Que músicas já foram comentadas. . .

"Long Live", Taylor Swift ; "Mean", Taylor Swift ; "Better than Revenge", Taylor Swift ; "Closer to the Edge", 30 Seconds To Mars ; "Nashville", David Mead ; "Count On Me", Bruno Mars ; "Won't Go Home Without You", Maroon 5 ; "I don't wanna miss a thing", Aerosmith ; "Both of Us", B.o.B ft Taylor Swift ; "Somebody", Lemonade Mouth ; "Stay, Stay, Stay", Taylor Swift ; "Two is Better than One", Boys Like Girls ft Taylor Swift (desculpem, não consegui resistir!) ; "Sorte Grande", João Só e Abandonados ft Lúcia Moniz ; "Unbelievable", EMF ; "Hey Stephen", Taylor Swift ; "Fairy Tail", Yasuharu Takanashi (instrumental) ; "Predestination", Fairy Tail (instrumental) ; "Kanashiki Kako", Fairy Tail (Instrumental) ; "Puedes ver pero no tocar", RBD ; "I Knew You Were Trouble", Taylor Swift ; "Coming Home", Diddy ; "Never Grow Up", Taylor Swift ; "Wherever You Will Go", The Calling ; "Chasing Cars", Snow Patrol ; "Demons", Imagine Dragons ; "Beneath Your Beautiful", Labrinth ft Emile Sandé ; "Fantastic Dream", Kaleido Star (Instrumental) ; "A Pele que há em Mim", Márcia com J.P. Simões ; "The Diary of Me", Taylor Swift ; "Impossible", James Arthur ; "I'm Only Me When I'm With You", Taylor Swift ; "A Different Beat", Little Mix ; "All of Me", John Legend ; "Staring at It", SafetySuit ; "A Thousand Years", Chritina Perri ft Steve Kazee ; "Ordinary Love", U2 ; "Stop This Train", John Mayer ; "Radioactive", Imagine Dragons ; "Thinking of You", Katy Perry ; "One Last Time", Ariana Grande ; "Edge of Desire", John Mayer ; "Almost Home", Alex and Sierra ; "What I Did For Love", David Guetta ft. Emeli Sandé ; "My Songs Know What You Did in the Dark", Fall Out Boy ; "Dança", Pólo Norte ; "O Tempo Não Pára", Mariza ; "Long Live", Taylor Swift (2ª versão) ; "Roman Holiday", Halsey ; "Breathe Me", Sia ; "Até ao Verão", Ana Moura ; "Hands to Myself", Selena Gomez ; "Jet Black Heart", 5 Seconds of Summer ; "Let Me Go", Avril Lavigne ft Chad Kroeger ; "Kings and Queens", 30 Seconds to Mars" ; "Todos os Dias", Paulo Sousa ; "Paris", The Chainsmokers ; "In The Blood", John Mayer ; "Stangeness and Charm", Florence and The Machine ; "Another Day In Paradise", Phil Collins ; "Bedshaped", Keane ; "In The Air Tonight", Phil Collins ; "Ordinary World", Duran Duran ; "Trevo (Tu)", Anavitória ft. Diogo Piçarra ; "If I Ain't Got You", Alicia Keys ; "Blinding", Florence and The Machine ; "Someone That Cannot Love", David Fonseca ; "Yellow", Coldplay ; "Promise", Ben Howard ; "The Whole of the Moon", The Waterboys ; "Let it Go", James Bay ; "Believe", Mumford & Sons ; "Say Something", A Great Big World ft. Christina Aguilera ; "Gold Rush", Taylor Swift ; "Blinding Lights", The Weeknd ; "É Isso Aí", Ana Carolina ft. Seu Jorge ; "Renegade", Big Red Machine ft. Taylor Swift ; "lovely", Billie Eilish ft. Khalid ; "The Only Exception", Paramore ; "You're Losing Me", Taylor Swift ; "The Story", Brandi Carlile ; "Guilty as Sin?", Taylor Swift ;

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

"Até ao Verão", Ana Moura

    Uma das coisas da vida que aprecio profundamente é o tempo. O tempo do relógio, o tempo das coisas... O dia, a noite, as estações do ano... Há coisa mais encantadora, mais confusa, mais dolorosa, mais subtil, que o tempo de tudo? Hoje começa um ciclo de mensagens que ainda não sei bem quando vai acabar. Este ciclo de mensagens que se segue é sobre isso mesmo: o tempo de tudo...

A NOITE

    A noite é sagrada; é ambígua. É fruto do sossego, semente da guerra, campo de tranquilidade, flor do sorriso. É delícia amarga, é doce ardente. Rosa negra sem espinhos, rosa branca cheia de beijos, terra fresca e suave, relva acabada de cortar, chuva macia e ternurenta. É Primavera silenciosa, estrada de pétalas, vento tímido... É nela que vivem os desejos, os pesadelos, as vontades... É nela que sussurramos sentimentos, que tocamos lábios divertidos, que perpetuamos olhares intensos. Aprendemos a dançar de outra maneira, ganhamos asas para percorrer submundos, perdemos o chão para subir às nuvens. Pensamos, reflectimos, queimamos pestanas, preenchemos vazios. É à noite que somos outros, que somos o que sempre fomos, que somos o que sempre quisemos ser.

    Noite é perder-se e encontrar-se, vezes sem contas. É sentir-se apaixonado e de coração partido. É serenidade pura, tranquilidade pacífica, estados de espírito flutuantes que nunca sabem onde assentar. É pensar no que poderia ter acontecido, é arrepender-se do que aconteceu; é fracassar e ter sucesso. Sorrir sem sentido nem significado; é chorar da mesma maneira. É gritar no pensamento e falar coisa nenhuma. É morder os lábios, fechar os olhos, abraçar corpos, passar as mãos pelos cabelos e suspirar de prazer. É sentir o outro lado da cama desabitado, frio, insensível. É contorcer-se no calor e enlaçar-se no depois. É o antes silencioso do depois carinhoso. É a meiguice quando a vontade é a tortura. É o desalento quando o futuro é a bem-aventurança. É céu-aberto, estrelas sem fim, azuis infinitos, praias desertas, marés cheias, neblina selvagem. Noite é sentir-se sem saber que se sente o que se sente.

    Noite é enveredar pelos caminhos dos trabalhos de investigação, dos cafés, chás e bolachas. É caminhar pela imaginação das letras, pelo pensamento criativo, pelo mundo da escrita. É fazer e refazer parágrafos inteiros ou frases soltas. É soltar ideias e recuperar outras. É ver o trabalho feito quando ainda nem se tem a primeira página. É ver o sono andar de um lado para o outro, na sala de estar, esperando, impaciente, por aqueles que teimam em não dormir. É sorrir-lhe quando ele se cansa de esperar e sai, indignado. É olhar para a frente, fixando imagem nenhuma, tentando encontrar a melhor maneira de escrever o que se tem na cabeça. É explodir numa corrida contra o tempo quando essa palavra que há tanto esperávamos nos passa à frente dos olhos e combatemos o teclado para a deixar marcada na linha inacabada. É suspirar de alívio quando demos mais um pequeno passo num texto que continua sem forma. É beber outro café e comer outra bolacha. É levantar o corpo ressentido e esticar as pernas, certificarmo-nos que ainda funcionam. É espreguiçar-se, sentindo os ossos e as articulações darem sinal. É sacudir a cabeça como se isso fosse ajudar nalguma coisa. Melhor ainda, noite é pensar que somos invencíveis e que não precisamos de dormir porque tudo o que fizermos nesse trabalho será como rebelarmo-nos contra a ordem vigente, num acto de selvajaria pura como se fosse algo de outro mundo, trabalhar de noite. Mas trabalhar de noite é mesmo algo do outro mundo...

