: tinha uma parceira no crime e no coração, assim como uma tatuagem a mais. Também tinha ascendido na hierarquia do gang, controlando, agora, uma zona maior da cidade. Mas foi a vida dela que deu uma volta de 180 graus. Ao fim de umas semanas, acabou por deixar a Academia, dedicando-se completamente à nova vertente profissional, sendo treinada por Fire, que lhe reconheceu um «talento natural para a coisa». O seu cabelo escuro comprido estava agora cortado curto, na diagonal e assimétrico. Os seus braços, costas e peito estavam decorados com tatuagens simbólicas, das quais a sua preferida era a que tinha junto ao coração: um par de sapatilhas de ponta, pretas, desenhadas como se estivessem expostas numa montra, com os seus laços pendendo delicadamente. As suas roupas, agora, eram muito mais práticas, justas e discretas do que o habitual. O preto, o vermelho e o azul-escuro eram mais que abundantes no roupeiro que compartilhava com Fire. Sim, Zira mudara-se para o abrigo do namorado, num armazém abandonado, deixando o T0 para outra pessoa que quisesse seguir um sonho.
    No meio disto tudo, a jovem viu-se a provar que merecia o seu lugar de alfa, através de pequenos assaltos, incêndios e mentiras; tudo era feito em nome do seu amor por Fire, que a acompanhava sempre nessas andanças. A luta pelo cargo mais desejado – e pelo coração do rapaz – era feroz e Zira tinha que se concentrar em marcar uma posição firme, irrefutável e que, ao mesmo tempo, desse confiança aos outros membros do gang, ou «irmãos», como se chamavam uns aos outros. Por isso, Zira ajudava Fire na tomada de decisões e impunha-se autoritária sempre que sentisse necessário. Por vezes, os membros mais novos desafiavam-na, mas Zira calava-os apenas com o olhar. O seu nome era sinónimo de poder, medo, fascínio e confiança. A jovem era conhecida e reconhecida por todos aqueles que faziam parte daquela vida.
    Fire gostava de vê-la assim, poderosa como ninguém. A certa altura, até achou que ela poderia ultrapassá-lo sem quaisquer dificuldades, mas o amor que ela tinha por ele sempre a manteve fiel ao seu lugar. E ela gostava de estar onde estava. Todos os dias provava isso, fosse de que maneira fosse. Por vezes, bastava um simples olhar para tranquilizá-lo. Outras vezes, o mesmo olhar poderia deixá-lo louco e a conversa só acabava no quarto – ou onde calhasse. Por isso, nada preparara Zira para o que acontecera naquele dia…
    Fire recebera informações preciosas que o iriam ajudar num assalto a uma sucursal de um banco. Depois de apresentar o plano a Zira, esta explicou-lhe os riscos implícitos mas prometeu-lhe protecção caso algo corresse mal. Numa troca de beijos fogosa, os dois deram os toques finais no plano e transmitiram-no aos membros escolhidos para a tarefa. Seria um pouco mais arriscado do que o costume mas tudo seguiria no bom caminho se todos fizessem o planeado. Com tudo esclarecido, meteram-se a caminho do alvo. Quando lá chegaram, cobriram o rosto com máscaras negras e ameaçaram os funcionários com armas de fogo ligeiras. O processo foi-se desenvolvendo com a naturalidade que lhe era costume, mas algo de inesperado aconteceu: uma patrulha da polícia passara na rua, por acaso, e reparara no que se estava a passar. De imediato, Fire e Zira deram as ordens de retirada e de separação dos elementos do grupo, para se tornar mais fácil a fuga. Porém, Zira foi puxada por um dos funcionários, que a atirou ao chão. Ela respondeu com uma rasteira, fazendo cair o homem. Quando se levantou, à pressa, para correr atrás de Fire, já a polícia entrara e a agarrara, com força, imobilizando-a. Sem saber como, Zira tinha sido detida…
    De volta à sede, Fire nem queria acreditar no que acontecera: a sua namorada e parceira tinha sido capturada pela polícia e de certeza que seria presa. Ignorando por completo o saque espalhado em cima da mesa, Fire correu para o quarto e chorou, pela primeira vez na sua vida. Não queria perdê-la; queria resgatá-la, queria libertá-la, trazê-la de volta. Sabia que tinha que ir reportar o sucedido ao chefe de toda a organização, o senhor Montague, e também sabia que ele não ficaria nada contente com a situação…