    Porque a noite é imortal, transcendente, intemporal... A noite é quando os cheiros se vêem, os sons se sentem e as cores se tocam. É quando não há cheiros nem sons nem cores que não existam. À noite, tudo é, mas nada foi... A noite é incerteza, porque a única coisa certa é que, amanhã, voltará a ser de noite...


"Deixei
na Primavera o cheiro a cravo
rosa e quimera que me encravam na memória que inventei.
E andei,
como quem espera pelo fracasso,
contra mazela em corpo de aço
nas ruelas do desdém.

E a mim
que importa
se é bem ou mal,
se me falha a cor da chama a vida toda
é-me igual.
Vim
sem volta
queira eu ou não
que me calhe a vida insana e vá sem boda
até ao Verão.

Deixei
na Primavera o som do encanto
risa, promessa e sono santo
Já não sei o que é dormir bem.
E andei pelas favelas do que eu faço
Ora tropeço em erros crassos
ora esqueço onde errei.

E a mim
que importa
se é bem ou mal,
se me falha a cor da chama a vida toda
é-me igual.
Vim
sem volta
queira eu ou não
que me calhe a vida insana e vá sem boda
até ao Verão.

Deixei

na Primavera o som do encanto"

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

"Breathe Me", Sia

    Vou-vos contar parte de um segredo. Uma parte de um segredo que não é tão secreto assim...

    Às vezes, não consigo aguentar a vida. Simplesmente, não consigo. Todo o peso sobre os meus ombros, toda a pressão a que sou submetida, por vezes, é tudo demasiado. E o problema maior nem é esse. O problema maior é aquele que não se vê, aquele que cresce sem fim, dentro de mim, sem piedade nem permissão. Enquanto a pressão aumenta, os limites desvanecem-se, tornando-se mais fluídos que a água, mais distantes que o céu, mais perigosos que o fogo. A pressão aumenta e o sorriso diminui. O sorriso, o olhar, o tempo, o espírito... Tudo começa a ficar cada vez mais pequeno e pequeno, alcançando a linha do pormenor insignificante, desleixado, vazio, sem nada. Uma espiral que percorro vezes e vezes sem conta, perdendo a conta ao número de vezes em que já o fiz. As mãos tremem, o coração bate a mil, as pernas fraquejam, o olhar morre, o sentimento some. Devagar e de repente, o respirar deixa de ser sorte e passa a ser suplício. Escrever torna-se aborrecido. Estudar torna-se uma obrigação mais do que indesejada. Comer é um inferno. Dormir não existe. Tomar decisões é a coisa mais inútil, tal como manter uma conversa. O choro, o desespero, a dor e a solidão são coroados imperadores do dia e reis da noite. O tic-tac de um relógio surge como parceiro de diálogo ideal. Um pássaro é a personificação dos sonhos. A chuva é uma representação de um estado de espírito inato. Tudo fica diferente...

    O mais estranho disto tudo é que isto acontece porque eu sinto que, apesar de tudo, as pessoas exigem demais, forçam-me, mas depois culpam-me. Dizem que sim, mas depois, fazem-me sentir culpada de todas as grandes e pequenas coisas que acontecem. E o que é que eu faço? Recuo, retraio-me, deixo-me prender nas amarras dessa gente porque acham que elas têm razão. Perco-me e paro de fazer o que gosto, por elas. Porque sei que, se não o fizer, não vou estar a ajudar nem a mim própria nem a elas mesmas. Porque sei que, se não recuar, se não voltar para elas, se não as fortalecer, irei culpar-me para o resto da minha vida. Sei que é errado desistir de nós pelos outros, mas que remédio tenho eu senão fazê-lo? O quê, é preferível fazer o que mais queremos neste mundo e saber que os outros estão mal, ou perder os nossos sonhos de vista e manter os outros na luz? É horrível esta dicotomia, esta pressão, porque eu quero fazer o que gosto, mas sinto que não devo porque há pessoas que precisam de mim mais do que aquilo que querem admitir e eu deveria ficar com elas. É desgastante! Faz-me afundar, lança-me no abismo como uma pedra que se atira ao rio e nunca mais é resgatada. Faz-me duvidar de mim, mais do que o costume. Oh, muito mais do que o costume! Faz-me sentir mal, degradante, egoísta... Faz-me sentir usada, perdida, sem destino, terrivelmente dependente. Provoca-me raiva e medo. Faz-me querer gritar, chorar até mais não. Faz-me querer fugir e nunca mais voltar. Deixar para trás tudo o que mais gosto e amo neste mundo, tudo por causa da pressão e da vontade dos outros...

    Quero ser egoísta, mas não sou capaz. Prezo demasiado o que mais gosto e amo neste mundo para deixar tudo para trás. Mas a vontade de fugir fica; fica e continua a crescer. Tal como a vontade de chorar e gritar... Tal como a dor, o desespero, a solidão, o medo, a raiva... Tudo fica e tudo cresce, porque a pressão não diminui. Essa só extingue por momentos, porque, depois, volta. E quando volta, volta ainda mais forte. E, cada vez que isso acontece, eu vou ficando cada vez mais fraca. Vou enfraquecendo, diminuindo... E quando chegar ao limite dos limites, quando chegar ao ponto de ruptura, quando mais ninguém nem nada mais me puderem ajudar, nem as letras me poderão salvar...

"Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And the worst part is there's no one else to blame

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small and needy
Warm me up
And breathe me

Ouch, I have lost myself again
Lost myself and I am nowhere to be found,
Yeah, I think that I might break
Lost myself again and I feel unsafe

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small and needy
Warm me up
And breathe me

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small and needy
Warm me up
And breathe me"

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

"Roman Holiday", Halsey

     Caminhámos ao lado um do outro, como dois amigos. Sorrisos sinceros e gargalhadas divertidas invadiam o ar da cidade. A conversa estava a ser engraçada, mas não era ela que me preenchia a mente. Eu tinha outra ideia a percorrer-me os pensamentos... Queria conversar, mas queria que fôssemos interlocutores diferentes, que tivéssemos outro papel, um para o outro. A certa altura, pus-me a imaginar o que seria se eu decidisse levar essa ideia em frente, naquele preciso momento. Como irias reagir? Irias reagir, de todo? Tinha medo, mas também estava ansiosa por fazê-lo. Pensei no passado que nunca vivemos juntos: a infância, em que crescemos um com o outro; a adolescência, onde nos tornámos melhores amigos; os 20, 30 e 40 que passaríamos ao lado um do outro; a velhice, que descansaríamos juntos...

    Tu continuavas a falar. Eu respondia com poucas palavras ou com frases que não faziam muito sentido. Queria arriscar... Pela centésima vez, queria dizer-te, fazer-te perceber, confrontar-te com o que sinto... Queria ter coragem para o fazer... Queria superar o medo da tua reacção... Queria não ter medo de te perder... Despedimo-nos e eu nem sequer te dei uma pista... Não tive coragem nem audácia; tive medo e vergonha...

    Começámos a andar, cada um para seu lado. O arrependimento batia forte no meu coração. Mordi o lábio, de raiva, e suspirei fundo, com tristeza. Por segundos, senti-me mal, falsa, insignificante e fraca. Nos segundos que vieram depois, imaginei o que poderia ter acontecido. Poderia ter corrido bem, poderia ter saído magoada, poderia ter de me esquecer de tudo... Mas teria acontecido! Como aconteceria na realidade, tentei fazê-lo acontecer na minha cabeça. Tu irias tentar acabar a conversa; eu iria começar a fazer-te as perguntas certas. Tu irias ficar embaraçado por te perguntar aquelas coisas e talvez nem respondesses. Irias passar a mão pelo cabelo e sacudi-lo, nervoso com a conversa. Eu iria olhar para todas as direcções, procurando rostos apontados para nós, ao mesmo tempo que chegava à minha conclusão improvisada, enquanto as minhas mãos tremiam e suavam. Tu responderias qualquer coisa que me daria força para acabar a conversa. Eu olharia em volta, de novo, e, se visse que ninguém estava a olhar para nós, inclinava-me para ti e, com os meus lábios, tocava os teus, num beijo tão rápido quanto a velocidade da luz. Depois, iria fugir o mais depressa que pudesse. Mas era aí que, de repente, tu me alcançavas e me puxavas contra ti, beijando-me de volta, num beijo a sério; o nosso primeiro... Sorriríamos um para o outro e seguiríamos caminhos separados nos corpos, mas juntos nos pensamentos. E então, eu iria morder o lábio para conter as lágrimas de felicidade e tu irias ficar distraído por muito tempo. Estava feito...

    E eis que acordava da minha ilusão, num piscar de olhos alucinante, caindo na realidade como se me tivessem atirado de um tapete voador. Acordei e desejei voltar a dormir acordada, fingir que nada era um sonho, mas sim o meu dia-a-dia real, puro. Então, percebi que nada disto iria acontecer, porque eu nunca teria coragem para o fazer. Voltei para o mundo da ilusão, desta vez para imaginar o que seria nunca lhe dizer e continuarmos amigos próximos durante toda a nossa vida e nenhum de nós ter coragem de dizer ao outro que o amava e viveríamos sós ou com pessoas que usaríamos apenas para preencher esse grande vazio que partilhávamos. Seria uma vida triste, essa. Viver longe de ti, apesar de não precisar de estar sempre contigo. Imaginar-te com outra pessoa, quando o que eu quero é ser essa pessoa. Dizer-te 'amigo' quando te quero chamar 'amor'. Saber-te meu, sem o seres. Fingir-me parte do teu mundo, quando quero sê-lo por inteiro...


    Haja coragem para mudar o mundo...  


"Do you remember the taste of my lips that night
I stole a bit of my mother's perfume
Cause I remember when my father put his fist through
The wall that separated the dining room
And I remember the fear in your eyes
The very first time we snuck into the city pool
Late December with my heart in my chest and the clouds of my breath
Didn't know where we were running to
But don't look back

We'll be looking for sunlight
Or the headlights
Till our wide eyes burn blind
We'll be lacing the same shoes
That we've worn through
To the bottom of the line
And we know that we're headstrong
And our heart's gone
And the timing's never right
But for now let's get away
On a Roman holiday

Could you imagine the taste of your lips
If we never tried to kiss on the drive to Queen's
Cause I imagine the weight of your ribs
If you lied between my hips in the backseat
I imagine the tears in your eyes
The very first night I'll sleep without you
And when it happens I'll be miles away
And a few months late
Didn't know where I was running to
But I won't look back

We'll be looking for sunlight
Or the headlights
Till our wide eyes burn blind
We'll be lacing the same shoes
That we've worn through
To the bottom of the line
And we know that we're headstrong
And our heart's gone
And the timing's never right
But for now let's get away
On a Roman holiday

Feet first, don't fall
We'll be running again
Keep close, stand tall

We'll be looking for sunlight
Or the headlights
Till our wide eyes burn blind
We'll be lacing the same shoes
That we've worn through
To the bottom of the line
And we know that we're headstrong
And our heart's gone
And the timing's never right
But for now let's get away
On a Roman holiday"

domingo, 30 de agosto de 2015

"Long Live", Taylor Swift (2ª versão)

    Três anos... Três curtos anos que passaram num piscar de olhos desde que comecei este blogue. Ele acompanhou-me nos momentos bons, nos momentos menos bons, naqueles momentos indescritíveis, naqueles impossíveis de crer... Momentos que marcaram, outros que passaram ao lado... Mudei eu, mudou o mundo, mudou tudo, mas tudo permaneceu como era antes. Três anos... Curioso como este blogue caminhou ao lado da minha jornada académica... Ele é prova escrita de muito daquilo por que passei nos meus três anos de licenciatura. Ele é juiz de desavenças, detective de sentimentos e salvador de paisagens negras que invadiram a minha vida. Perdi muito, ganhei outro tanto, encontrei-me e encontrei os outros, assim como fiz os outros encontrarem-se a eles mesmos. Prometi, esqueci, recordei, gritei, chorei, sorri, ri sem deixar rasgos de tristeza nos meus olhos... Lutei, lutei muito, principalmente contra mim mesma; resolvi-me, sentei-me numa conversa profunda comigo própria... Descobri-me...
    Três anos... Três anos de pura mudança... Cresci tanto em tão pouco tempo que até parece mentira! A sério! Acho que estes três anos foram aqueles três anos que mais me marcaram até hoje. Se formos fazer uma comparação com aquilo que eu era em Agosto de 2012 e aquilo que eu sou hoje, quero dizer... não há comparação possível! Apenas as minhas bases continuam as mesmas; tudo o resto mudou. Foram novos os olhares, os sorrisos e os sentimentos, as discussões, as palavras e as atitudes. Coisas que nunca imaginei dizer saíram-me da boca como se de algo perfeitamente normal se tratasse; coisas que nunca imaginei sentir percorreram-me os dedos até às teclas do meu computador, desenhando emoções nunca antes vistas, que gritavam por vivências nunca antes tidas. Amores e desamores, amizades e desamizades, família que não precisa do sangue para ser família, amigos... Pensamentos curiosos, indecentes, reflexivos e amorosos... Atitudes egoístas, solidárias, imperceptíveis... Lágrimas partilhadas, sofrimento repartido... Alegria nascida e criada, renascida e compensada... Discussões de alta patente, ideias e opiniões vincadas, testadas uma e outra vez... Capacidades postas à prova vezes sem conta, desavenças ricas e desnecessárias, reveladoras do meu lado mais explosivo, assustando aqueles que não aguentavam com tamanha reviravolta... Derrubaram-se falsos e ilusórios tronos e construíram-se cadeiras àqueles que sempre lutaram e nunca tiveram descanso, nem reconhecimento. Ligaram-se corações, cozeram-se os seus pedaços, cicatrizaram-se as feridas para que, no momento a seguir, tudo se desmoronasse de novo... Vivi, revivi, renasci, mostrei-me, expus-me ao mundo...
    Três anos... Três anos que me irão marcar para sempre... Pelo bom, pelo mau, pelo que foi e pelo que deixou de ser. Três anos que, espero, tenham mudado a vida de quem eu mais gosto, para melhor, claro. Foram altos e baixos, ataques e contra-ataques, agir e reagir, superar... Aprendi muito, francamente... Reflecti muito, também... As memórias são imensas que é difícil escolher... Sinceramente, só espero uma coisa destes três anos: que tenham o meu nome nas páginas do livro da vida daqueles que mais amo neste mundo; que lhes tenha deixado espaço para mim no seu coração, que se recordem de mim nas pequenas coisas... Espero que se lembrem que estive a acompanhá-los de perto ou de longe durante três curtos anos... Espero que perdure na sua memória até aos seus bisnetos... Espero ser eterna nas pessoas que marquei... Sei que parece egoísta e talvez até seja. Mas uma coisa é certa: essas pessoas, que me marcaram por todo um mundo ou apenas por um olhar, serão eternas para mim... Se há coisa que não me esqueço é das pessoas, mesmo quando elas já se esqueceram de mim...
    Por isso, esta mensagem é para todos aqueles que me acompanharam nestes três anos tão instáveis, tão diferentes... Obrigada por estarem lá, obrigada por me fazerem ver os meus defeitos e as minhas qualidades. Obrigada por me apresentarem ao mundo, por me darem a conhecer novos sentimentos, novas emoções e novos significados para as palavras do meu dicionário pessoal. Obrigada por tudo, mesmo que achem que não fizeram nada... Obrigada por existirem...