***

    — Se me disseres os nomes, a tua pena será menor. – Repetiu-lhe Grace, a detective encarregue do caso de Zira. Esta olhou-a com ferocidade.
    — Já lhe disse que não vou denunciar ninguém. – Reforçou a rapariga, rangendo os dentes.
    — Querida, os teus cinco anos podem passar para dois, ou até para menos… Não vês a diferença? – Grace insistiu com Zira, prometendo-lhe uma pena menor, mas a jovem não iria abrir a boca.
    — Primeiro que tudo, eu sou tudo menos querida e segundo, você é que parece não ver a diferença entre uma afirmação e uma negação. – Provocou Zira. – Qual foi a parte do «não» que não percebeu?
    — Então, vais perder cinco anos da tua vida por uns tipos que não querem saber de ti para nada e nem te ajudaram a fugir? – Perguntou Grace, num tom de voz alto o suficiente para fazer tremer qualquer um; qualquer um excepto Zira, que nem piscou os olhos.
    — O erro foi meu, sou eu que tenho de o corrigir. Além disso, eles preocupam-se o suficiente comigo, acredite. Aliás, até era capaz de apostar que os informadores que tem por aí sabem o meu nome e a minha reputação detrás para a frente e também já devem saber que vai ser difícil substituir-me.
    Grace calou-se por momentos. Primeiro, ela achava incrível como é que uma rapariga como aquela era capaz de ter a tamanha confiança e inteligência que demonstrava; segundo, como é que ela sabia dos informadores que Grace lançara no terreno; e terceiro, como é que ela sabia que a concorrência era pouca.
    — Então, detective, diga lá o que está a pensar? – Incitou Zira, num tom de voz provocante e intimidador ao mesmo tempo que doce e inocente.
    — Última oportunidade. – Atirou Grace, sem pestanejar.
    — Vemo-nos daqui a cinco anos, Grace. – Sorriu Zira.

***


    Dias depois, Zira deu entrada na prisão feminina, longe de casa, longe de tudo. Deram-lhe uma cela relativamente grande, com uma colega de quarto. Tudo tinha um ar frio e Zira tinha que se habituar depressa. Para sua surpresa, no primeiro dia de visitas, Fire apareceu para vê-la. Conseguira entrar com documentos falsos, mas as notícias que trazia não eram boas. Ambos sabiam que não mais se veriam, não mais se tocariam, nos próximos cinco anos. Zira decidira que não poderiam manter contacto de maneira nenhuma, nem por carta; era demasiado perigoso. Foi também ela quem pôs um ponto final no namoro. No final, os dois choraram o que puderam e separaram-se uma última vez. Quando Zira voltou para a cela, a última coisa que fez antes de adormecer foi chorar; chorar até adormecer…

CONTINUA...


"Talking loud, talking crazy
Locked me outside
Prayin' for the rain to come
Bone dry again
Guess it's true what they say
I'm always late
Say you need a little space
That I'm in your way

It hurts, but I remember every scar
And I've learned
But living is the hardest part

I can't believe what I did for love
I can't believe what I did for us
Crash and we burn into flames
Stitch myself up and I'd do it again
I can't believe what I did for love

(What I did for love)
What I did for love
(What I did for love)
What I did for us
(What I did for love)
What I did for love
(What I did for love)
What I did for us

I'm a fool for your games
But I always play
Can't admit it was a waste
There's too much at stake

It hurts,
But I remember every scar
And I've learned
But living is the hardest part

I can't believe what I did for love
I can't believe what I did for us
Crash and we burn into flames
Stitch myself up and I do it again
I can't believe what I did for love

(What I did for love)
What I did for love
(What I did for love)
What I did for us
(What I did for love)
What I did for love
(What I did for love)

I can't believe what I did for love"