"I said remember this moment in the back of my mind
The time we stood with our shaking hands
The crowds in stands went wild
We were the Kings and the Queens
And they read off our names
The night you danced like you knew our lives
Would never be the same
You held your head like a hero
On a history book page
It was the end of a decade
But the start of an age

Long live the walls we crashed through
How the kingdom lights shined just for me and you
I was screaming long live all the magic we made
And bring on all the pretenders
One day, we will be remembered

I said remember this feeling
I pass the pictures around
Of all the years that we stood there
On the side-lines wishing for right now
We are the Kings and the Queens
You traded your baseball cap for a crown
When they gave us our trophies
And we held them up for our town
And the cynics were outraged
Screaming, "This is absurd!"
Cause for a moment a band of thieves
In ripped up jeans got to rule the world

Long live the walls we crashed through
How the kingdom lights shined just for me and you
I was screaming long live all the magic we made
And bring on all the pretenders
I'm not afraid
Long live all the mountains we moved
I had the time of my life fighting dragons with you
I was screaming long live that look on your face
And bring on all the pretenders
One day, we will be remembered

Hold on to spinning around
Confetti falls to the ground
May these memories break our fall

Will you take a moment, promise me this
That you'll stand by me forever
But if God forbid fate should step in
And force us into a goodbye
If you have children some day
When they point to the pictures
Please tell them my name
Tell them how the crowds went wild
Tell them how I hope they shine

Long live the walls we crashed through
I had the time of my life, with you
Long, long live the walls we crashed through
How the kingdom lights shined just for me and you
And I was screaming long live all the magic we made
And bring on all the pretenders
I'm not afraid
Singing, long live all the mountains we moved
I had the time of my life fighting dragons with you
And long, long live the look on your face
And bring on all the pretenders
One day, we will be remembered"

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"O Tempo Não Pára", Mariza

Carta aberta à minha irmã


    Querida irmã,

    Quando me contaste que te ias embora, a primeira coisa que fiz foi reler o que escreveste. Não podia acreditar; não queria acreditar. Não podia... Li e voltei a ler. Era mesmo... Como podias ir embora assim, sem mais nem menos? Sei que não foi uma escolha tua, mas mesmo assim dói saber que vais. Decidi telefonar-te; queria ouvir a tua voz, sentir o teu sorriso, as tuas lágrimas... Queria sentir-te em mim... Falámos e falámos; chorei e sorri; ri e recordei... Depois percebi que queria dizer-te o quanto te adoro, por isso escrevo-te esta carta. Decidi mostrá-la ao mundo, porque a amizade é algo que deve ser celebrado e, claro, achei que essa era outra forma de te demonstrar o quanto gosto de ti.

    Lembro-me do primeiro dia em que te vi. Lembro-me do que me fizeste lembrar. Quando te vi nesse dia, e nos que se seguiram, recordei o meu ‘eu’ de uns anos antes. Tanta timidez, tanto isolamento, tanto mundo à parte, tanto mistério... Não começámos a falar logo. Aliás, demorou uns mesitos para nos começarmos a dar. Foi o nosso príncipe que nos juntou, lembraste? Cada vez que me lembro da sua insistência para nos juntarmos todos só me dá vontade de rir! Mas ainda bem que ele foi insistente. Se não tivesse sido, eu não te teria conhecido ou então conhecer-te-ia muito tarde, talvez tarde demais... Mas conheci-te e isso é motivo de festa! Oh, mana, tenho tanto para te dizer que nem sei o que escrever primeiro! Acho que posso começar pelo objectivo desta carta: fazer-te saber o quanto gosto de ti.

    Podia dizer-te que gosto de ti desde aqui até à Lua; podia dizer-te que não sou nada sem ti, que me fazes falta e ainda nem foste, que és uma das pessoas que mais adoro na minha vida, mas isso já sabes... Podia dizer-te que vais estar sempre no meu coração, que vou para sempre recordar o teu sorriso, que não há nada nem ninguém que nos vá separar... Mas isso também já sabes... Começo a perceber que, se calhar, não há palavras para descrever o quão importante és para mim. As que existem estão gastas e o amor e amizade que nutro por ti já não se encaixam nelas. As palavras que existem são pequenas demais para tanto sentimento. Começo a precisar de palavras novas, aliás, de um dicionário novo para te mostrar o quanto te adoro. Não é só daqui até à Lua; não é só não ser nada sem ti; não é só sentir a tua falta. Não é só seres uma das pessoas que mais adoro na minha vida, nem é só estares sempre no meu coração... É algo mais, muito mais que isso... É Sol, é Lua, terra e céu, chão e vida... É noite e silêncio, alegria e manhã, vento e sorrisos... São lágrimas e dor, euforia e contrastes, diferenças e amor... É rosa, vermelho, azul, preto, amarelo, verde e arco-íris... É sem saída, auto-estrada movimentada, casas brancas, espigas de milho... São pássaros, flores, água e espelhos... Gritos, piscar de olhos, palavreado provocativo, miminhos fofos... É chuva, relva acabada de cortar, árvores centenárias e pequenos galhos soltos... Mensagens em caps lock, telefonemas sentidos, abraços gigantes e beijos raros... O que sinto por ti é tudo isto e mais...

    As saudades... As saudades vão ser fortes... O tempo vai corroer-me, as saudades vão provocar-me, a voz vai fugir-me e as lágrimas vão coroar-se. Há apenas uma coisa que provavelmente não irá mudar: a minha amizade e o meu amor por ti. Se mudar, só aumentará (se bem que acho que mais que isto será difícil). Se o quanto te adoro pudesse ser personificado seriam precisos, pelo menos, dois universos. O problema é que não pode e, além disso, o tempo é pouco para isso. Como posso explicar-te o quanto não me esquecerei de ti, o quanto mudaste a minha vida, o quanto estarás para sempre no meu coração? É impossível! Tenho que repetir-me e repetir-me e dizê-lo outra vez, usar sempre as mesmas palavras, os mesmos adjectivos, as mesmas letras... Como posso fazer algo que te diga que, apesar da distância, estarei sempre aí, contigo, até aos fins dos teus dias? Como posso ser diferente e marcar-te como me marcaste? É difícil pensar nisso, é difícil pensar em tudo isto... As palavras falham-me e voltam a falhar... Os acordes do piano, o som da chuva, os raios de sol a entrarem pelas frestas dos estores, as pequenas flores a desabrochar explicam melhor o que te quero dizer. Não são as palavras... Uma voz suave, uma nota solta, um sono tranquilo, um concerto ruidoso... A saudade, o medo, a alegria, o entusiasmo, a guitarra portuguesa e o cravo italiano... A orquídea roxa, o relógio de pêndulo... As coisas pequenas, os caracteres que parecem expressões, as teclas de um computador... O mundo...

    Porquê? Porquê agora? Porquê sempre? Ontem, hoje, amanhã... O tempo... O tempo é imperador, rei e senhor de tudo... Ele governa-me quando mais ninguém o consegue fazer... Ele leva-me para ti quando mais preciso do teu coração... Ele define-nos... A nossa personalidade, os nossos nomes, a nossa relação; os nossos sorrisos parecem eternos quando o tempo intervém. Não falamos todos os dias; não precisamos. Sabemos que vamos estar lá uma para a outra quando tudo parecer errado, certo, indeciso... Tempo, letras, lágrimas... Tudo e nada... Nada e tudo... Adoro-te... Adoro-te mais do que nada e mais do que tudo... Perdi-me nesta carta... Não consigo pensar, não sei o que escrever... Falta-me a inspiração, a vontade, o desejo... Faltam-me as letras, as palavras, os sons e as cores para te dizer o quanto te adoro... Com medo que seja pouco, fico-me pelo «adoro-te»... Porque, mais do que “adoro-te” é só “tu e eu”...

Com amor,

Da tua irmã

"Eu sei 
Que a vida tem pressa 
Que tudo aconteça 
Sem que a gente peça 
Eu sei 

Eu sei 
Que o tempo não pára 
O tempo é coisa rara 
E a gente só repara 
Quando ele já passou 

Não sei se andei depressa demais 
Mas sei, que algum sorriso eu perdi 
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo 
Para olhar para ti 
De agora em diante, não serei distante 
Eu vou estar aqui 

Cantei 
Cantei a saudade 
Da minha cidade 
E até com vaidade 
Cantei 
Andei pelo mundo fora 
E não via a hora 
De voltar p'ra ti 

Não sei se andei depressa demais 
Mas sei, que algum sorriso eu perdi 
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo 
Para olhar para ti 
De agora em diante, não serei distante 
Eu vou estar aqui 

Não sei se andei depressa demais 
Mas sei, que algum sorriso eu perdi 
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo 
Para olhar para ti 
De agora em diante, não serei distante 
Eu vou estar aqui"

"Dança", Pólo Norte

    "Acordei com a saudade amarga de a sentir a meu lado. Estendi o braço esquerdo para o lado respectivo da cama; o colchão estava vazio. Não a encontrei lá deitada, nem me encontrei a mim junto dela. O meu «nós» passou a «eu» como nunca o fora antes. E o «eu» dela era só, como o meu era. Levantei-me com a mesma saudade com que acordara; afinal, a saudade era a minha companheira sempre que ela não estava. Caminhei até à casa-de-banho com a saudade habitual, mas, desta vez, acompanhado também por um sorriso que apareceu só porque se recordou do sorriso dela. Esse sorriso levou a um olhar doce, que levou a uma caminhar confiante e a um levantar de cabeça efectivamente humano. Até aí, era máquina de saudade, o meu corpo mole e triste. Agora, e depois de todas estas acções sentimentais, até o meu cabelo parecia vivo. Lavei a cara; reparei que tinha cor. O preto e o branco haviam sido multiplicados e as cores primárias apareceram como que num piscar de olhos inédito. O que um sorriso faz a uma pessoa... De repente, tornei-me alguém.
    O tempo caminhava mais depressa do que eu. Depois de me despachar, fui para a cozinha. E a saudade, agora mais alegre, lá me acompanhou. E levou amigas! A felicidade, a tristeza, a ansiedade e a acalmia vinham tomar o pequeno-almoço comigo e com a saudade. No fim de contas, elas eram as suas convidadas. Preparei o meu café com leite e ouvi-as conferenciar entre si. Desliguei-me delas, não por má educação, mas porque não queria ouvir a sua conversa. Além disso, tinha fome, o que não era costume, por isso decide comer, para variar. Enquanto as torradas faziam, pensei nas manhãs de pequeno-almoço com ela. Outro sorriso... Estava a gastar os sorrisos muito depressa, hoje. Tinha que os poupar, ou não? Sei lá, tinha tantas boas recordações que, provavelmente, tinha sorrisos para dar e vender... E ainda sobravam alguns para mim e para ela. Ela... o sorriso dela nos seus lábios, nos seus olhos, no seu cabelo, no seu corpo... Os sorrisos dela estavam em todo o seu ser e estavam em mim. A saudade puxou-me com força para uma cadeira, obrigando-me a sentar. A tristeza olhou-me nos olhos e... sorriu., triste. A felicidade correu a abraçá-la, reconfortando-a. Os meus olhos deixavam cair as lágrimas ao mesmo tempo que a boca esboçava um sorriso e as mãos se entrelaçavam; era a ansiedade que tremia, explosiva e entusiasmada. A acalmia fazia um discurso que ninguém parecia ouvir, mas ao qual todos obedeciam. A saudade fez-me recuar no tempo. Vi-a rodopiar à minha frente, com aquele vestido de renda, bege e leve; o cabelo esvoaçante, os braços delicados. Antes que pudesse olhar o seu rosto, tudo desapareceu e o passado surgiu de repente, gritando-me insultos. Cheirou-me a queimado; esquecera-me das torradas. As minhas convidadas (e «convidado») eclipsaram-se. Estava novamente sozinho...
    Torradas queimadas não tornavam o meu pequeno-almoço no melhor do mundo, mas, quando partilhado com a saudade, até que nem era mau. Tudo acontecia com algo mais: mais cor, mais alegria, mais sentido, mais qualquer coisa. Era “mais” qualquer coisa, por isso, era bom. A saudade investiu em força, relembrando-me que “mais” é bom, mas “dois” é melhor. Dois, apenas dois... Porque é que custa tanto? A saudade dizia-me para correr atrás dela, porque também ela tinha saudade e duas saudades juntas eliminavam-se uma à outra. Era difícil ter saudades da saudade. Mas eu tinha... Eu tinha saudade... Saudade minha, saudade dela, saudade da saudade dela... Como era possível sentir tanta saudade junta? Só alguém que sente muito e que tem muito para sentir é que consegue sentir tanto..., dizia-me a acalmia, enigmática nas suas palavras e sensata nos seus gestos. Seria possível tanto sentimento numa só manhã?, perguntei-me com um sorriso transparente. A acalmia riu-se; a saudade meteu-se à frente e respondeu que, provavelmente, também ela estaria assim. Estaria mesmo?”
Ele


    “Começava a ficar farta de esperar pelo futuro; ainda por cima, tinha que esperar com o lado direito da cama vazio. Sorri-lhe, imaginando-o ali deitado, a olhar para mim. Ele nunca dormia na primeira noite que eu voltava. Com a mesma rapidez com que o sorriso aparecera, chegou a mágoa, a tristeza, a melancolia e a saudade. A primeira lágrima ainda apanhou o rasto do sorriso, que fugiu a correr, mas a segunda já só sentiu a mágoa; a saudade ainda veio primeiro que a tristeza e a melancolia foi a última a entrar no meu coração. De repente, perdi a conta às lágrimas. Porém, a memória decidiu reagir, enviando as recordações certas para baterem à minha porta sentimental. A saudade, tal qual um cavalheiro, abriu-lhes a porta e fê-las convidadas sem hora de saída marcada. Logo se indignaram todas as que já lá estavam, indo amuar para um canto, observando as recordações comandarem o meu corpo. Só agora conseguia levantar-me e ir tomar um duche; mas fui a única que entrei na casa-de-banho; elas esperaram lá fora, todas elas. Apenas me acompanharam ao pequeno-almoço.
    Enquanto procurava o doce de cereja para pôr nas torradas que estavam a fazer, elas puseram a mesa e sentaram-se a conversar. Perguntavam-se umas às outras porque é que eu não falava; como se eu ali não estivesse. Sorri quando ouvi a saudade defender-me, esclarecendo as amigas de que o problema era que eu tinha demasiadas saudades dele, assim como ela tinha saudades da saudade dele. A mágoa encolheu-se; também ela sentia o mesmo. Olhei-a com doçura, sorrindo-lhe. Ela olhou-me de volta, esperançosa. O dia estava quase a chegar...”
Ela



    “Esta mistura de sentimentos matava-me. Era uma mistura que me fazia lembrar uma dança infernal. Eu era mau dançarino; tinha dois pés esquerdos e nunca estava no ritmo certo. Esta dança matava-me da mesma maneira que esta espera no aeroporto o estava a fazer. Como me podia sentir tão morto e tão vivo ao mesmo tempo? A saudade sorriu-me em resposta; ela sabia que eu não queria uma resposta, pelo menos, não em palavras. Eu só queria vê-la, tê-la, reencontrá-la... Depois de experienciar a eternidade por cinco longos minutos, vi-a surgir no horizonte. Os meus sentimentos acalmaram-se, juntando-se ao meu lado, expectantes. À medida que ela caminhava para mim, as minhas companheiras olhavam-me, tentando perceber a minha futura reacção. Porém, a saudade foi a única que me deu a mão. Quando olhei para ela, ela olhou-me de volta e sorriu. Nunca vira tanta paz no seu rosto. Deixei cair uma lágrima; as amigas da saudade fizeram o mesmo. Olhei de volta para ela e comecei a correr na sua direcção. Ela começou a andar mais depressa, fazendo esvoaçar todas as pontas soltas da sua farda militar, lembrando-me o vestido de renda. Dos seus olhos, escorriam lágrimas impacientes. Ela abriu os braços e eu agarrei-a, pegando-a ao colo, rodopiando uma vez apenas. A dança de sentimentos atingiu o seu ponto mais alto como nunca acontecera, pelo menos, não com tanta verdade, poder e alegria. O nosso beijo de boas-vindas fez chorar as nossas saudades, mágoas, alegrias, tristezas e acalmias. Era demasiado sentimento num só momento; tanto que até as nossas emoções sentiam. «Amo-te tanto» foram as únicas palavras que pronunciámos; tudo o resto, os nossos sentimentos falaram por si. As saudades uniram-se como nunca e as suas companheiras decidiram juntar-se a elas. Cada uma voltou ao seu lugar sabendo que demoraria para voltar a sair do seu esconderijo. Pelo menos, assistiram ao reencontro...
    Despedimo-nos delas com sorrisos; elas despediram-se de nós com muitos acenos. Outro beijo e um abraço mais forte. Finalmente, a nossa dança voltara ao que era antes de entrar em palco: eterna... Para sempre, eterna...”

Ele

"Chegaste de passos apertados
Os olhos embargados
Cheios de medos teus
Pediste que te levasse a mágoa
E que te tocasse a alma olhando para os meus

Apertei-te contra ao peito, num abraço perfeito

A rua como companhia
Às vezes escura e fria
Pura realidade
Ninguém olha p'ra ti 
Com olhos de gente
Ate mesmo indiferente
A quem és de verdade
Esquece o teu mundo lá fora
É hora de ir dançar

Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto p'ra longe

Esquece o teu mundo lá fora
É hora de ir dançar

Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto

Esta noite dança só p'ra mim
Que esta dança nunca tenha fim
São asas que me dás
Levam alto p'ra longe
até de mim
até de mim"

sexta-feira, 17 de julho de 2015

"My Songs Know What You Did In The Dark", Fall Out Boy

ZIRA E FIRE – PARTE II

    Passaram quase quatro anos desde que Zira fora presa. Muito mudou entretanto. Lá dentro, a jovem ligou-se à colega de quarto, Layla, e não arranjou inimigos. Foi sempre discreta e nunca revelou os seus segredos, fosse do que fosse, a ninguém. Passava os dias a treinar como se ainda andasse na Academia e muitas das colegas apreciavam esse seu lado. Até chegou a dar algumas aulas colectivas, coisas básicas. De resto, só Layla sabia as razões da prisão de Zira, que não as oficiais e também só ela sabia o que Zira iria fazer quando saísse da prisão. A resposta à pergunta era sempre a mesma: “Vou voltar à vida que tinha antes de vir para aqui”. E sempre que Layla insistia, perguntado a que “vida” é que a amiga se referia, esta nunca lhe dava uma resposta.
    Cá fora, também muito tinha mudado. As notícias chegaram a Zira através de outra rapariga, Delia, que entrou uma semana antes de Zira sair. A miúda de 19 anos reconheceu Zira através da sua tatuagem das sapatilhas de ballet. As duas tornaram-se inseparáveis por conveniência: Delia contava-lhe como andavam as coisas lá fora e Zira relatava-lhe as suas aventuras nos dois lados. Os últimos dias da jovem na cadeia foram passados num treino mais intenso que o habitual. Tanto o seu corpo como a sua mente começavam a focar-se num objectivo mais concreto. O fim aproximava-se…
    Faltavam catorze meses para concluir a pena quando Zira foi libertada por “bom comportamento”. A jovem ria-se cada vez que pensava na expressão: Bom comportamento, dizem eles… Eles nem fazem ideia do que eu sou capaz… A primeira coisa que fez foi caminhar até à cidade, onde, por dois dias, se tornou carteirista e dormiu na rua. Quando já tinha dinheiro suficiente, começou a executar o plano que delineara nos 46 meses de prisão que vivera. Cortou o cabelo, que entretanto crescera, da mesma maneira que o tinha cortado quando se tornara parceira de Fire. Comprou roupa desportiva, justa e preta, e recuperou as velhas sapatilhas de ballet, que guardara numa pequena arca, na cave do apartamento onde morara. Pegou na roupa velha que encontrou e deu-lhe um novo destino: doou-as, anonimamente, ao orfanato onde crescera, para que fossem usadas por quem precisasse. Depois de arranjado o guarda-roupa completo, Zira procurou um sítio onde pudesse pernoitar sem ser incomodada. Descobriu uma carrinha pão-de-forma numa sucata e comprou-a com algum do dinheiro que lhe restava. O que sobrou foi para pagar aos donos da sucata, para que ela pudesse lá manter o seu esconderijo sem denúncias à polícia ou quaisquer outros inconvenientes.
    Assim que tinha tudo organizado e estável, Zira pediu tinta preta para tecido a um dos donos da sucata. Apesar de estranhar o pedido, o velho arranjou-lhe a tinta. Numa noite, a jovem despejou a tinta numa lata grande e misturou-a com água, dando-lhe mais volume. Com um sorriso ansioso, pegou nas velhas sapatilhas e mergulhou-as por completo na tinta preta. Começava, assim, o regresso à vida antes da prisão…

***

    No dia seguinte, Zira calçou as sapatilhas, entretanto ligeiramente modificadas, e saiu à procura de um objecto que lhe fazia falta: uma arma. Entrou em contacto com o antigo fornecedor de Fire, que também a conhecia, e marcou um encontro. O homem de 32 anos surpreendeu-se quando viu Zira entrar no seu refúgio; não por estar diferente do que ele conhecia, mas por estar ainda melhor. Ela disse-lhe que queria uma arma específica e, assim que ele lha deu, Zira bateu-lhe na cabeça, deixando-o inconsciente. Quando o homem acordou, assustou-se: estava preso a uma cadeira, descalço, com fios eléctricos por todo o lado, mas dentro do seu próprio refúgio. Zira estava à sua frente, com um sorriso maníaco, balançando a nova arma na mão direita. Depois de cumprimentar o homem, ordenou-lhe que lhe contasse tudo o que acontecera desde que ela tinha sido presa. Após vários momentos de tortura, que incluíram tiros, electricidade e pancadaria, o homem revelou toda a organização que entretanto crescera: Fire era agora o chefe principal, dirigindo subordinados e equipas, zonas e transacções; tudo o que o senhor Montague fazia antes de ser assassinado por… Fire. Foi assim que ele ascendeu, então…, pensou Zira, sorridente. Antes de sair do refúgio do fornecedor, a jovem telefonou para a polícia, dizendo que lhes deixara um pequeno presente, indicando a morada e desligando o telefone antes que a secretária pudesse dizer alguma coisa.
    Continuou a percorrer o caminho hierárquico na organização até chegar a Fire. Adaptou-se rapidamente ao calçado simbólico, que unia o passado ao presente, e sorria por isso. Pelo caminho vingativo, deixava “presentes” à polícia local: criminosos amarrados a cadeiras, pilares ou até tubos de esgoto, feridos com marcas de fortes golpes e um ou dois tiros, mas sempre vivos. Ao seu lado ou à sua volta, estavam também dispostas provas dos crimes de que eram autores: fotos, papéis, o que fosse que os mandasse para a prisão. No meio disso tudo, Zira também deixava um bilhete para a detective Grace, onde constava apenas um coração desenhado – uma espécie de assinatura. Demorou pouco mais de um mês para Zira encontrar a sede de Fire. Era um armazém na zona industrial, que lhe fazia lembrar os tempos em que namoravam. Feita a descoberta, Zira foi visitando o armazém, secretamente, tentando perceber como funcionava ali a logística: quantos homens, quantas mulheres, quantas armas, quantas hipóteses. Zira percebeu que Fire passava lá as noites, o que dava a entender que tinha lá um quarto. A jovem também sabia algo que realmente a incomodava: Fire arranjara uma nova parceira oito meses depois da ex ter sido presa. Pior ainda era que a nova alfa adoptara um nome muito parecido ao de Zira: Kira. E nem sequer tem nada que dê para agarrar…, resmungou a jovem depois de ver a miúda, vezes sem conta. Decidida a amedrontar a rapariga – e toda a organização – Zira planeou a sua chegada ao pormenor. Uns dias depois, desencadeou a sua última tarefa…
    Numa manhã solarenga, Zira levantou-se da “cama” que o banco da carrinha pão de forma proporcionava e vestiu-se como de costume, mas, desta vez, optou por não levar a arma. De mente e espírito aberto, percorreu a estrada até ao armazém de Fire e, sem mais nem menos, entrou com ar possante, escancarando as duas grandes portas. Um “guarda” – o miúdo não devia ter mais que 16 anos – deu o alerta, apontando a arma a Zira, que parou a olhar para ele, com um sorriso sedutor. No piso térreo, surgiram vários rapazes/homens e três raparigas, enquanto, do piso de cima, apenas apareceram dois homens, que Zira reconheceu como seus antigos subordinados, e a idiota da nova alfa, em trajes menores. Quando a viu, Zira cuspiu para o chão e sorriu, maliciosamente. Por trás da alfa, apareceu aquele por quem ela mais esperara: Fire, que fez um ar extremamente surpreendido por vê-la. Zira passou logo ao ataque.
    — Não faças essa cara, porque eu sei que tu sabes que eu vinha... – Fire não respondeu nada, nem mesmo quando a sua parceira o olhou, indignada. – Tiveste saudades? – Riu-se a jovem, cativante. Fire derreteu-se.
    — Queres subir? – Todos os membros olharam para Fire, atónitos.
    — Nem me apresentas, querido? – Provocou Zira, começando a andar em direcção às escadas.
    — Quem é esta? – Atirou Kira, virando-se para Fire.
    — Zira K.. – Respondeu Zira, de repente e bem alto. – Reconheces? – Kira fitou, com espanto, a ex-alfa, tal como os membros mais novos do gang.
    — Tu nem me deixas falar, Z.. – Brincou Fire, chamando a ex pela alcunha de namoro.
    — Oh, já me conheces! – Alinhou Zira, quando se aproximou do casal. – Estou a ver que tens uma boneca nova… – Comentou, olhando Kira de cima a baixo.
    — A boneca tem nome! – Resmungou Kira, com raiva.
    — A boneca fala, que engraçado... – Cuspiu Zira, levantando a sobrancelha e rindo. Fire riu-se também, o que abalou um pouco a posição de Kira. – Ela é boa na cama?
    Toda a gente fitou Fire: Zira estava a jogar um jogo perigoso. Desarmar a alfa em frente ao gang inteiro e daquela maneira era uma estratégia que podia revelar-se contrária ao que deveria ser. Mas Zira nem vacilou. Ela sabia que não havia ninguém melhor que ela para Fire, fosse no que fosse. A resposta saiu dos lábios do chefe de uma forma muito natural.
    — Nem te chega aos calcanhares. – Kira fez um ar desolado quando Fire respondeu à pergunta.
    — Eu sabia. – Sorriu Zira.
    — Se sabes que és a melhor, porque é que perguntas? – Riu-se Fire, desviando Kira e aproximando-se de Zira.
    — Porque há pessoas que não sabem… – Provocou Zira, beijando Fire com fogosidade. – Precisamos de falar. Vamos para o teu quarto? – Fire nem respondeu; apenas entrou com Zira no quarto e fechou a porta, deixando tudo e todos.
    Ninguém queria acreditar no que acabar de acontecer, principalmente Kira, que vira a sua autoridade questionada por uma ex-alfa, que só tinha fama. Mas bem, tendo em conta o sucedido, a fama era-lhe merecedora…
    Zira passou o dia inteiro com Fire, a fazer mais do que apenas “falar” – os gritos de prazer de ambos ouviam-se a milhas – e, no fim do dia, Zira ainda teve a lata, segundo Kira, de dar ordens a subordinados seus e sair impune. Inconscientemente, todos sabiam que ela voltaria e, da próxima vez, viria (ainda mais) armada.

***

    Finalmente, chegara o dia D. Enquanto o sol esteve no alto, Zira preparou-se para a “festa de logo à noite”, como lhe chamou, e, ao final da tarde, pôs-se a caminho do armazém. Enquanto todos dormiam – excepto os jovens guardas – Zira subiu ao telhado e disparou contra eles, com soro tranquilizante, deixando-os adormecidos. Depois, voltou a descer e entrou, em silêncio. Foi percorrendo as salas e quartos, neutralizando toda gente que encontrava, levando-os, depois, para um canto da entrada do armazém. Ainda ninguém dera o alarme. Assim que reunira todos os membros do piso térreo, Zira passou para o piso superior, com muito mais cuidado. Os treinos que fizera na cadeia mostravam-se essenciais nas manobras que executava. Ao fim de uns minutos, só restavam Fire e a outra. Zira entrou no quarto, silenciosamente e com a atenção redobrada. Quando olhou para a cama, sorriu, maliciosamente. Fire continuava a dormir nu. Já a outra… Estava com uma camisa horrível e estava de costas para Fire, toda encolhida. É mesmo idiota…, pensou Zira, revirando os olhos. De seguida, apontou-lhe o tranquilizador e disparou, repetindo o mesmo com Fire.
    Quando todos acordaram, tiveram reacções diferentes: os mais novos entraram em pânico, enquanto os mais velhos procuravam uma saída e outros nem reagiam. Todos estavam na mesma situação: atados a cadeira, pregadas ao chão, apenas com a roupa que tinham no corpo que, no caso de Fire, era nenhuma. Havia uma carrada de papéis espalhados meticulosamente no chão, juntamente com fotografias e outros objectos.
    — O que é que estás a fazer, Zira? – Perguntou Fire.
    — O que é que te parece? – Contrapôs a jovem.
    — Que nos vais matar a todos? – Tentou Fire, em tom de brincadeira. Os mais novos fizeram um ar ainda mais assustado.
    — Estás parvo? – Riu Zira. – A boneca deu-te cabo dos neurónios, estou a ver…
    — Já te disse que a boneca tem nome! – Respondeu Kira, balançando-se na cadeira.
    — Tu ainda não percebeste que eu não quero saber do teu nome para nada, pois não? – Retorquiu Zira. – O teu nome não interessa a ninguém e não é por ser parecido com o meu que vai ser lembrado por alguém. Vê se cresces, miúda. – Riu-se a jovem.
    — Querida, vais responder? – Insistiu Fire. Kira bufou de raiva.
    — Vou meter-vos a todos na prisão, que mais poderia ser? – Retorquiu Zira, brincando com a arma.
    — E como é que vais fazer isso? – Continuou o alfa.
    — Fácil. Vou deixar-vos aqui, telefonar para a polícia e... Talvez encomende uma pizza para assistir ao espectáculo. – Sorriu Zira, com naturalidade.
    — Amor, o que é que ganhas com isto tudo? Vais voltar para a prisão de qualquer das maneiras…
    Zira aproximou-se de Fire e sentou-se no seu colo, de frente para ele. Com uma perna de cada lado, pressionou-se contra o seu colo, seduzindo o corpo do amante com subtileza, que correspondia com paixão da maneira que podia. Com as mãos, agarrou o cabelo de Fire e puxou-o, inclinando-lhe a cabeça para trás, num acto quase selvagem, enquanto lhe beijava o pescoço. Quando chegou aos seus lábios, parou e olhou-o nos olhos.
    — Só preciso desta vingança. Nada mais me interessa. – Disse Zira, num tom sinistro.
    Fire não conseguiu dizer nada. Aliás, nem conseguiu reagir. Ele realmente tinha mudado aquela rapariga e a prisão ainda a tornou mais perigosa. Ela era uma obra de tarde, a sua obra de arte, e, agora, virara-se contra ele. Tal como o chefe, ninguém foi capaz de proferir uma única palavra. Ninguém disse nada enquanto Zira telefonava para a polícia e escrevia o bilhete para a detective. As vozes só surgiram quando os olhos viram Zira despejar gasolina pelo armazém, à volta do pequeno círculo de criminosos e provas. Ele não ligou a nenhum grito; era óbvio que ela não os ia queimar, nem a eles nem às provas. Apenas lhe apeteceu pôr tudo a arder; deixava-a com o sentimento de missão cumprida. Pouco tempo depois de estar a arder, Zira saiu, permanecendo, na rua, à espera das autoridades.

***

    — Não te percebo, sinceramente... – Riu-se Layla, assim que viu Zira entrar, de volta, na sua cela. – Não disseste que ias voltar à tua vida antes de vires para aqui?
    — E voltei. – Retorquiu Zira, com a maior das tranquilidades. – Antes de vir para aqui, era criminosa. E, agora, estou de volta.
    — Porquê? Podias ter gozado a vida lá fora como deve ser…
    — Chama-se viver de consciência tranquila, Layla. Devias experimentar. – Riu-se Zira.
    — “Consciência tranquila”? – Gozou Layla.
    — Também conhecida como “vingança”. – Acrescentou Zira, deitando-se na cama, de barriga para cima.
    — E vê lá onde é que isso te levou… – Constatou Layla, sentando-se ao lado de Zira.
    — Era tudo o que eu precisava…
    — O quê? Vingança?
    — Sim… Vinguei-me… Era só disso que precisava… Tudo o resto, é um extra…
    Zira fez um sorriso malicioso. Sabia bem, a vingança…



FIM

"Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.

B-B-B-Be careful making wishes in the dark, dark
Can't be sure when they've hit their mark
And besides in the mean, mean time
I'm just dreaming of tearing you apart

I'm in the de-details with the devil
So now the world can never get me on my level
I just gotta get you off the cage
I'm a young lover's rage
Gonna need a spark to ignite

My songs know what you did in the dark

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark
Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark

All the writers keep writing what they write
Somewhere another pretty vein just dies
I've got the scars from tomorrow and I wish you could see
That you’re the antidote to everything except for me, me

A constellation of tears on your lashes
Burn everything you love, then burn the ashes
In the end everything collides
My childhood spat back out the monster that you see

My songs know what you did in the dark

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark
Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark

My songs know what you did in the dark
(My songs know what you did in the dark)

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

So light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
Light 'em up, up, up
I'm on fire

Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark
Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa.
In the dark, dark

Oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa, oh, oh, whoa"